Bienal de São Paulo forma professores para levar arte a alunos

Projeto Educativo ganha destaque em edição deste ano, que abre em setembro

Luciana Alvarez, O Estado de S. Paulo

19 Abril 2010 | 10h01

Ainda faltam cinco meses para a 29.ª Bienal de São Paulo ser aberta ao público, mas um verdadeiro exército de professores já está sendo preparado para ela. O objetivo do Projeto Educativo da exposição é dar formação para 20 mil docentes de escolas públicas e particulares e, com a ajuda deles, atingir 400 mil alunos do ensino básico.

 

"Este ano a parte educativa foi intensificada e os professores passaram a ser público prioritário. São os professores que preparam as crianças para vir à Bienal", afirma Stela Barbieri, curadora do Projeto Educativo. "É uma grande ação política. A Fundação Bienal se propôs a ter um Projeto Educativo permanente, pois a educação se faz a longo prazo."

 

Para Stela, o investimento em ações de educação é uma necessidade estratégica. "No Brasil, onde o ensino de artes ainda é deficitário, as instituições culturais acabam assumindo a função de formação do público", diz.

 

Como um bom trabalho de formação em artes ultrapassa a exposição de conteúdos, nos cursos oferecidos a 5,2 mil professores da rede municipal de São Paulo imperou a discussão. "O microfone esteve sempre nas mãos do público", diz Stela.

 

Os cursos em parceira com secretarias de educação de outras cidades estão sendo pensados caso a caso. Da rede estadual, 7,5 mil professores participarão de um curso a distância. Docentes de escolas estaduais, educadores de ONGs e líderes comunitários também serão capacitados.

 

O professor da rede municipal Paulo Pitta, que participou da preparação da Bienal, pretende reproduzir com seus alunos o formato do curso antes de levá-los à exposição. "Estamos preparando uma formação para eles, mas não de cima para baixo. Queremos discussão", conta.

 

Todos os professores que participarem do programa vão ganhar um material específico para a tarefa. O kit, que apresenta a Bienal e alguns dos artistas participantes, inclui um jogo desenhado para a sala de aula.

 

Especialista em arte-educação, Anne Mae Barbosa, professora da Universidade Anhembi Morumbi, elogia a importância dada este ano às escolas. "A Bienal tem sido uma mesmice na parte educativa", critica. "Mas agora a diretoria do Projeto Educativo está trabalhando em conjunto com a curadoria geral. É esperançoso."

 

Relevância. Mila Chiovatto, coordenadora do núcleo de ação educativa da Pinacoteca de São Paulo, ressalta o papel da arte na formação de uma geração mais tolerante. "O debate estético - discutir as diferentes interpretações sobre certas imagens - é a melhor forma de se aprender a lidar com as diferenças", afirma.

 

Segundo ela, a educação artística tem ainda uma função transformadora na sociedade. "Ela desenvolve não apenas a capacidade de pensar o mundo, mas a capacidade de transformá-lo - porque a pessoa vê que o mundo pode ser melhorado."

 

"A arte desenvolve a subjetividade, o que ajuda em todos os aspectos da vida", argumenta Denise Grinspum, gerente do Instituto Arte na Escola. Ela também destaca a importância do público para o meio artístico. "A partir do momento em que um artista expõe, entra a participação do público, não são apenas os pares", diz. "O artista tem a necessidade de uma interlocução, uma análise pública."

 

"Exército da arte"

 

5,2 mil professores da rede municipal de SP participaram de cursos

 

7,5 mil professores estaduais vão fazer curso a distância

 

20 mil professores, no total, devem receber alguma formação

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