Bahia culpa repetência por mau resultado no Ideb

Segundo secretário da Educação ainda não é possível saber os motivos do aumento nas reprovações de alunos

Tiago Décimo, de O Estado de S. Paulo,

20 de junho de 2008 | 21h15

O secretário da Educação da Bahia, Adeum Sauer, lamentou o mau resultado das duas cidades com piores avaliação, no País, no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), até a 4.ª série do ensino fundamental, Ubatã e Barra do Rocha - municípios vizinhos, 375 quilômetros a sudoeste de Salvador. "Se a gente olha as notas que os alunos receberam na prova, houve até uma evolução", afirma Sauer. "O problema foi a queda na aprovação dos alunos. Em uma escola de Ubatã (a pior cidade do Brasil segundo o Ideb, com nota 0,9), por exemplo, vi que o índice de aprovação caiu de 61,8%, no levantamento anterior, para 39,2%."   De acordo com ele, não é possível saber, ainda, os motivos para o aumento nas reprovações de alunos. "Precisamos, agora, analisar caso a caso o que aconteceu nessas escolas", afirma. "Como as notas dos alunos aumentaram, porém, acredito que tenha havido uma combinação entre aumento na rigidez dos professores e na evasão escolar."   Uma das hipóteses levantadas por Sauer para a evasão escolar é a precária situação financeira da população da região, que pode estar tirando as crianças das escolas para que elas ajudem no trabalho, em especial nas pequenas propriedades de agricultura familiar. "Há regiões em que a cultura da educação está ainda começando", diz. "Isso sem falar dos problemas de infra-estrutura, de falta de qualificação profissional dos professores, entre tantos outros que estamos trabalhando para resolver."   Em Barra do Rocha, cidade de cerca de 6.200 habitantes, por exemplo, não há escola particular. A grande diferença entre o número de alunos do ensino fundamental, 2.360, e do ensino médio, 417, também denota alta taxa de abandono durante o aprendizado. Situação parecida vive Ubatã, de 25 mil habitantes, que tem 4.970 alunos no fundamental e 859 no médio.   Nas cidades, porém, a baixíssima avaliação das escolas espantou os moradores. O vigia Anisson Teixeira, de 29 anos, que trabalha na prefeitura de Barra do Rocha, tem dois filhos em escolas municipais, um na terceira série e outro na sexta. "Achava que as aulas não eram tão boas, mas não achava que fossem tão ruins", afirma. Ele mesmo, semi-analfabeto até dois anos atrás, está freqüentando aulas especiais para evoluir nos estudos.   Teixeira foi o único a cumprir jornada de trabalho completa na prefeitura do município hoje. Barra do Rocha, bem como Ubatã, vive o clima de São João desde quarta-feira. Nas escolas, aulas só depois de 2 de julho. A prefeitura de Ubatã sequer funcionou depois das 12 horas de desta sexta-feira, 20.

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