Tiago Queiroz/AE-14/5/2011
Tiago Queiroz/AE-14/5/2011

Atualidades na Fuvest: Redes sociais e os jovens na política

Protestos ao redor do mundo são convocados por jovens insatisfeitos por meio de redes sociais

Carlos Lordelo, Estadão.edu

25 Outubro 2011 | 01h58

O que o movimento Ocupe Wall Street, as marchas na Avenida Paulista e os protestos na Praça Tahrir, no Egito, têm em comum? Essencialmente, os atos foram convocados por jovens insatisfeitos com seus países, que usaram como arma de mobilização as redes sociais. Embora diferentes, as reivindicações ganharam eco na internet antes de invadir as ruas.

 

Para Alexandre Matias, editor do Link, caderno de cultura digital do Estado, a combinação entre redes sociais e mídias digitais, como o celular, possibilitou a esses movimentos alcançarem projeção além dos locais onde ocorreram. “Isso não seria possível há 5 anos”, diz. E ele chama a atenção dos vestibulandos para a declaração da ONU, feita este ano, de que o acesso à internet é um direito humano básico e que desconectar indivíduos da web vai contra a lei internacional.

 

Foi justamente o que fez o então presidente do Egito, Hosni Mubarak, em 28 de janeiro. Após três dias consecutivos de protestos na Praça Tahrir, no Cairo, convocados por Twitter e Facebook, o governo desconectou o país inteiro da internet. Pelo menos 93% das redes egípcias ficaram fora do ar, deixando 23 milhões de usuários sem acesso à internet. O bloqueio durou cinco dias e deixou os manifestantes ainda mais enfurecidos. Mubarak caiu em fevereiro.

 

Segundo Matias, a internet foi ainda mais importante na mobilização de jovens espanhóis da geração ni trabaja, ni estudia. Eles se concentraram em Barcelona para reclamar da grave crise financeira que assola o país e da falta de perspectivas na geração de empregos. Em Londres, a população também usou as redes sociais para convocar atos de vandalismo em protesto contra o corte de benefícios sociais. O primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, cogitou restringir o BBM, aplicativo de mensagens instantâneas dos celulares BlackBerry.

 

Nos EUA, desde meados de setembro, o grupo Ocupe Wall Street reúne um número cada vez maior de pessoas para criticar o desemprego, a crise econômica e o auxílio do governo às grandes corporações. Os primeiros atos foram em Nova York, mas depois se espalharam por dezenas de cidades norte-americanas. E também chegaram a outros países no último dia 15, data batizada pelo grupo de “dia global de ação”. Aqui no Brasil, os manifestantes se concentraram no Largo São Bento, na região central de São Paulo.

 

 

Os jovens da capital paulista, aliás, estão ficando experts em fazer protestos. Neste ano já houve marchas para defender várias causas, da liberação da maconha até contra a corrupção e a homofobia. As passeatas geralmente saem do vão livre do Masp, na Avenida Paulista. Mas reúnem poucos milhares de manifestantes. “Ainda estamos na infância desse tipo de protesto”, afirma Matias. Para ele, isso tem a ver com o desconhecimento das pessoas das possibilidades que a internet oferece. “Algumas manifestações ficam restritas à rede. Mas estamos numa fase de transição que mostra o início da formação de uma consciência cidadã.”

 

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