Avis rara: candidato de humanas à presidência da SBPC

Na história da SBPC, o filósofo Renato Janine Ribeiro é um dos raros pesquisadores da áreas das ciências humanas a pleitear o cargo de presidente. Graduado em Filosofia pela USP, onde também se doutorou em 1984, Janine é hoje professor titular da faculdade e conselheiro da SBPC. Sua proposta é "estender o diálogo da entidade para os ministérios da Educação e Cultura". Estado - Porque o sr. resolveu se candidatar à presidência da SBPC? Renato Janine Ribeiro - Para que a SBPC assuma um novo e importante papel. Isso porque ela não tem poder, mas autoridade - e o novo mundo em que estamos entrando parece que vai dar mais importância às questões de autoridade, isto é, aos debates de idéias, ao papel da inteligência na sociedade, do que às de poder. Estado - Quais são seus planos, caso seja eleito? Janine - Primeiro, fazer nosso diálogo, que hoje se concentra no Ministério da Ciência e Tecnologia, se expandir para os da Educação e Cultura. Segundo, aumentar nossa conversa com a sociedade, "desestatizar nosso discurso". Numa democracia, a sociedade vai querer saber para que serve cada corporação. Estado - Na sua opinião, qual é o papel da SBPC no Brasil de hoje? Janine - Ela deve mostrar quanto a ciência pode melhorar a vida das pessoas. Precisamos mostrar que a ciência traz como resultados saúde, conforto, democracia. Além disso, como hoje a sociedade faz uma grande demanda de conhecimento científico, devemos garantir que a transmissão de saber aos cidadãos não seja essencialmente uma mercadoria, mas um direito. Estado - Qual é sua opinião sobre a política científica e tecnológica do atual governo? Janine - Essa política ainda não está bem definida. Todos concordamos com o aumento das bolsas, praticamente congeladas há oito anos. Mas não me parece correto contestar a gestão (Ronaldo) Sardenberg (ex-ministro da Ciência e Tecnologia), que foi boa em linhas gerais. Estado - Como o sr. avalia a atuação do ministro da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral? Janine - Ele tem razão em pleitear mais recursos para a área. O presidente do CNPq, Erney Plessmann de Camargo, e o da Finep, Sérgio Rezende, são cientistas e administradores respeitados. O ministro foi indicado, porém, a partir de uma articulação política com o PSB e a comunidade científica esperava ser considerada, pelo PT, uma área fundamental para o desenvolvimento. Achamos que a ciência não é despesa nem negociação política, mas investimento, e dos melhores.

Agencia Estado,

12 de maio de 2003 | 16h04

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.