Biblioteca de Direito-USP está inacessível para alunos

Estudantes protestam porque parte do acervo histórico está encaixotado fora do prédio histórico

Carolina Stanisci, Especial para o Estadão.edu

26 Março 2010 | 17h33

"Cadê minha bibilioteca?", perguntam os alunos da Faculdade de Direito da USP, em cartazes espalhados pelo prédio histórico no Largo São Francisco, no centro de São Paulo. Parte do acervo das bibliotecas da faculdade foi transferida, em janeiro, para um prédio externo. Desde então os livros estão guardados em caixas de papelão, o que impossibilita sua consulta.

Com a justificativa de ter mais espaço no prédio histórico para salas de aulas, os livros dos departamentos e da biblioteca circulante foram levados, em 25 de janeiro, para um prédio na vizinhança, na Rua Senador Feijó. 

 

Estudantes como Guilherme Pastore, de 19 anos, no 3º ano do curso, não conseguem checar a bibliografia para fazer trabalhos ou estudar para provas. Para Pastore, a transferência foi feita "às pressas". "O fato de a gente não ter as bibliotecas departamentais ao lado da sala é ruim. Era melhor ter no prédio", disse. "Mas não havia outro jeito. Senão, ficaríamos sem salas de aula."

 

O ex-diretor da faculdade Eduardo Marchi também não gostou. "Parece que a ênfase foi dada unicamente na retirada abrupta dos livros do prédio histórico, e não na reorganização do novo espaço", afirmou, em carta aberta aos estudantes da faculdade.

O Ministério Público Federal, que está acompanhando as reformas na faculdade - trata-se de um prédio tombado pelo patrimônio estadual e municipal - recomendou ao atual diretor da faculdade, Antonio Magalhães Gomes Filho, que retire “imediatamente” os livros das caixas e os organize em estantes.

 

A procuradora da República Ana Cristina Bandeira Lins esteve na faculdade para checar a situação de perto. Para a procuradora, a mudança dos livros não foi realizada de modo adequado, com profissionais capacitados para a empreitada.

 

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Gomes Filho descartou a tese de que os livros estejam se deteriorando nas caixas de papelão. E também negou a existência de raridades entre esse acervo. "Os mais raros ficam em uma sala mais escondida, para não atrair a atenção."

"Os alunos estão passando por esse problema. Os que têm que defender tese de láurea, na conclusão de curso, já estão com prazo prorrogado", afirmou. Estudantes que têm de defender dissertações de mestrado e doutorado também ficaram sem acessar a bibliografia.

 

A transferência dos livros foi um dos últimos atos da gestão de João Grandino Rodas, atual reitor da USP, à frente da direção da São Francisco.

 

(atualizado no dia 29/3)

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