DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO
DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO

Atividades na quadra substituem aulas e provas durante greve

‘Estado’ visitou dez escolas estaduais nas zonas norte e leste de São Paulo; apenas três não foram afetadas pela greve

Isabela Palhares e Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

06 Maio 2015 | 03h00

SÃO PAULO - Após 53 dias de greve de professores da rede estadual paulista, parte dos alunos tem enfrentado rotina de aulas substituídas por atividades esportivas, atraso nos conteúdos e cancelamento de provas. Estudantes foram até informados de que não receberiam falta, caso não fossem à escola. 

O Estado visitou dez escolas estaduais nas zonas norte e leste da capital, na última semana. Em sete unidades a adesão dos professores é parcial e tem diminuído. Só três colégios não foram prejudicados pela greve.

Na Escola Estadual Cônego João Ligabue, na Vila Gustavo, zona norte, funcionários relataram que houve paralisação de até 50% do efetivo no primeiro mês. Como não havia substitutos para todas as salas, algumas turmas chegaram a ser “unidas” e muitos estudantes eram levados para as quadras.

O estudante Eduardo Queiroga, de 16 anos, aluno do 2.º ano do ensino médio, disse que já chegou a ter até três aulas vagas em um só dia. “Teve uma semana em que três professores meus estavam em greve. Todo mundo ficava na quadra.”

Na Escola Sapopemba, no Jardim Sapopemba, zona leste, onde mais da metade dos professores está em greve, segundo funcionários, os alunos também estão sem aula. Mariza Eleutéria da Silva, de 36 anos, disse que há um mês o filho que está no 2.º ano do ensino médio tem apenas uma aula no dia e depois fica sem nada para fazer. “Os alunos ficam sozinhos em sala, só fazendo bagunça”, disse. 

Com a maioria dos professores do período da noite em greve, segundo servidores, a Escola Maestro Brenno Rossi, na zona leste, decidiu juntar as turmas da noite. Sem atividades programadas, estudantes da Escola Arnaldo Barreto, no Tremembé, zona norte, andam de bicicleta, ouvem música e conversam na frente do colégio. “Está faltando professor de História e de Inglês”, disse Jhoi Alves Santos, de 15 anos, estudante do 7.º ano do ensino fundamental. 

Há também unidades que não aderiram à paralisação ou não foram afetadas. Nas Escolas Walter Belian, no Jardim Santa Adelia, e Alfredo Machado Pedrosa, em São Mateus, ambas na zona leste, a baixa adesão de professores à greve não interferiu nas aulas. Já a Escola Estadual Alberto Cardozo de Melo Neto não aderiu à greve e só paralisou por um dia.


Falta aluno. Na Escola República da Nicarágua, na Fazenda da Juta, zona leste, os alunos foram informados há mais de um mês que, caso não frequentem as aulas, não receberão falta. “Não tinha professor para dar aula. Por isso, minha filha parou de vir”, disse Roberto Cordeiro, de 61 anos, pai de uma aluna do 6.º ano. Mesmo com substitutos, estudantes preferem nem ir à aula na Escola Estadual Albino Cezar, na Vila Mazzei. 

A Secretaria Estadual de Educação ressaltou, em nota, que 95% dos professores estiveram presentes em todas as 5 mil escolas da rede na última semana. Apesar de a reportagem ter questionado professores e alunos sobre todo o mês da greve, a pasta aponta que as ausências observadas podem ser “por motivos de saúde”. 

Mais conteúdo sobre:
Greve de professoresSão Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.