NNILTON FUKUDA/ESTADÃO
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Audiência de conciliação da greve da USP termina sem acordo

Em greve há 57 dias, trabalhadores tiveram descontados dos salários os dias parados nos pagamentos de junho e julho

Isabela Palhares, O Estado de S. Paulo

07 Julho 2016 | 18h33

SÃO PAULO -  Terminou sem acordo a primeira audiência de conciliação que tratava sobre o corte de salário e o reajuste salarial dos servidores grevistas da Universidade de São Paulo na tarde desta quinta-feira, 7. O Sindicato dos Trabalhadores da Usp (Sintusp) não aceitou a proposta da instituição que tratava apenas do fim imediato da greve e a compensação e devolução de apenas dez dias do pagamento descontado.

"A universidade não fez nenhuma proposta sobre nenhum dos ítens reivindicados. A única proposta foi a de que os trabalhadores compensem dez dias e eles [a universidade] descontam o restante. É terrível, é inviável e previsível que os trabalhadores não aceitassem isso", disse o desembargador Wilson Fernandes, vice-presidente judicial do Tribunal Regional do Trabalho e mediador do encontro. Uma nova audiência foi marcada para a próxima terça-feira, 12. 

Em greve há 57 dias, os trabalhadores tiveram descontados dos salários os dias parados nos pagamentos dos meses de junho e julho. Para Magno de Carvalho, diretor do Sintusp, a medida foi uma tentativa da universidade de intimidar o movimento grevista. Ele também criticou a postura da instituição de não negociar nenhuma das pautas. 

O sindicato exigia, além do retorno do pagamento, a discussão de outros temas, como reajuste salarial de 12,34% e contratação imediata de funcionários. A proposta de reajuste de 3%,  apresentada pela USP em maio, foi rejeitada pela categoria. As demais pautas de reivindicação não foram tratadas pela instituição. 

Diante da falta de acordo, o caso deve seguir para julgamento do TRT. A próxima audiência deve discutir apenas a devolução dos salários descontados dos grevistas. 

Durante a audiência, funcionários e alunos da USP protestaram em frente ao tribunal.

Thiago Rodrigues Liporaci, chefe de gabinete da reitoria, disse que a proposta de devolução dos salários cortados era o que a instituição tinha "disposição" neste momento para negociar. Mas afirmou que a nova reunião permitirá que a USP estude o "impacto financeiro imediato dessa medida" e tente avançar na proposta. 

Sobre uma nova proposta de reajuste salarial, Liporaci disse ser "impossível". "Nossa grande preocupação nesse momento é que em 2017 ou 2018, se as condições [financeiras] não melhorarem, nós termos dificuldade até mesmo de pagar os salários em dia. É uma medida de precaução para todos os funcionários", disse. 

Pautas. Entre as outras reivindicações do sindicato estão a melhora na qualidade da educação e do Hospital Universitário (HU), que teve um recuo no número de atendimentos à população em função da demissão de profissionais. Eles também defendem a reabertura de vagas nas creches universitárias e defendem que o sindicato mantenha sua sede - a universidade pediu que o Sintusp devolvesse o imóvel. 

De acordo com Liporaci, essas pautas sobre a situação dos serviços da USP não serão negociadas porque "não se restringem aos interesses dos servidores técnico-administrativos". 

Sobre a sede do sindicato, disse que a universidade precisa do espaço para atividades acadêmicas e de pesquisa, uma vez que prédios que estavam planejados para serem construídos para essas funções tiveram as obras paralisadas em função da crise financeira da instituição. "As entidades não têm direito a ter um pedaço de um imóvel público, ninguém tem direito a um pedaço da Cidade Universitária", disse Liporaci. 

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