Brasil boicota reunião na OMC para abrir setor de educação

O Brasil boicota negociação para a abertura do mercado de educação. A pedido dos países ricos, a Organização Mundial do Comércio (OMC) iniciou conversações sobre a possibilidade de os governos abrirem suas economias e reformar suas legislações para permitir que universidades estrangeiras se instalem.Contrária à proposta, a delegação brasileira em Genebra deixou, nesta segunda-feira, a sala de negociações na OMC antes de o debate começar, para mostrar que não está de acordo com a inclusão do tema na discussão. A proposta de abertura do setor de educação foi feita por países como Austrália, Nova Zelândia, Estados Unidos e Cingapura, que querem exportar seus institutos de ensino. A maioria dos países em desenvolvimento é contra a liberalização desse setor. Vários outros países emergentes se recusam a tratar do assunto. Alguns países, como a Argentina, ainda que sejam contrários à proposta, decidiram acompanhar o debate.Na avaliação do governo brasileiro, a abertura de mercado nesse setor afetaria a soberania do País no setor de educação. Diplomatas, porém, recusaram a palavra boicote para descrever o comportamento do País. "O que fizemos foi apenas não participar", afirmou um negociador. A orientação para evitar entrar em um debate sobre o assunto veio de Brasília.A antropóloga Iara Pietricovsky, do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), concorda com a posição do governo. Segundo ela, a liberalização do setor da educação não teria impacto efetivo, mas limitaria o espaço para políticas de educação no setor universitário."Hoje, o nível de privatização no nível universitário já é grande e a adoção dessa abertura não afetaria muito o que já ocorre. Mas o problema é que tiraria qualquer possibilidade de que, no futuro, o governo adote políticas públicas para limitar entrada de instituições estrangeiras", explicou. Pelas regras da OMC, uma vez aberto o setor, um país dificilmente poderia voltar a fechá-lo.Pelo calendário, o processo de negociações deve terminar até o final do ano, mas muitos governos alertam que uma convergência está distante. Para diplomatas estrangeiros, o Brasil está evitando um maior envolvimento nos debates para a abertura do setor de serviços até que fique claro quais serão os ganhos que terão na agricultura. Mas o Itamaraty rejeita a avaliação, alegando que apresentou o mais amplo pedido de abertura no setor de serviços entre os países emergentes.

Agencia Estado,

15 de maio de 2006 | 17h23

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