Pedro Venceslau/Estadão
Pedro Venceslau/Estadão

Bolsonaro indica que Vélez Rodríguez pode ser demitido do MEC na segunda

“Está bem claro que não está dando certo", disse o presidente, que alegou estar faltando gestão. "Vamos tirar a aliança da mão esquerda e pôr na direita ou na gaveta”, afirmou o presidente

João Caminoto, O Estado de S.Paulo

05 de abril de 2019 | 10h25
Atualizado 05 de abril de 2019 | 14h12

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro insinuou nesta sexta-feira, 5, que o ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, deixará o cargo na segunda-feira, 8.  Desde que assumiu, Vélez tem enfrentado uma série de problemas na pasta.

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“Está bem claro que não está dando certo. É uma pessoa bacana, honesta, mas está faltando gestão, que é uma coisa importantíssima. Vamos tirar a aliança da mão esquerda e pôr na mão direita ou na gaveta”
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Jair Bolsonaro, presidente da República

A declaração foi dada durante café da manhã que reuniu diretores de jornais e repórteres de TV, no Palácio do Planalto. O Estado estava entre os convidados.

Bolsonaro admitiu que Vélez poderá ser reaproveitado em outra pasta, mas disse não ter decidido  onde. “Quem decide sou eu. Segunda é o dia do fico ou não fico. A situação da educação será resolvida”, argumentou ele.

Questionado sobre a influência do escritor Olavo de Carvalho no governo – e, especialmente, no Ministério da Educação –, Bolsonaro disse que isso não existe. “Tem pouca gente do Olavo na Educação”, declarou.

O ministro enfrenta suscessivas crises desde o início do governo e viu um aumento do desgaste nas últimas semanas com disputas internas, mais de 15 exonerações, medidas polêmicas e recuos.

Há uma semana, Bolsonaro já dava sinais de que poderia tirar Vélez ao nomear para secretário-executivo do MEC, o segundo cargo mais importante da pasta, o tenente brigadeiro Ricardo Machado Vieira, que foi do Secretário de Pessoal, Ensino, Saúde e Desporto do Ministério da Defesa e chefe do Estado-Maior da Aeronáutica. 

Na quinta, a Casa Civil exonerou um de seus principais assessores Bruno Garschagen, que era responsável pela comunicação e contato com a imprensa. Garschagen é jornalista e muito ligado a Olavo de Carvalho. É autor de um livro intitulado Pare de Acreditar no Governo. Os agradecimentos iniciais incluem o guru dos bolsonaristas “pela amizade” e o atual ministro “pelas preciosas observações e sugestões”.

Vélez nega que vá entregar o cargo

A declaração de Bolsonaro foi divulgada assim que Vélez começava uma palestra no 18º Fórum do Grupo de Líderes Empresariais (Lide), em Campos do Jordão. Ele negou que vá entregar o cargo: "Insustentável por quê? A única coisa insustentável é a morte".

Após o painel, deixou o auditório do evento para ir ao banheiro e foi abordado por jornalistas. Inicialmente, se recusou a falar e, minutos depois, negou que irá entregar o cargo.

Em sua apresentação, o ministro pediu apoio de empresários e os convocou para "dialogar" com ele e sua equipe no órgão. Ele participava de mesa com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e a líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann (PSL-SP).

Na sua fala introdutória, Vélez culpou gestões anteriores pela situação da Educação no Brasil e disse que "há muito sendo construindo no âmbito burocrático e administrativo atualmente". Ele disse que a pasta "cresceu demais". Perguntado sobre o que seria a "solução" para o ministério, Vélez respondeu: "Racionalidade."

Questionado sobre se o cargo de ministro da Educação é o mais difícil, Vélez argumentou: "Sim e não. Não, porque é o ministério que lida com as pessoas e isso é a coisa mais importante do mundo. Sim, porque o ministério cresceu demais oferecendo serviços, o que não é negativo, mas que coloca uma tremenda exigência de racionalização administrativa".

Ao falar sobre o ensino básico, Vélez disse que "algo já deveria ter deveria ter sido feito e o quadro é resultado de anos de descaso". (COLABORARAM ANDRÉ ÍTALO ROCHA, DANIEL WETERMAN E MATEUS FAGUNDES)

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