CLAYTON DE SOUZA | ESTADÃO
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Atividades em escolas envolvem até alunos da educação infantil

Colégios trabalham em projetos coletivos; para a pesquisadora da USP Silvia Collelo, é essencial que haja troca de experiências

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S.Paulo

09 Novembro 2015 | 03h00

SÃO PAULO - A proposta de integrar turmas de idades diferentes nas atividades educativas envolve até mesmo a educação infantil. No colégio Oswald de Andrade, na Vila Madalena, zona oeste da capital, foi criado neste ano o projeto Rede, que reúne nas mesmas atividades alunos de 5 a 9 anos (estes do fundamental I).

Ao longo do ano, professores do colégio sugerem temas diversos para que se transformem em projetos coletivos. A prática está além da aula – os encontros entre os pequenos ocorrem somente às quintas e sextas-feiras.

“Quando você reúne um grupo com essa abrangência, há crianças em vários patamares e níveis de aprendizados diferentes. Quando eles se juntam, precisam oferecer a habilidade que têm ao colega, cada um tem uma função diferente no grupo e eles negociam o tempo todo. É uma experiência muito rica”, explica a diretora pedagógica do Oswald de Andrade, Maria Antonieta Giovedi.

Tales Florentino, de 8 anos, participou de um experimento científico para aprender sobre bactérias e doenças no corpo humano. “Colocamos um cotonete em algumas partes do corpo e depois jogamos em uma gelatina para ver essas bactérias. Foi bem interessante”, conta ele.

O aluno ficou tímido no começo, por causa dos colegas mais velhos, mas só por um tempo: “É legal aprender com eles, ensinar, fazer novas amizades”.

Julia Costa, de 6 anos, participa de um estudo sobre a vida das cobras. “Vamos falar de uma cobra azul que tem um veneno muito perigoso. Quem é picado já tem de tomar o antídoto na mesma hora”, conta. “É muito legal trabalhar com professores que não são os nossos do dia a dia”, diz.

Para o especialista em Educação da Universidade de São Paulo (USP) Ocimar Alavarse, atividades paralelas ao ensino tradicional podem ser positivas, mas precisam de um projeto pedagógico específico. “Sabe-se que a interação é mais uma ajuda do que um obstáculo para a aprendizagem. Mas é preciso ter uma proposta pedagógica”, avalia.

Silvia Collelo, também da USP, diz que é importante que haja troca de experiências. “Não pode ser algo unilateral, em que só os mais velhos atuam sobre os mais novos. Se você coloca na mesma sala crianças de níveis muito diferentes, o perigo é prevalecer a lei do mais forte”, diz.

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