Avaliar resultados é marca dos programas do instituto

Divulgar a avaliação de um programa social não é fato comum no Brasil. A presidente do Instituto Ayrton Senna, Viviane Senna, comemora os bons resultados do Programa Educação pelo Esporte mas lembra que é mais importante o fato de saber se os poucos recursos disponíveis no País estão sendo aplicados de forma eficiente e, principalmente, saber se a experiência pode ser multiplicada. Nesta quinta-feira, em Brasília, Viviane assina com o Ministério do Esporte um protocolo de intenções para ajudar o governo federal a replicar projetos como o da USP.?A avaliação tem de estar no DNA do projeto social, porque é a condição para saber se ele funciona e se pode ser aplicado em larga escala?, diz ela. ?E no Brasil temos o desafio de equacionar a quantidade com a qualidade, temos o País inteiro para incluir nas políticas públicas, precisamos garantir qualidade em larga escala.? Segundo Viviane, por falta de aferição de resultados concretos, grande parte dos programas sociais brasileiros acabam se mostrando inadequados ?no atacado? e desperdiçando dinheiro.Entre os prejuízos com a ineficácia, Viviane cita um especial: ?o tempo que tomamos das crianças sem que isso represente avanços concretos para elas?. Segundo a presidente do instituto, programas que envolvem crianças devem ser especialmente testados para comprovar seus benefícios, e só então ser multiplicados. ?Estamos habituados a fazer coisas boas em escala reduzida, mas é como a educação de qualidade que a elite tinha: quando universalizamos a educação, a qualidade caiu.?Viviane vê dois vícios brasileiros que impedem uma prática de avaliação e cobrança objetiva dos programas sociais. O primeiro é resistência à idéia de avaliar. ?As pessoas não querem gastar com avaliação porque acham que estarão tirando recursos que seriam usados no próprio programa?, aponta. O problema é que, sem estes dados, os programas saem do foco e dos objetivos, e consomem inutilmente grande parte dos recursos. O outro vício é o da cultura assistencial. ?Por 450 anos a cultura assistencial predominou, com a idéia de que os programas sociais não são direito das pessoas, mas fruto da bondade de poucos, e aí vale o ditado ?de cavalo dado não se olha os dentes??, afirma.

Agencia Estado,

02 de outubro de 2003 | 00h17

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