Aula, debate e assembleias marcam o segundo dia de ocupação da reitoria da USP

Cerca de 150 servidores passaram a noite no prédio, diz sindicato

Carlos Lordelo, Estadão.edu

09 Junho 2010 | 14h18

Aula do sociólogo Francisco de Oliveira na reitoria ocupada: 'Rodas deveria renunciar'

 

Aula, debate e assembleias marcam o segundo dia da ocupação da reitoria da universidade de São Paulo (USP) por servidores e alunos. Na tarde desta quarta-feira, o professor aposentado de Ciências Sociais da USP Francisco de Oliveira ministrou aula dentro do prédio. No fim da tarde, uma mesa redonda convocada pela Asssociação de Docentes da USP vai debater a atual ocupação e também a ocorrida no ano passado, quando a Polícia Militar entrou em choque com estudantes.

 

 

A aula na reitoria da Universidade de São Paulo (USP) ministrada pelo professor aposentado Francisco de Oliveira para 30 alunos da pós-graduação de Ciências Sociais começou por volta do meio-dia e teve uma hora e meia de duração, entre explanação e debate. A aula - que encerrou a disciplina “Capitalismo globalitário, neoliberalismo e periferia: Uma sociologia da crise” - também contou com a presença de integrantes do Diretório Central dos Estudantes (DCE) e de cerca de dez servidores grevistas. O local escolhido foi a sala de quadros da reitoria, mesmo lugar onde foi dada a aula do professor da ECA Luiz Renato Martins, na terça-feira, 8.

 

 

 “A aula foi um ato simbólico, e lamento muito a falta de posição dos docentes e dos alunos, que deveriam se juntar à manifestação. Isso isola os funcionários”, disse o professor Oliveira, que é a favor da renúncia do reitor João Grandino Rodas, ao qual chamou de “pequenino”. "O reitor praticou atos inconstitucionais ao ter cortado o salário dos funcionários. O Rodas deveria renunciar, fazer esse gesto de grandeza. Ninguém gosta dele”, afirmou.

 

 

Além dos temas relacionados à greve, os estudantes discutiram sobre discriminação de classes, privatização do ensino e a real necessidade de um exame vestibular para ingressar no ensino superior.  “Essa aula demonstra a necessidade de participação de professores e alunos como base de luta pela manutenção dos pilares da universidade pública”, disse o estudante de pós-graduação em Ciências Sociais Gustavo Seferian, de 24 anos. Ao final da aula, o professor Oliveira convidou os alunos para participar da assembleia do Sintusp, que ainda está em andamento no prédio da reitoria.

 

 

A mesa redonda para debater a ocupação começa às 17 horas, com a presença do professores Fabio Konder Comparato, da Faculdade de Direito da USP, e Maria Victória Benevides, da Faculdade de Educação. O evento está marcado para o prédio da Física, mas os trabalhadores querem transferi-lo para a reitoria. O DCE convocou, para depois do debate, uma assembleia de estudantes para debater a participação na ocupação. "A proposta é discutir com estudantes o que está acontecendo na universiddade. A direção do DCE não decide o rumo, tem de vir dos próprios estudantes", disse Daniel Ribeiro, de 21 anos, aluno de Ciências Sociais e membro do diretório.

 

 

Cerca 150 servidores e alunos passaram a noite no prédio, segundo o Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp). A ocupação ocorreu na manhã de terça-feira, pelos fundos do prédio, em protesto ao corte de salário de mil funcionários. A categoria está em greve desde o dia 5 de maio.

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