Bolsas chegam a ser tão vantajosas quanto salários

Coordenador de instituto somou vencimentos que chegaram a ultrapassar o teto constitucional do funcionalismo público: R$ 28.059

Felippe Aníbal, GAZETA DO POVO

14 Abril 2015 | 03h00

CURITIBA - Dois casos específicos mostra que o acúmulo de bolsas chega a ser quase tão vantajoso do ponto de vista financeiro quanto o próprio salário dos professores. O coordenador do Itti, Eduardo Ratton, por exemplo, somou vencimentos que chegaram a ultrapassar o teto constitucional do funcionalismo público. Em novembro de 2013, ele recebeu quatro repasses de bolsas que totalizaram R$ 18 mil. Somados ao salário bruto - de R$ 17 mil -, ele recebeu R$ 35 mil naquele mês. Na época, o valor máximo que um servidor poderia ganhar num único mês era de R$ 28.059. 

Em dezembro de 2011, o professor já havia chegado próximo do teto, ao acumular R$ 11 mil em bolsas de dois projetos (o da Ferrovia Bauru/Garça e o da BR-487/PR). Em junho do mesmo ano, Ratton recebeu um repasse de R$ 10 mil por uma única bolsa.

Outra diretora do Itti, a professora Gilza Fernandez Blasi, acumulou R$ 310 mil em bolsas, nos últimos cinco anos. Contrariando a resolução 17/11 do Conselho de Planejamento da UFPR (Coplad), ela chegou a ganhar mais com esses benefícios do que com os próprios vencimentos brutos. 

Em outubro e dezembro de 2011, Gilza ganhou R$ 8 mil mensais, por participação em um projeto de programas ambientais em obras na BR-487/PR. Esta única bolsa já ultrapassou o valor do salário da professora - hoje, de R$ 6,9 mil, segundo o Portal da Transparência. Em outubro de 2011, ela somou R$ 13 mil com duas bolsas acumuladas: quase o dobro do salário. 

Antes disso, a professora já vinha recebendo mais pela participação nos projetos do que por seu trabalho em sala de aula. Ao longo de todos os meses de 2010, a Funpar registrou pagamentos mensais de duas bolsas para ela, que, somadas, ultrapassavam seu salário bruto.

Um acordo de cooperação entre a UFPR e a Petrobrás prevê bolsa de estágio de R$ 174,2 mil para uma aluna da pós-graduação. Iniciado em agosto de 2013, o projeto - de estudo de recuperação de metais - se estenderá até agosto de 2016. No mesmo contrato, outras duas pós-graduandas também recebem bolsas de R$ 60 mil e de R$ 82 mil. Nos 25 convênios da UFPR analisados pela Gazeta do Povo - com a Petrobrás, com o Dnit e com a Companhia Paranaense de Energia (Copel) - seis estagiários de pós-graduação receberão, juntos, R$ 463,6 mil. As bolsas de estágio para nove graduandos somam R$ 98,4 mil. Nove técnicos administrativos ganharão, juntos, R$ 241,6 mil.

Explicações. O coordenador de projetos do ITTI, Eduardo Ratton, alegou que, em geral, as bolsas correspondem a "valores muito ínfimos, nada exorbitantes". "No meu caso, imagino que dê uma média de R$ 80 mil por ano. Não vejo problema nenhum nisso. Estamos dentro do que é permitido", acrescentou. Em relação ao fato de ter extrapolado o teto do funcionalismo, Ratton avalia que pode ter ocorrido um acúmulo eventual por conta de atrasos burocráticos. Ele disse que, se excedeu o limite, foi em ocasiões pontuais.

A professora Gilza Fernandez Blasi disse que os benefícios acumulados excederam seu salário apenas em meses que a aplicação da resolução 17/11 da Coplad ainda estava sendo efetivada. "Essa resolução é de novembro de 2011. Então os projetos que estavam em vigor tiveram uma fase de adaptação", apontou. 

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