Reprodução/Diário Oficial da União
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Bolsonaro anuncia Milton Ribeiro como novo ministro da Educação

Pastor da igreja Presbiteriana em Santos e ligado à Universidade Mackenzie, Ribeiro era o nome do 'paulista' citado por Bolsonaro ao se referir aos candidatos ao cargo no MEC, vago desde a saída de Abraham Weintraub

Eliane Cantanhêde, Renata Cafardo e Jussara Soares, O Estado de S.Paulo

10 de julho de 2020 | 17h10
Atualizado 11 de julho de 2020 | 18h53

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro escolheu Milton Ribeiro para ser o novo ministro da Educação. O anúncio, antecipado pelo Estadão, foi confirmado nesta sexta-feira, 10, pelo presidente nas redes sociais. A nomeação de Ribeiro foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União minutos depois. 

Em publicação no Facebook na tarde desta sexta-feira, Bolsonaro escreveu: "Indiquei o Professor Milton Ribeiro para ser o titular do Ministério da Educação". Em seguida, publicou breve currículo sobre Ribeiro. "Doutor em Educação pela USP, mestre em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e graduado em Direito e Teologia. Desde maio de 2019, é membro da Comissão de Ética da Presidência da República."

Pastor da Igreja Presbiteriana em Santos, Ribeiro é advogado, tem formação em Teologia e foi vice-reitor da Universidade Mackenzie no início dos anos 2000. Entre as características que fizeram com que fosse escolhido, está o "apreço à família e aos valores", dizem conhecidos e integrantes do governo. 

Após o anúncio da nomeação para a chefia do MEC, publicações nas redes sociais recuperaram um vídeo do pastor, publicado há 4 anos pela Igreja Presbiteriana Jardim de Oração, em que ele fala à comunidade evangélica sobre a "vara da disciplina" e a importância de disciplinar as crianças. "Deve haver rigor, severidade. E vou dar um passo a mais, talvez algumas mães até fiquem com raiva de mim: deve sentir dor."

Ribeiro era o nome do "paulista" citado por Bolsonaro ao se referir aos candidatos ao cargo no MEC, vago desde a saída de Abraham Weintraub, no dia 18 de junho. Como mostrou o Estadão, apesar de evangélico, ele não era um nome apoiado pela bancada do segmento na Câmara.

O grupo tinha como candidato preferido o reitor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Anderson Correia. Ex-presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), ele é membro da Igreja Batista.

Nas redes sociais, o deputado federal Marco Feliciano (Republicanos-SP) disse que não houve interferência da Frente Parlamentar Evangélica na opção pelo nome de Milton Ribeiro. "A escolha não teve interferência alguma da Frente Parlamentar Evangélica. Foi uma escolha do PR Jair Bolsonaro que é nosso timoneiro. Tenho certeza de que o ministro contará com o apoio de todos que confiam no presidente."

Por meio de nota, o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) informou que "não vai se pronunciar sobre a escolha do novo ministro". A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) também informou que não se manifestaria.

Já o Semesp, entidade que representa mantenedoras de ensino superior no Brasil, afirmou que espera que a escolha "traga uma nova orientação para o Ministério da Educação, com a adoção de uma política pública considerada como política de Estado que permita ao país superar seus atuais desafios nessa área". 

A Undime, que representa gestores ligados à Educação nos municípios do País, diz que é importante que a nova gestão "venha ao encontro dos anseios de Estados e municípios, e que priorize o diálogo e a transparência". Diz ainda que que espera avanços em questões importantes como a aprovação do novo Fundeb, a implementação da Base Nacional Comum Curricular, a instituição do Sistema Nacional de Educação, e o cumprimento das metas e estratégias do Plano Nacional de Educação.

A especialista em educação Anna Helena Altenfelder disse não conhecer o currículo do novo ministro, mas afirmou que ele "vem de uma universidade (a Mackenzie) comprometida com a produção do conhecimento e a produção científica". Ela aponta que um dos principais desafios do novo chefe do MEC será promover o diálogo com as várias entidades ligada à Educação no País. 

"(A questão ideológica) é uma preocupação que a gente sempre tem com esse governo. A educação é um grande campo de batalha e isso tirou o foco dos nossos reais problemas. Não temos visto os quadros técnicos no Ministério da Educação e falta diálogo", diz Anna Helena, do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec). Outro desafio, diz, será articular a resposta educacional no contexto da pandemia - algo que vinha sendo encabeçado pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) e pelo Conselho Nacional de Secretário de Educação (Consed), entre outras entidades. 

Comissão de Ética

No ano passado, Bolsonaro havia nomeado Ribeiro para integrar a Comissão de Ética Pública da Presidência, grupo responsável por apurar a conduta de integrantes da administração pública federal e de analisar possíveis conflitos de interesse no serviço público. O grupo não tem poder para punir servidores e ministros. No máximo, o colegiado pode recomendar exonerações ou aplicar sanções administrativas, entre as quais a censura ética, espécie de “mancha” no currículo do servidor.

Outros nomes foram cotados

Bolsonaro chegou a nomear o professor Carlos Alberto Decotelli, ex-presidente do Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação (FNDE), para suceder Weintraub. Cinco dia depois, no entanto, ele pediu demissão após informações falsas serem apontadas em seu currículo.

Na última quinta-feira, 3, Bolsonaro convidou para o MEC o secretário estadual de Educação do Paraná, Renato Feder, que havia aceitado. Entretanto, com a divulgação o convite, Feder passou a ser alvo de fritura de grupos ideológicos, evangélicos e até militar. No domingo, 5, o secretário usou as redes sociais para rebater as críticas e disse que declinou a proposta do presidente. / COLABOROU JÚLIA MARQUES

 

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