Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Aulas para alunos do 3º ano voltam devagar e com muitas dúvidas no Rio

Muitos estão preocupados com o Exame Nacional do Ensino Médio, marcado para janeiro

Caio Sartori e Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2020 | 16h33

RIO - O primeiro dia de retorno às aulas presenciais na rede pública fluminense desde o início da pandemia de covid-19 foi tímido e marcado por incertezas. Autorizada apenas para alunos do 3º ano do Ensino Médio ou que estejam no último ciclo da Educação para Jovens e Adultos (EJA), a volta levou apenas parte dos alunos às escolas. A reabertura atraiu sobretudo interessados no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), marcado para janeiro. No início da noite, o governo anunciou uma redução no número de escolas reabertas.

No Colégio Estadual Amaro Cavalcanti, no Largo do Machado, na zona sul da capital fluminense, o clima entre os alunos era de dúvidas. Muitos estavam ali sem saber se teriam ou não aula. Entre as principais reclamações dos estudantes, estavam a dificuldade de acesso ao sistema de classes online e a principal consequência disso: o despreparo para as provas do Enem.

“Com que base eu vou fazer (o Enem)?”, questionou Matheus de Feitosa, de 18 anos. “Eu tento entrar na plataforma, mas dá ‘login inválido’, e não conseguem resolver.”

Eduardo Vasconcelos, de 17 anos, que quer cursar Psicologia no ensino superior, também criticou o sistema. Ele afirmou que é preciso tentar entrar várias vezes até conseguir o acesso. “

"De tanto insistir, uma hora vai”, disse.

Professora de matemática no mesmo colégio, Sanny Gutemberg, de 43 anos, afirmou que a pandemia e a necessidade de aula online escancarou desigualdades entre as redes pública e privada, principalmente por causa das diferentes condições tecnológicas de cada aluno.

“A plataforma às vezes ficava muito pesada, não abria. Tivemos poucos acessos online. Os alunos da rede pública foram os que mais se prejudicaram nessa pandemia”, declarou.

Ainda assim, a abertura para atividades presenciais foi  parcial em todo Estado. Atingiu, neste primeiro dia, apenas 416 escolas de 16 municípios. Nas outras 76 cidades, a retomada não foi autorizada pelas prefeituras ou seguiu  vetada,  por ficarem em áreas com risco alto de transmissão do coronavírus.

No início da noite desta segunda-feira, 19, o governo do Rio informou por nota uma redução no número de escolas reabertas A partir desta terça-feira, estão suspensas as aulas presenciais em Macaé, São Francisco de Itabapoana e Carapebus. As cidades ficam na Região Norte Fluminense, que nesta segunda-feira passou para a bandeira laranja (risco moderado) de contágio da Covid-19. 

Com essa mudança, a retomada das atividades continua esta semana em 13 municípios: Casimiro de Abreu, Duque de Caxias, Italva; Itatiaia, Mesquita, Miracema, Natividade, Nilópolis, Niterói, Piraí, Rio de Janeiro, São Pedro da Aldeia e Seropédica. Nos demais, as atividades serão remotas. Mesmo sem aulas presenciais, todas as escolas da rede distribuirão o material didático e o kit alimentação.

A partir desta terça, serão 397 escolas estaduais com aulas presenciais em todo o Rio, com 60,8 mil alunos. Nos municípios que retomarão atividades, 24 escolas não iniciarão suas aulas presenciais, porque suas equipes de direção declararam fazer parte do grupo de risco da covid.

A Secretaria Estadual de Educação não divulgou balanço do primeiro dia. Em relação à progressão ninguém será afetado. Na quarta-feira passada, o secretário estadual de Educação, Comte Bittencourt, assinou resolução determinando que nenhum aluno da rede estadual será reprovado neste ano - a não ser que fique caracterizado abandono escolar.

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