"Aumento da oferta de bolsas é bom, mas insuficiente", dizem pesquisadores

O aumento de 9% no número de bolsas de estudo oferecidas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) do Ministério da Ciência e Tecnologia, anunciado nesta segunda-feira pelo porta-voz da presidência, André Singer, deixou a comunidade científica otimista, mas com ressalvas. Eles afirmam que a carência é tão grande e o valor das bolsas está tão defasado que o aumento ainda não cobrirá as necessidades dos pesquisadores. De acordo com informe do CNPq, a ampliação significa a concessão de mais 4.328 bolsas para programas já existentes e mais 10.250 distribuídas em novas modalidades.Segundo Suely Vilela, pró-reitora de pós-graduação da USP, desde 1997 o número de bolsas para pesquisadores vem diminuindo. O número de bolsas concedidas na USP caiu de 9.256 em 2000 para 6.924 em 2002 (cedidas por Fapesp, CNPq e Capes reunidas). Ela alerta que o aumento da oferta minimizará a carência de bolsas de estudo, mas certamente será insuficiente para atender a todos os pesquisadores que têm trabalhos qualificados. "Qualquer liberação de verbas para ciência, pesquisa e ensino é bem vinda", comenta Nestor Schor, pró-reitor de pós-graduação e pesquisa e professor de medicina da Universidade Federal de São Paulo. Mas, apesar de bem-vindo, ele ressalta que o aumento ainda será pequeno diante das necessidades do país. "A produção científica, a formação de recursos humanos, a necessidade de obter patentes, tudo cresceu muito", comenta Schor. Segundo ele, a melhor bolsa do CNPq paga R$ 1.100 reais por mês, uma quantia que não permite fazer uma cobrança do pesquisador como seria desejável. Para Helena Katz, coordenadora do mestrado do programa de comunicação e semiótica da PUC-SP, o anúncio é uma ótima notícia para os pesquisadores: "Há muito tempo não acontece um aumento no número de bolsas, mas ao mesmo tempo aumentou muito a procura", diz Helena. Ela acha que incentivar a pós-graduação é uma estratégia muito eficaz, pois qualifica o topo da pirâmide da educação. "Esses mestres e doutores vão qualificar os professores da graduação, que por sua vez vão permitir a melhoria da educação básica", argumenta.

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