Tyler Hicks/NYT-9/7/2011
Tyler Hicks/NYT-9/7/2011

Atualidades na Fuvest: Sudão do Sul

Novo país conquistou independência após 50 anos de guerras e já nasceu como uma das nações mais miseráveis do planeta

Carlos Lordelo, Estadão.edu

25 Outubro 2011 | 01h36

O mundo ganhou um novo país este ano. O Sudão do Sul, na África, conquistou a independência do Sudão em julho, depois de 50 anos de conflitos que deixaram 2 milhões de mortos. Já nasceu como uma das nações mais miseráveis do planeta e com uma série de questões para resolver internamente e com o vizinho do norte.

 

O novo país tem 9 milhões de habitantes, entre cristãos e animistas. Segundo relatório da organização de vigilância Global Witness em Londres, 90% dos sudaneses do sul vivem com menos de US$ 1 por dia. O Estado tem a mais alta taxa de mortalidade materna do mundo, e 1 a cada 8 crianças morrem antes de completar 5 anos.

 

Carente de condições básicas e de infraestrutura, o Sudão do Sul, no entanto, é rico em petróleo. Mas o “ouro negro” precisa ser levado para refinarias no Sudão, de onde o produto é escoado pelo Mar Vermelho, graças a dois imensos oleodutos. Os países dividem as receitas.

 

Os conflitos entre os árabes muçulmanos do norte e os negros do sul começaram em 1956, um ano antes da independência do Sudão em relação ao Reino Unido. Houve combates intensos em torno de terras e recursos naturais. A última guerra terminou em 2005, com a assinatura de um acordo de paz que previa a realização de um referendo em janeiro de 2011, para que os sudaneses do sul decidissem ou não pela separação. Quase todos votaram a favor da criação de um novo Estado. No Sudão, mais populoso e com o triplo da área, ficaram 31 milhões de habitantes.

 

Em reportagem publicada em abril, o jornalista Lourival Sant’Anna, enviado especial do Estado aos dois países, conversou com vários sudaneses sobre a separação. Os habitantes do norte sentiam-se rejeitados e prejudicados; os do sul, aliviados e otimistas.

 

Os EUA se dizem preparados para ajudar os dois países e exigiram que eles acertem o fim das hostilidades na fronteira – que ainda não tem limites bem demarcados. Em artigo publicado em julho no jornal The Washington Post, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, pediu a retomada das negociações e deixou dois recados. Ao Sudão do Sul, para que construa um “governo democrático, que respeite os direitos humanos e forneça serviços com transparência e responsabilidade”. E ao Sudão, para que “ponha fim a seu isolamento na comunidade internacional” e atue com mais afinco para resolver a crise humanitária e de segurança em Darfur, no oeste do país.

 

NA FUVEST: Guerra civil

 

O país nasceu após 50 anos de guerra civil, envolvendo a disputa por petróleo

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