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Bem-vindo à universidade dos homens-máquina

Com apoio do Google, curso quer preparar líderes que enfrentem problemas do futuro com ajuda da tecnologia

Carolina Stanisci, Especial para o Estadão.edu

29 Março 2010 | 19h50

Aos 9 anos, ele aprendeu a fazer programas de computador. Com 10, devorava livros em inglês sobre o assunto, com um dicionário ao lado. Aos 15 anos, virou sócio de uma BBS, a tecnologia pioneira da internet. Aos 22, diretor de uma unidade na área de tecnologia de uma grande empresa, achou que era hora de “ganhar o mundo”.

O currículo do paulistano Rod Furlan, de 30 anos, impressionou até os diretores de uma das instituições de ensino mais audaciosas do mundo, a Singularity University (SU), na Califórnia.

 

A começar pelo nome, inspirado no livro The Singularity is Near, do futurista e fundador da SU Ray Kurzweil, nada é convencional na instituição, também conhecida como Universidade do Google – a gigante da internet apoia o projeto, instalado dentro da Nasa, perto do Vale do Silício.

A “singularidade” prevista por Kurzweil é um estágio do progresso tecnológico em que transcenderemos a biologia: homens e máquinas vão se fundir. Até essa nova civilização chegar, a SU quer já ter identificado e preparado, nos seus cursos de até nove semanas, os líderes que vão resolver problemas como fome e mudanças climáticas.

 

“Buscamos pessoas empreendedoras, dispostas a enfrentar grandes desafios”, diz o diretor da SU, Salim Ismail, que esteve em São Paulo este mês para firmar uma parceria com a Faculdade de Tecnologia da Informação (Fiap).

Após o curso, os alunos precisam apresentar uma proposta que tenha impacto na vida de ao menos 1 bilhão de pessoas. Um exemplo típico de projeto da incubadora da SU é o que constrói casas a partir da tecnologia de impressão 3D. Semelhante a uma impressora normal, o mecanismo levanta paredes sem a ajuda de pedreiros.

 

Participar desse dream team universitário não é fácil. O candidato não precisa ter diploma de ensino superior, mas deve ser expert em assuntos como redes e sistemas de computação; biotecnologia e nanotecnologia; medicina e neurociência; robótica e inteligência artificial; políticas públicas, lei e ética; finanças e empresas. Também precisa desembolsar cerca de US$ 25 mil (mais de R$ 45 mil) por nove semanas de aulas, dadas entre junho e agosto.

 

O curso deste ano já está com inscrições encerradas. No ano passado 1.200 candidatos disputaram 40 vagas; este ano 1.600 concorrem às 80 disponíveis (veja mais em singularityu.org).

“Foi a melhor época da minha vida”, diz Furlan, que nunca cursou uma faculdade no Brasil e fez o módulo da SU no ano passado. Segundo o brasileiro, de dia os estudantes alternavam palestras com altos funcionários de empresas como o próprio Google com aulas de ioga. E, à noite, o grupo se reunia no alojamento na Nasa para digerir tudo o que ouviu sobre o futuro. “Nosso apelido é Sleepless University (Universidade da Insônia), porque os alunos não dormem”, brinca Ismail.

No fim do curso, Furlan inventou com os colegas um sistema bancário baseado em créditos de celular. “Em países pobres, as pessoas não têm conta bancária”, explica o brasileiro. Agora, como a SU recomenda a todos os estudantes, Furlan tenta vender seu projeto no mercado. “Estamos negociando com algumas empresas.”

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