Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Bolsonaro pediu para não ver dados sobre falha no Enem por estar de 'cabeça cheia'

Erro no Enem levou a dezenas de ações judiciais, atraso no cronograma de programas, como o Sisu e ProUni, e gerou questionamentos sobre confiabilidade na prova

Mateus Vargas, O Estado de S.Paulo

03 de fevereiro de 2020 | 19h13
Atualizado 04 de fevereiro de 2020 | 10h28

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro disse nesta segunda-feira, 3, que pediu para não ver dados sobre falhas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) por estar com a "cabeça cheia". "Ele (o ministro da Educação, Abraham Weintraub) queria apresentar para mim os dados. Eu não quis, (estava) com a cabeça cheia. Hoje eu saturei. Não conversei", disse o presidente.

Bolsonaro e Weintraub viajaram juntos a São Paulo nesta segunda - uma ofensiva, tanto de parlamentares como de aliados do presidente, para a demissão do ministro se intensificou após a série de erros no Enem. Em declaração em frente ao Palácio da Alvorada, quando retornou a Brasília, o presidente minimizou as falhas relatadas por milhares de estudantes sobre a prova. "Quase em todos os anos tem problema. Representa menos de 'zero vírgula alguma coisa' o problema", disse ele. 

O presidente chegou a dizer que as falhas poderiam ser resultado de uma "sabotagem", apesar de não ter apresentado qualquer evidência.

Embora o presidente minimize a situação, a falha trouxe consequências para os 3,9 milhões de participantes da prova. Já que o cronograma de programas, como o Sisu e o Prouni, teve de ser suspenso por determinação judicial até que o ministério comprovasse documentalmente ter garantido a recorreção das provas. 

O próprio MEC ainda não apresentou dados que comprovem que a falha na correção de 5.974 provas não interferiu na nota dos demais.

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