"Boom" de faculdades de Direito ameaça a tradição do Pindura

A proliferação de faculdades de Direito e a crise econômica podem pôr fim a uma tradição do começo do século 20. O Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurante de São Paulo acha que os estabelecimentos não terão como arcar com o Pindura no próximo 11 de agosto, dia em que estudantes de Direito - originalmente os do Largo São Francisco, da USP - comem, bebem e saem sem pagar a conta.Segundo o sindicato, houve um "boom" de faculdades de Direito na capital paulista e, se os estudantes dessas instituições fizessem a mesma brincadeira, causariam prejuízos ao setor - que já registra falências.O primeiro indício de "guerra" entre os estudantes e comerciantes surgiu na quarta-feira, quando aconteceria uma reunião entre os diretores do sindicato e do Centro Acadêmico XI de Agosto, dos alunos da USP. Os estudantes não apareceram. "Sem problema, o nosso advogado foi ao Centro Acadêmico repassar as exigências dos donos sobre o Pindura. Caso não aceitem, isso vai virar caso de polícia", avisa o diretor do sindicato, Mario Fuchs.Com consulta e sem versinhoA principal exigência do sindicato é que os proprietários sejam consultados com antecedência. Com a aprovação do proprietário, a faculdade deverá fazer uma lista com nomes de todas (e poucas) pessoas que farão a confraternização.E não será aceito o tradicional versinho que pega os donos de supresa: "Garçom tira a conta da mesa e põe um sorriso no rosto, pois seria muita avareza cobrar do 11 de agosto".Com o Centro Acadêmico XI de Agosto, parece não haver discordância. A secretária geral, Laura Benda, de 20 anos, disse que existe uma determinação aos estudantes que fazem o Pindura programado, para que avisem os comerciantes.Ela disse ainda que os comerciantes que aceitarem a brincadeira receberão um documento oficial do XI de Agosto, mostrando que o local já foi visitado.E os outros?O problema parece estar no aumento do número de estudantes de Direito. "Alunos de outras faculdades de Direito decidiram promover a mesma brincadeira. Alguns não sabem o significado dessa tradição", explica Laura. O dia do Pindura se confunde com a história da inauguração do Largo São Francisco, ambos com 100 anos - aliás, a confraternização deste ano será o centenário do Pindura. "Isso começou por causa de um protesto de estudantes, que não aceitaram a prisão de pessoas endividadas. Eles, então, foram a restaurantes e não pagaram a conta."Segundo o sindicato, 20% dos 13 mil restaurantes e bares da capital paulista são prejudicados com a brincadeira. Eles calculam que o Pindura chega a representar 70% do que é consumido no dia 11 de agosto, levando embora 30% do faturamento diário.

Agencia Estado,

07 de agosto de 2003 | 10h08

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