WERTHER SANTANA/ ESTADÃO
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Aula aberta na rua marca retorno improvisado da USP Leste

Depois de três adiamentos, aulas começaram em universidade particular; câmpus Leste da USP permanece interditado

Marina Azaredo, O Estado de S. Paulo

31 Março 2014 | 10h24

Atualizada às 20h58

SÃO PAULO - Uma aula aberta, realizada na entrada da Universidade Cidade de São Paulo (Unicid), no Tatuapé, na zona leste da capital, marcou a volta às aulas dos alunos da USP Leste fora do câmpus nesta segunda-feira, 31. O câmpus Leste da USP permanece interditado por problemas ambientais. Professores, funcionários e alunos criticam o plano encontrado pela universidade para a retomada das atividades. A possibilidade de greve, no entanto, foi descartada por professores e funcionários. Os alunos fizeram uma assembleia para debater o tema, mas, até as 21 horas, o encontro não havia terminado.

A professora Elizabete Franco Cruz, do curso de Obstetrícia e do mestrado em Mudança Social e Participação Política, comandou a aula aberta, que reuniu mais de cem alunos. "Gostaríamos de permanecer todos juntos na zona leste, porque não tem condições de um aluno demorar três horas para chegar à faculdade. Além disso, não temos bandejão nem laboratórios", disse.

Em outra assembleia à tarde, professores e funcionários decidiram não entrar em greve, mas afirmaram estar mobilizados com a causa dos alunos. "Continuamos insatisfeitos. Vamos enviar carta para a reitoria relatando tudo. As aulas práticas estão comprometidas", disse a professora Michele Schultz.

Para os docentes, o problema de alimentação poderia ser resolvido com a instalação de bandejões nas unidades para as quais os alunos foram deslocados ou com a distribuição de tíquetes-restaurante.

Mas os professores afirmam ser mais complicado resolver a distância do câmpus Butantã, na zona oeste da cidade. "Mesmo se tivesse transporte, muitos alunos não conseguiriam chegar em casa à noite", aponta Elizabete.

Estão na Unicid alunos de cursos matutinos. A preocupação maior ainda é com as graduações noturnas, que ficaram espalhadas entre uma Faculdade de Tecnologia (Fatec) da zona leste e prédios no Butantã.

Insatisfação. A aluna Karine Lopes da Silva, de 20 anos, do 3.º semestre do curso de Têxtil e Moda, terá de fazer aulas no Butantã. Moradora do Itaim Paulista, na zona leste, ela disse que demora três horas para atravessar a cidade. "Parece que o sonho acabou, o sonho de ter uma faculdade perto de casa com ensino de qualidade."

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