Daniel Teixeira/AE
Daniel Teixeira/AE

Ativistas dizem ter assinaturas para levar debate de cotas a conselho da USP

Instituição não adota sistema de cotas ou mesmo bonificação para negros no vestibular

Cristiane Nascimento, especial para Estadão.edu,

20 Junho 2012 | 19h18

Na tarde desta quarta-feira, 20, um grupo formado por estudantes da USP e representantes de movimentos sociais se reuniu em frente à reitoria da insituição para pedir a implementação das cotas raciais como recurso de acesso à universidade. O ato antecedeu uma reunião do Conselho Universitário (CO), agenda para as 14 horas. Segundo os estudantes, o tema deverá ser incluído na pauta da próxima sessão ordinária, já que ao menos 20% dos conselheiros subscreveram um abaixo-assinado que defendia a discussão do assunto - o recurso está previsto no regimento da instituição. O documento deve ser agora analisado pela USP para a confirmação de cada uma das assinaturas.

Segundo Leandro Salvático, representante discente da Pós-Graduação no CO e membro do Núcleo de Consciência Negra da USP, no dia 6 de junho, a Frente Pró-Cotas Raciais de São Paulo protocolou um ofício solicitando a inclusão do tema em pauta. Na semana anterior, a Congregação da Faculdade de Direito do Largo São Francisco já havia aprovado uma recomendação para que o CO adotasse as cotas raciais.Os pedidos, no entanto, foram ignorados pela reitoria.

Procurada pelo Estadão.edu, a assessoria da universidade limitou-se a dizer que o assunto já foi discutido pelo CO em uma sessão temática em 2010 e que a sessão deveria se repetir em algum momento. "Nessa reunião de 2010 nada foi decidido", diz Leandro. Segundo o estudante, na ocasião, o tema foi debatido apenas por algumas pessoas, sem que houvesse qualquer resolução a respeito. "Queremos que a questão das cotas raciais seja discutida em uma sessão ordinária, para que seja votada e, enfim, implementada."

A USP não adota sistema de cotas ou mesmo bonificação para negros no vestibular. A universidade mantém apenas um programa de inclusão para estudantes da rede pública e o considera satisfatório. Mesmo após o Supremo Tribunal Federal (STF) decidir pela legalidade das cotas, fortalecendo o debate do tema, a USP não cogitou discutir o tema.

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