Aulas de idiomas sem sair de casa

Professores particulares e empresas adotam ferramentas como Skype para ensinar línguas

Mônica Pestana, JORNAL DA TARDE

06 Dezembro 2010 | 12h13

Agenda lotada e falta de tempo não são mais desculpas para quem quer aprender outro idioma. Aulas a distância feitas pelo Skype e MSN são um segmento que vem crescendo e permite a montagem de um horário que se molde à vida de cada aluno. Os custos são semelhantes aos de aulas particulares.

 

Depois de um dia de trabalho e de encarar o curso noturno de Ciências Contábeis, André Chaves, de 25 anos, e Analice Chaves, 26, chegam em casa e logo ligam o computador. É o início da aula de inglês online, agendada para as 23h10.

 

“Começamos em agosto. Não sabia nada. A questão é a praticidade. Marco o melhor horário para mim, já que o meu dia é cheio”, diz o estudante.

 

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A gerente de vendas Suamy Ranieri, de 42 anos, também faz aulas utilizando Skype, mas não é iniciante. Ela estuda inglês há quatro anos e, com a carga trabalho cada vez maior, chegou a pensar que teria de interromper o curso. “Para minha surpresa, achei que com o Skype tive o mesmo desempenho do que no presencial.”

 

Mas a técnica de ensino online não é tão nova assim. Trabalhando há seis anos somente com cursos realizados pela internet, Maria Tereza Guimarães, dona da escola Talk Show, na zona sul, explica que a procura maior dos adultos é pelas aulas particulares. “São pessoas que têm dificuldade de se enquadrar em um sistema tradicional”, explica. A conveniência de poder montar o horário das aulas é, segundo ela, um grande atrativo. “Se você viaja não perde aula. O pré-requisito é que a internet seja boa para a conexão não ficar falhando”, destaca.

 

Professora de inglês há 40 anos, Leila Mara Forte Bedaque, de 58, começou a trabalhar com aulas utilizando Skype há um ano. “Foi sugestão de um aluno que tinha uma agenda cheia e não queria parar o curso.” Leila diz que no começo resistiu à técnica, por achar que não saberia lidar com a ferramenta.“Tenho alunos com idades de 19 a 50 anos e funciona muito bem, mas tem de ter um computador legal e uma boa conexão.”

 

O perfil dos estudantes mudou, segundo a professora. No início das aulas online o público alvo era a classe dos executivos. “Percebo que esse perfil está mudando e hoje é mais amplo. É uma questão de praticidade para quem faz a aula em casa ou no trabalho”, avalia.

 

O professor de letras modernas Lynn Mario Trindade Menezes de Souza, da USP,lembra que na atualidade é difícil estabelecer categoricamente qual a técnica de ensino funciona melhor. “Não estamos mais em um paradigma de um método perfeito, mas sim no paradigma da complexidade. Tem potencialidade para funcionar, mas depende de uma série de fatores”, opina.

 

Para Lynn, o conceito de língua mudou. “Antes a interpretávamos como um conjunto de estruturas gramaticais. Hoje, os jovens não precisam aprender as regras e vão direto para o prática da conversação”, afirma.

 

O professor considera ainda que os pontos positivos de um curso online estão na sua potencialidade. “Nós precisamos sempre usar as tecnologias novas para ajudar no processo pedagógico, mas temos que fazer isso com cuidado.” Para ele, o curso híbrido – que mescla aulas presenciais e aulas a distância – permite que a variação de experiências seja avaliada. “É possível ter uma ideia do que funciona melhor para cada tipo de aluno.” / COLABOROU ÍSIS BRUM

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