Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Bolsas: caminho para estudar no exterior

Interessados em fazer MBA em universidades internacionais podem procurar várias instituições para tentar o valor necessário

Simei Morais, Especial para o Estado

17 Novembro 2015 | 05h00

SÃO PAULO - Se há alguém com experiência em conseguir bolsa é o casal Joice Toyota, de 31 anos, e Lucas Mendes, de 32. Engenheiros formados pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP), eles conquistaram, juntos, sete bolsas para cursar MBA e viver dois anos na Califórnia, nos Estados Unidos. Joice foi contemplada com cinco bolsas. Mendes teve duas e completou os recursos com financiamento americano, por meio da Universidade de Stanford, onde eles estudaram de setembro de 2013 a maio deste ano.

O curso custou, para cada um, US$ 128 mil. “Eu não teria condições de estudar lá com dinheiro familiar. As bolsas estão aí para nos apoiar e fazermos algo diferente para o País”, acredita Joice, que conquistou auxílio das fundações Lemann e Estudar, uma da própria universidade, outra da Brazilian-American Chamber of Commerce (por indicação da Fundação Lemann, quando já estudava) e uma quinta, também de Stanford, complementar ao salário do trabalho que fez em uma organização não-governamental (ONG) de Educação.

As duas bolsas de Mendes, da Fundação Estudar e da universidade, cobriram 70% dos gastos escolares. Mas também havia o custo de vida. Completou tudo com financiamento a ser pago em 25 anos, com taxas em torno de 7% ao ano. 

Crowdfunding. O mix de bolsas que suportou o casal é o que todo candidato a um MBA almeja, principalmente se a pretensão é estudar no exterior, com custos em dólar ou euro. “Para fazer MBA, tem de congregar várias bolsas”, diz a relações públicas Jamile Dalri, de 25 anos, que planeja fazer o processo de seleção em dois anos. Para se preparar, ela pesquisa em sites e tira dúvidas em comunidades nas redes sociais.

Nesse processo, Jamile conheceu Cassia Moraes, de 25 anos, que publicou um e-book com sua experiência na busca por MBA estrangeiro e, principalmente, por recursos. Formada em Relações Internacionais pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), ela foi aprovada no Master of Public Administration (MPA) na Universidade de Columbia, em Nova York, que custou US$ 112 mil. 

No mesmo e-mail, em março de 2013, ela recebeu uma boa e uma má notícia: havia sido aprovada no curso, mas sem bolsa. “Todo mundo fala para focar na seleção para a vaga e depois na bolsa. Mas há processos de bolsa que abrem enquanto você ainda não tem a primeira resposta. Segui esse raciocínio e perdi um monte de prazos de bolsas.” Até junho, quando tinha de confirmar matrícula e pagar sinal de US$ 1 mil, Cassia ficou no suspense.

O pai vendeu um carro para ajudá-la e ela fez crowdfunding na internet. A visibilidade da vaquinha online fez com que lhe indicassem uma startup que conectava estudantes a interessados em emprestar recursos, a Plataforma Edukar. Com o empréstimo, que vai pagar em seis anos com 8% de seu salário, somou metade dos recursos necessários. Ao fim do primeiro ano, conseguiu bolsa da Fundação Lemann. Cassia hoje trabalha em uma ONG que mantém contato com a Organização das Nações Unidas (ONU).

O engenheiro Mendes ressalta que, mesmo com as contas pagas em dólar, o melhor da bolsa não é simplesmente o dinheiro. “O bolsista da Fundação Estudar entra para uma rede de profisionais muito interessantes. Tive mentoria com um executivo muito respeitado que toda semana falava comigo por horas sobre minha carreira e me apresentou pessoas.” 

Tanto Mendes quanto Joice abriram seus próprios negócios durante o MBA. Ele, uma startup de recrutamento de profissionais pela internet. Ela, uma consultoria que seleciona e qualifica profissionais para atuar no setor público. “As redes (das fundações Lemann e Estudar) me ajudaram a chegar a pessoas que hoje apoiam a consultoria”, conta Joice.

Pela internet, possibilidades de empréstimo. Quem quer estudar no exterior encontra na internet possibilidades de empréstimo. Uma das opções é a Plataforma Edukar, startup que conecta o estudante a pessoas físicas interessadas em emprestar.

“Estamos em fase pré-operacional de um novo modelo de negócio e, atualmente, não estamos concluindo os empréstimos. Mas é possível realizar cadastro para entrarmos em contato tão logo a fase operacional comece”, diz Roberto Tesch, CEO da startup.

Segundo ele, será possível captar até R$ 70 mil, com taxas de 6% a 10% ao ano, mais atualização monetária. O estudante, já aprovado no MBA, cadastra a proposta, que será avaliada pelos patrocinadores.

Já o site Prodigy Finance pode cobrir os custos totais do curso, com taxas entre 5,5% e 8,5%, e prazo de pagamento de sete anos (para MBAs de um ano).

Ajuda a quem pode ‘melhorar o Brasil’. Ainda em pouco número no Brasil, os programas de bolsas são comuns entre instituições de ensino tradicionais no mundo, de acordo com Daiana Stolf, da TopMBA, consultoria que auxilia em candidaturas no exterior.

“Na maioria das 50 instituições mais bem avaliadas do mundo, os candidatos não precisam ter todos os recursos para pagar o curso de antemão. As escolas facilitam a tomada de empréstimos e oferecem bolsas aos melhores candidatos.”

Entre os programas de bolsas brasileiros que incluem MBA estão os da Fundação Lemann, da Fundação Estudar e do Instituto Ling. Todos são voltados para quem pleiteia curso no exterior e contemplam candidatos que possam desenvolver o Brasil. 

Na Fundação Lemann, o perfil do bolsista é de empreendedores de empresas ou de negócios sociais e até de quem está em busca de mudança de carreira. “O objetivo é apoiar pessoas que possam liderar mudanças sociais, algo que contribua para o Brasil, em diferentes setores”, resume Anna Laura Schmidt, gerente de projetos da entidade. A fundação distribui, em média, 40 bolsas por ano para alunos aceitos em oito universidades nos Estados Unidos e na Inglaterra, sendo três delas em MBAs (MIT, Harvard e Stanford). 

Já a seleção da Fundação Estudar prioriza competências, conquistas e sonhos dos candidatos, que devem ter até 34 anos. “Tem de genuinamente ter interesse em causar impacto no país, seja em governos ou chefiando empresas com perfil de desenvolvimento. Precisa mostrar uma trajetória de realizações, tendo se destacado acima da média”, define Tiago Mitraud, diretor da instituição. Neste ano, 12 mil se inscreveram para tentar o programa, que contemplou oito estudantes. 

O Instituto Ling distribuiu neste ano US$ 515 mil em 22 bolsas de pós-graduação e especialização nos Estados Unidos e na Europa. Dentro desse total, de seis a dez bolsas anuais são para MBA. A entidade prioriza candidatos que tenham o “compromisso de aplicar os conhecimentos adquiridos para a melhoria do País.”

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