Baile do Shortinho faz candidato perder Enem no Rio

Promotor de eventos no Morro do Vidigal foi dormir às 7 horas e chegou atrasado a exame

Luciana Nunes Leal, de O Estado de S. Paulo, Rio

04 Novembro 2012 | 22h47

Promotor de eventos e estudante de informática, Estefânio Micael dos Santos Silva, de 18 anos, nem teve a chance de pensar no que escrever sobre a imigração para o Brasil, tema da redação do Enem. Ele perdeu a hora e chegou à PUC do Rio às 13h05, quando os portões já estavam fechados. Nem desceu da moto. Esperou alguns minutos para se recuperar da decepção e voltou ao morro do Vidigal, onde mora, a poucos quilômetros do local da prova.

Estefânio não conseguiu acordar porque foi dormir às 7 horas, quando acabou a festa que promoveu no Vidigal, o Baile do Shortinho, onde a frequentadora que exibisse o menor traje ganhava de brinde um combo de vodca com bebida energética.

“É uma grande lástima, mas fui dormir depois das 7, acordei correndo, me arrumei, comi alguma coisa, cheguei aqui em 5 minutos, mas não deu tempo. Ano que vem vou para o quartel porque pretendo servir à Aeronáutica, e vai ser bom para refletir, estudar. Depois vou focar na carreira”, disse o estudante, que pretende cursar Ciências da Computação.

Primeira candidata a deixar o local da prova, Cláudia Pacheco, de 35 anos, também reclamou do cansaço. Ela considerou o tema “dificílimo” e nem escreveu a redação. Optou por abandonar o Enem e a tentativa de melhorar os pontos para conseguir uma bolsa melhor do que os 20% de desconto que tem atualmente na faculdade de Educação Física de uma universidade particular.

Recepcionista de um restaurante e boate em Botafogo (zona sul), Cláudia contou que passou mal de cansaço durante a prova, porque trabalhou até 5 horas e ainda participou de uma corrida no Aterro do Flamengo. “Eu estava morrendo de sono, não conseguia continuar. As moças que aplicavam a prova foram ótimas, me ofereceram café, perguntaram se eu não queria descansar um pouco, mas não consegui. É uma pena, porque ontem eu fui bem. Vou ter que continuar pagando o que pago na faculdade”, disse Cláudia pouco depois das 15 horas, a caminho do ponto do ônibus para Copacabana (zona sul), onde mora.

O segundo dia de prova transcorreu sem problemas graves na PUC-Rio. Um dos primeiros a entrar quando os portões foram abertos, ao meio-dia, Bernardo Teixeira, de 16 anos, disse que estava “menos confiante” hoje do que no sábado. Como a grande maioria dos colegas, estava preocupado com a redação.

Na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), um candidato foi impedido de fazer as provas por estar com uma cópia autenticada do RG. Ele disse que no sábado não teve problemas com o documento. (Colaborou Roberta Pennafort)

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