Isabelle Araújo/Ministério da Educação
Isabelle Araújo/Ministério da Educação

Base Nacional Comum define que crianças saibam ler e escrever aos 7

Documento que define o que os alunos devem aprender em cada ano e disciplina foi entregue nesta quinta-feira, 6, para análise do Conselho Nacional de Educação

Isabela Palhares, O Estado de S. Paulo

06 Abril 2017 | 11h04
Atualizado 07 Abril 2017 | 02h11

SÃO PAULO - Apresentada nesta quinta-feira, 6, pelo Ministério da Educação (MEC), a terceira versão da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) prevê que, ao fim do 1.º ano do ensino fundamental, ou seja, aos 7 anos, as crianças saibam ler e escrever. É a primeira vez que o Brasil produz o documento – considerado essencial por educadores –, que define o que os alunos devem aprender em cada ano e etapa, da educação infantil ao 9.º ano.

O texto, que segue para análise e aprovação do Conselho Estadual de Educação (CNE), define que, ao fim do 1.º ano do fundamental, os alunos devem conseguir escrever “espontaneamente ou por ditado” palavras e frases “de forma alfabética”, o próprio nome, os dos pais e o endereço completo, além de ler palavras e pequenos textos. 

Atualmente, como não há base nacional no Brasil, documentos como o Pacto Nacional Pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC) e o Plano Nacional de Educação (PNE) apontam que as crianças devem estar alfabetizadas até o fim do 2.º ano do fundamental, isto é, até os 8 anos. 

Segundo especialistas, as duas versões anteriores do texto já colocavam algumas habilidades que indicavam a alfabetização no 1.º ano, mas não de forma expressa. Na primeira versão, as habilidades esperadas para o aluno eram ler palavras e textos, “apoiando-se em imagens” e “segundo sua compreensão do sistema alfabético, ainda que não convencionalmente”. Na segunda versão, era esperado que o aluno produzisse textos “ainda que de forma não convencional ou tendo o professor como escriba”. 

A consultora em educação Ilona Becskehazy avaliou como positivo colocar a alfabetização como meta para o fim do 1.º ano. “Consolida uma percepção de países que são referência em educação, de que o aluno, depois de dois anos na educação básica (desde 2016, a matrícula se tornou obrigatória para crianças de 4 e 5 anos), esteja preparado para a alfabetização. A base é uma quebra histórica de paradigma da educação brasileira.” 

O diretor do Instituto Ayrton Senna, Mozart Neves Ramos, destaca que, para alcançar o objetivo da alfabetização, o documento define habilidades esperadas para a criança ainda no ensino infantil. “É preciso potencializar a educação nessa fase.”

Segundo o documento, crianças de até 5 anos e 11 meses devem saber reproduzir as próprias histórias orais e escritas, identificar gêneros textuais mais frequentes e levantar hipóteses em relação à linguagem escrita, “realizando registros de palavras e textos, por meio da escrita espontânea”.

Para o ministro da Educação, Mendonça Filho, a mudança nas regras da alfabetização trará equidade à educação. Ele observa que hoje crianças de classe média e alta são alfabetizadas antes do que as demais. “Com a nova diretriz, estamos assegurando o mesmo direito tanto para os que vão para as melhores escolas como para os que vão para escolas públicas.” 

Matemática. Em Matemática, foram reforçados conteúdos que quase não apareceram nas versões anteriores da base. Probabilidade e Estatística, por exemplo, devem ser ensinadas desde o 1.º ano. Até os 7 anos, as crianças devem conseguir ler tabelas e gráficos de colunas simples, estimar e comparar quantidade de objetos de dois conjuntos com até 20 elementos e resolver problemas de adição e subtração de até dois algarismos.

“Foram incluídos itens que somente eram trabalhados a partir do 4.º ano. Trabalhar com estatística e contabilidade, por exemplo, ajuda muito o raciocínio lógico”, diz a secretária executiva do MEC, Maria Helena Guimarães de Castro / COLABOROU LIGIA FORMENTI

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