Atividades culturais também ajudam no vestibular

Ir ao cinema, assistir a uma peça, ficar horas ouvindo música ou reunir os amigos para ver um vídeo pode parecer perda de tempo para muitos estudantes que, às vésperas do vestibular, se esquecem do lazer e só querem saber das apostilas. Mas os momentos de distração também podem ser uma boa fonte de aprendizagem. E quem defende a tese são os próprios professores. "Os conhecimentos extras, como aqueles adquiridos em filmes e músicas, são sempre bem-vindos, porque aumentam a vivência dos alunos e os fazem ter uma visão diferente sobre o assunto abordado", afirma o coordenador de História do Curso e Colégio Etapa, Rogério Forastieri da Silva. "As imagens e os sons também ajudam a fixar os conteúdos das aulas e incentivamos os alunos a explorar esse material, porque ele é enriquecedor." Coordenador de atividades culturais do Colégio Bandeirantes, Émerson Bento Pereira concorda e garante que qualquer atividade artística freqüentada pelos estudantes serve para ajudar na sua formação. "Concertos, teatro, dança, cinema, exposições. Tudo é fonte de informação e acaba influenciando positivamente na formação do jovem, até no seu desempenho escolar." Filme e peça servem para avivar a memória A coordenadora de Português do Etapa, Célia Passoni, também aprova o uso desse material complementar, mas alerta: um filme ou uma peça de teatro não podem, nunca, substituir a leitura de uma obra. "Há nuances na escrita que são impossíveis de serem transportadas para as telas ou para os palcos", diz. "E são justamente esses detalhes que acabam sendo cobrados no vestibular. A peça e o filme servem para avivar a memória de quem leu o livro e, dessa forma, são reforços excelentes. Mas não se pode deixar de fazer a leitura." Célia afirma, ainda, que filmes comerciais, sem relação com conteúdos escolares também podem ser bem aproveitados pelos alunos. "Assistindo a esses filmes, o aluno adquire mais vivência, desenvolve a crítica e ganha mais elementos para argumentar em uma redação, por exemplo." Amnésia, de Christopher Nolan, é um desses exemplos. "O filme tem uma técnica de narração bastante interessante, que pode ajudar o vestibulando a desenvolver sua criatividade." Em História, Silva lembra que o vestibular costuma cobrar muito questões ligadas às rupturas, como o Renascimento, que foi uma ruptura intelectual, e grandes revoluções, que são rupturas políticas. "E, para nossa sorte, há filmes excelentes sobre esses assuntos, que servem de rico materal de apoio", diz. "As produções orientais, como as iranianas e as chinesas, por exemplo, nos ajudam a construir um outro olhar sobre aquela cultura, mesmo que abordem temas do cotidiano. E essa formação cultural também ajuda na hora do vestibular." O coordenador só lamenta a ausência de filmes de qualidade sobre a História do Brasil. "É complicado fazer essas indicações porque há muita caricatura", diz. "Mas, em compensação, nossa música nos auxilia na hora de entender os acontecimentos recentes do País. Canções, como as do Chico Buarque, são clássicas referências à ditadura militar." Candidata a uma vaga de Fonoaudiologia, Graziella de Jesus Comenalli, de 19 anos, é uma das que gasta suas horas livres em busca de mais informações. "Ouço muita música em inglês para ir melhorando o meu vocabulário e adoro cinema. Mesmo quando vou para me divertir, acabo aprendendo", conta. "Na semana passada, vi Tempo de Recomeçar e, apesar de não ter nada a ver com vestibular, me fez pensar a relação de pais e filhos e refletir sobre a nossa sociedade. Acho que isso ajuda nos vestibulares que não cobram só decoreba." Graziella também assiste aos filmes e peças indicados pelos professores, como Vidas Secas, o último que viu. "No cursinho, sempre tem alguma seção e gosto de participar porque a gente conhece a história por um outro ponto de vista", diz. "A gente aprende sem perceber e não esquece mais."

Agencia Estado,

24 de setembro de 2002 | 18h46

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