Elza Fiúza/Agência Brasil
Elza Fiúza/Agência Brasil

Base Nacional Comum recebe 12 milhões de contribuições

27 mil sugestões pedem inclusão de novos objetivos para educação; documento estabelece conhecimentos essenciais aos estudantes

Isabela Palhares, O Estado de S. Paulo

23 Março 2016 | 07h00

SÃO PAULO - Após seis meses em consulta pública, a Base Nacional Comum recebeu mais de 12 milhões de contribuições, sendo que 27 mil sugestões pedem a inclusão de novos objetivos para a educação. O documento vai estabelecer os conhecimentos e habilidades essenciais que todos os estudantes devem adquirir na educação básica.

Português e Ciências Humanas - as áreas mais criticadas na primeira versão do documento - foram as que mais receberam sugestões, 5,5 milhões e 2,6 milhões, respectivamente. Em Linguagens, a principal crítica era a ausência de gramática. Já em História, de que ignorava pontos de conhecimento geral, para inovar em história indígena e africana.

A primeira versão da base foi divulgada em setembro de 2015 com críticas de especialistas, sobretudo de que o texto era muito genérico. Após a consulta pública, o documento será revisado e terá ainda mais duas versões antes de seguir para a avaliação final no Conselho Nacional de Educação, até junho.

A consultora em Educação Ilona Becskeházy considerou frágil a primeira versão do documento, mas afirmou que as críticas e a resposta do Ministério da Educação (MEC) a algumas delas já sinalizam comprometimento. “O grande número de contribuições não é indicativo de qualidade, mas a análise minuciosa delas e a formatação de um texto com as especificações para cada etapa e disciplina é que vão garantir a qualidade.”

Para Maria do Pilar Lacerda, ex-secretária de Educação Básica do MEC, o grande número de contribuições mostra o interesse da comunidade escolar em discutir o assunto. De acordo com o MEC, metade das colaborações partiu de 45 mil escolas. “O professor teve a oportunidade de refletir sobre o seu trabalho, sobre a sua disciplina. A base não vai determinar como tem que ser o trabalho em sala, mas orientar o professor sobre o conteúdo a ser tratado.”

Já a Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (Anped), defende que o MEC não ouviu devidamente os professores e, por isso, a associação lançou a campanha “Aqui já tem Currículo”. 

“Consideramos que os professores que já praticam currículos de várias maneiras e conteúdos plurais não foram devidamente ouvidos. Nossa campanha quer dar essa oportunidade”, disse Paulo Carrano, diretor da Anped.

Em nota, o MEC afirmou que a elaboração da Base está prevista no Plano Nacional de Educação e que o texto está sendo construído após ampla discussão. “A participação da Anped na discussão das políticas educacionais sempre foi muito importante e com certeza a sua contribuição para a Base enriqueceria em muito o processo, por isso, lamentamos a sua decisão de não participar.”

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