Bolsas de pós-graduação serão reajustadas este mês

Entidade quer que os valores variem de acordo com o Estado em que mora o aluno

Agência Brasil,

03 Maio 2013 | 13h57

A partir deste mês, estudantes passam a receber as bolsas de pós-graduação com os valores reajustados. Para os alunos, mesmo com o aumento, o valor é insuficiente para pagar as contas, ter condições de viajar, apresentar trabalhos, comprar livros e se dedicar exclusivamente à pesquisa. Entidades que atuam no setor pedem melhores condições, mas a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) diz que tem de optar entre aumentar o valor ou a quantidade de bolsas e beneficiar mais estudantes.

 

A Associação Nacinal dos Pós-Graduandos (ANPG) quer maior valorização das bolsas, cujos reajustes recentes apenas cobriram parte das perdas inflacionárias e não significaram ganho real. Os estudantes reivindicam um índice de reajuste que garanta a constante valorização das bolsas e a diferenciação dos valores por Estado, de forma que o que ganham seja suficiente para o sustento nas localidades que escolherem.

 

O vice-presidente da Regional Centro-Oeste da ANPG, Fábio Borges, diz que o aumento que passam a receber este mês é uma conquista, mas está aquém da necessidade dos estudantes. "Ainda está aquém do que deveria ser a pesquisa e a pós-graduação no Brasil, e o problema se intensifica com as desigualdades do custo de vida em diferentes regiões. Uma coisa é viver em Brasília, outra é viver no Recife e outra no interior do Espírito Santo. As assimetrias regionais deveriam ser consideradas ao se pensar o valor das bolsas."

 

Segundo o último levantamento, em 2012 foram 77,9 mil bolsas de pós no País oferecidas pela Capes. Somadas ao Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência, foram 127 mil ofertadas em todas as modalidades. Pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), foram cerca de 81 mil bolsas oferecidas em todas as modalidades no mesmo ano, de acordo com o Ministério da Educação.

 

"Temos de escolher entre aumentar o valor e aumentar o número de bolsas. Optamos por aumentar a quantidade de bolsas", disse o presidente da Capes, Jorge Guimarães. De acordo com ele, 79% do orçamento da autarquia vão para o pagamento das bolsas. "A pós-graduação é um investimento pessoal e o governo ainda ajuda. Ser estudante não é profissão. É um investimento durante um período, mas que depois vai levar a muitas compensações, como salários mais altos."

 

Guimarães disse ainda que um índice não é uma proposta considerada viável, entre outros motivos, pela dificuldade de se aprovar no Congresso Nacional uma proposta nesse sentido e um orçamento voltado aos reajustes. A diferenciação regional, segundo ele, também não é discutida pela Capes. Jorge Guimarães reforçou, no entanto, a importância dessa etapa de ensino: "Ter mais pós-graduados signifca sustentar o desenvolvimento do País com gente mais qualificada. A graduação oferece uma formação mais informativa. Já a pós é formativa, os estudantes estão se preparando para o mercado de trabalho."

Mais conteúdo sobre:
Pós-graduação

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.