FELIPE RAU/ESTADÃO
FELIPE RAU/ESTADÃO

Aumenta número de cursos sobre crise financeira

Momento do País virou oportunidade de especialização em recuperação judicial

Ocimara Balmant, ESPECIAL PARA O ESTADO

30 Novembro 2018 | 03h00

SÃO PAULO - O que fazer quando os índices ruins da economia fazem com que as empresas tenham de se reestruturar ou até mesmo pedir recuperação judicial? Muita gente vê nesse cenário uma chance de mercado: tem crescido no Brasil tanto a oferta como a procura por cursos que formam profissionais para atuar em companhias com dificuldade financeira.

“Há dez anos havia uma grande quantidade de cursos que abordavam a abertura de capital, porque era uma época com muitas aquisições de empresas, trocas de comandos acionários. Agora, o foco está na crise e, logo, no modo de sobreviver a ela”, explica Marcus Elidius, professor do curso Recuperação Judicial de Empresas e Falência oferecido pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)

Só na capital paulista, além da PUC-SP, instituições tradicionais como a Fundação Getulio Vargas (FGV), o Insper, e a Fundação Instituto de Administração (FIA) oferecem cursos de curta e média duração com foco na reestruturação e na recuperação judicial de empresas. O público-alvo abrange advogados, administradores, contadores e, algumas vezes, os próprios empresários.

Aos 33 anos, a advogada tributarista Carolina Christiano acabou de finalizar o mestrado em Direito Societário nos Estados Unidos. De volta ao Brasil, ela mapeou o mercado e decidiu se matricular no curso Recuperação Judicial de Empresas, oferecido pelo Insper.

O objetivo de Carolina é atuar como consultora. “Na última aula, vimos como funciona uma assembleia de credores e agora teremos uma aula prática de como preparar essa assembleia. É um aprendizado muito focado.”

Durante 24 horas, Carolina e outros 30 profissionais devem aprender a lidar com todo o processo de recuperação judicial, desde a fase de identificação da crise até a negociação e aprovação do plano de retomada em assembleia de credores. Tudo isso a partir de bases legais e de instrumentos jurídico-financeiros necessários para a condução e acompanhamento de cada etapa do processo. 

“Nós buscamos as teorias discutidas no Judiciário para municiar o profissional com conhecimentos de direito societário e tributário, muito importantes para esse segmento”, afirma Rodrigo Rebouças, coordenador do curso de Direito do Insper. Nos últimos meses, explica o acadêmico, o tema entrou em destaque após empresas conhecidas entrarem com pedidos de recuperação judicial – principalmente aquelas ligadas ao mercado editorial. 

Mas a situação é ainda mais crítica se considerado a quantidade de indústrias de pequeno porte que não consegue se sustentar. “Se um fornecedor de autopeças que faz dois componentes para a indústria automotiva pede recuperação judicial, não ganha destaque na mídia. Mas tem sido um tipo de ocorrência corriqueira e que demanda gente especializada no assunto”, explica Rebouças. 

Judiciário

E as oportunidades se estendem a outras áreas. Além de consultorias às empresas, os profissionais com conhecimento em processos de recuperação judicial também podem ser requisitados diretamente pelos magistrados. 

“Para cada caso de recuperação judicial, o juiz nomeia um administrador: uma pessoa externa que tem a função de fiscalizar o plano de recuperação judicial. O curso qualifica para essa função”, explica Marcus Elidius, da PUC-SP.

Reestruturação tem foco em gestão empresarial

Se quem procura os cursos de recuperação judicial vai ter um aprendizado focado em legislação, os interessados em atuar em reestruturação empresarial irão ter acesso a conteúdos voltados à gestão empresarial.

“O profissional que estuda reestruturação empresarial sai apto a identificar os pontos que levaram uma companhia a essa situação de instabilidade e a sugerir como sanar o problema”, afirma Celso Grisi, professor da FIA. A instituição oferece há quatro anos o curso Recuperação de Empresas: Turnaround para restabelecer o valor da empresa, centrado em elementos para conduzir uma recuperação financeira da empresa na maior velocidade possível. 

Na FGV, o curso Turnaround Management – Reestruturação de Empresas já formou três turmas desde que foi criado, em 2015. “Falta disseminar ao mercado conhecimentos sobre como gerir as empresas nessa situação”, afirma Pedro Guizzo, coordenador do curso que já formou cerca de 50 profissionais, dentre advogados, consultores e empresários. 

Um dos egressos é Marco Cardoso, gestor de Tecnologia da Informação em uma empresa farmacêutica e de cosméticos. Ele decidiu estudar o tema antes mesmo que a companhia desse sinais de dificuldade. “Foi uma forma até de evitar que a empresa precisasse de consultores externos.

Cursos

- Insper 

Curso: Recuperação Judicial de Empresas

Carga horária: 24 horas

Valor: R$ 4.950,00 (integral)

- FIA 

Curso: Recuperação de Empresas: Turnaround para restabelecer o valor da empresa

Carga horária: 24 horas

Valor: R$ 2.500,00

- FGV

Curso: Turnaround Management – Reestruturação de Empresas

Carga Horária: 40 horas / 3 meses

Valor: R$ 5.321,47, até 15/02/2019

- PUC-SP

Curso: Recuperação Judicial de Empresas e Falência

Carga Horária: 48 horas

Valor: não disponível

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