Bolsas de mestrado e doutorado deveriam ser 26% maiores

Auxílio financeiro aos pós-graduandos, pagos por agências federais de fomento, não terá reajuste em 2014

Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

24 Junho 2014 | 03h00

Além de congressos acadêmicos e revisões bibliográficas, as contas do mês são outro motivo de preocupação para alunos de mestrado e doutorado. Mais baixas do que os salários pagos no mercado, as bolsas de agências federais de fomento estão defasadas. Se tivessem acompanhado a inflação dos últimos 15 anos, os auxílios financeiros seriam pelo menos 26% maiores.

Não há previsão para reajuste em 2014 das bolsas da Capes e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), outro órgão federal de fomento. Se ajustada pela inflação desde 1999, a bolsa de mestrado, hoje em R$ 1,5 mil, seria de R$ 1,9 mil. Já a de doutorado saltaria de R$ 2,2 mil para R$ 2,8 mil.

O paraense Igor Dias, bolsista de doutorado em Nanociência, às vezes recorre à ajuda dos pais. “Na indústria, ganharia o triplo”, calcula ele, da Universidade Federal do ABC. O aluno, de 26 anos, divide república com três pessoas. “Faço contas para evitar dívidas. Visitar a família, só no Natal”, diz.

Fechar o orçamento é ainda mais difícil para quem não tem auxílio. Tomás Marques, de 27 anos, dispensou vaga em concurso público por um mestrado interdisciplinar na Universidade de São Paulo (USP). Entre os bicos para aumentar a renda, aulas particulares e trabalho noturno em bar. “O cansaço atrapalha o desempenho. Como o histórico de notas é critério para ganhar auxílio, tenho menos chances de bolsa no doutorado”, conta.

Carlos Henrique de Brito Cruz, da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp), não crê que cifras menores deixem de atrair talentos para a ciência. “Em quase todo o mundo é assim. A bolsa não é salário, mas atividade temporária de formação.”

O presidente da Capes, Jorge Guimarães, explica que a demanda é grande. “Dependemos de mais recursos: 80% do nosso orçamento já é para bolsas.” Segundo ele, boa parte dos alunos se mantém na pesquisa por vocação acadêmica e outros se sacrificam de olho em melhores empregos no futuro. Uma saída, para Guimarães, é expandir parcerias com empresas, que complementam as bolsas.

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