Márcio Fernandes/Estadão
Márcio Fernandes/Estadão

Avaliação seriada pode acompanhar aprendizado do aluno para garantir vaga na universidade

Especialistas defendem que essa solução verifica processo de educação. UnB já tem prova no fim de cada ano do médio

Alex Gomes, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2021 | 05h00

Atualmente, os processos seletivos são semelhantes a uma fotografia: captam o momento da vida do estudante. Nos debates sobre como melhorar os exames, uma das propostas dos especialistas é fazê-los mais semelhantes a filmes. Isso significa tornar os vestibulares um registro do processo de aprendizado dos alunos, o que traz foco às provas seriadas.

Já há alguns exemplos da proposta em vigor no País, em instituições como a Universidade de Brasília (UnB), a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), a Universidade Estadual de Maringá (UEM) e a Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Um dos projetos pioneiros é o da UnB. Desde 1995, o Programa de Avaliação Seriada (PAS) tem como objetivo integrar a educação básica à superior. É realizado em três etapas, com uma prova interdisciplinar a cada encerramento de série do médio.

As provas são orientadas por uma matriz de referências estabelecida em objetos de conhecimento. Com referência aos exames entre 2020 e 2022, entre outros, foram abordados temas como o indivíduo, cultura e identidade; número, grandeza e forma; energia, equilíbrio e movimento; e a formação do mundo ocidental. A classificação dos candidatos é feita após a prova da terceira etapa, com base na média ponderada obtida nos resultados dos exames realizados ao fim de cada série. A UnB destina metade das vagas em todos os seus cursos aos aprovados no PAS.

Na federal de Juiz de Fora, o Programa de Ingresso Seletivo Misto (Pism), que vigora desde 2001, é formatado de modo bem semelhante: os candidatos participam de três módulos de avaliação, cada um no fim de cada ano do médio.

Durante o desenvolvimento do Pism, foram considerados fatores como a realização de um levantamento do que era aprendido em cada um dos anos do ensino médio, a suavização do conteúdo do vestibular dividido em três anos e a priorização da comunidade local. O material a ser estudado seria o mesmo do vestibular, porém com um programa mais enxuto e adequado a cada faixa etária na época da avaliação.

Por ser um processo de avaliação seriada, o Pism permite ao candidato aprimorar seu desempenho ao longo das etapas, baseando-se no resultado que recebe a cada módulo concluído. Com isso, ele pode avaliar quais os conteúdos que precisam de uma maior atenção e corrigir as falhas. No exame de 2020, foram 40.126 inscrições, o que representou um aumento de 15% em relação a 2019, com 34.798 candidatos.

Em maio do ano passado, o Ministério da Educação (MEC) divulgou o projeto do Enem Seriado. Previsto para ter início em 2021, o novo formato reuniria avaliações aplicadas na conclusão de cada um dos três anos escolares. Com o fim do ciclo, cada aluno teria uma nota final que poderia ser usada para a entrada no ensino superior e até em programas como o ProUni (que oferece bolsas em universidades privadas) e o Fies (que possibilita o financiamento estudantil).

Quando fez o anúncio, o Inep garantiu que a criação da avaliação não excluiria a edição do Enem tradicional. Após a divulgação da proposta, houve a troca de ministros no MEC – saiu Abraham Weintraub e entrou Milton Ribeiro – e não houve mais atualização sobre a proposta. 

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