JOSÉ LUIS DA CONCEIÇÃO/AE
JOSÉ LUIS DA CONCEIÇÃO/AE

Estados ricos têm expansão mais lenta de matrículas no tempo integral

Só 8,6% dos alunos de ensino médio paulista estão matriculados no período integral; Estados do Nordeste registram avanço

Isabela Palhares, enviada especial a Goiânia

25 de setembro de 2019 | 05h00

GOIÂNIA - O alto custo da implementação do ensino em tempo integral é apontado como o principal entrave para a expansão da modalidade. Mas os Estados mais ricos são os que mais lentamente ampliam o número de matrículas com a jornada extendida.

São Paulo, Estado mais rico do País, tem apenas 8,6% de seus alunos de ensino médio matriculados no período integral, porcentual mais baixo que a média nacional, de 10,3% para essa etapa.

Os Estados que mais têm avançado na ampliação de matrículas nesse modelo são os do Nordeste. Para essa etapa, dois deles alcançaram ainda no ano passado a meta prevista pelo Plano Nacional de Educação (PNE) para 2024, que é ter 25% dos alunos no tempo integral. Pernambuco já alcançou 49% das matrículas e a Paraíba, 25,1%. Ceará também se destaca com 23,4%.

Entre outros dos Estados mais ricos do País, a situação está ainda mais longe da meta. Minas Gerais e Rio Grande do Sul só tem 3,9% e 3,4%, respectivamente, dos alunos estudando em período integral no ensino médio. “São Estados com menos estudantes nas faixas de maior vulnerabilidade socioeconômica, mas eles ainda estão lá e precisam ser olhados”, diz Ernesto Faria, diretor do Iede.

Promessa de campanha do governador João Doria (PSDB), a expansão das escolas de tempo integral na rede paulista começou neste mês a dar os primeiros passos, com a publicação de uma resolução que garante a expansão do Programa Ensino Integral. A primeira fase é a consulta e inscrição das unidades interessadas em aderir ao modelo. Segundo Caetano Siqueira, coordenador da coordenadoria pedagógica da Secretaria Estadual de Educação paulista, a expectativa é expandir para mais cem escolas - hoje, são 417. O valor a ser investido não foi informado.

“A prioridade será dada para as escolas com índice de vulnerabilidade mais alto. Nós ainda temos muito chão para alcançar a meta de 50% das escolas, por isso, vamos priorizar quem está em situação socioeconômica mais vulnerável”, diz. Outra ação que a secretaria defende é de que está levando práticas das escolas de tempo integral para as regulares, como a disciplina ‘Projeto de Vida’, que desenvolve competências socioemocionais, disciplinas eletivas e robótica.

Em nota, a Secretaria de Educação gaúcha diz que seu foco está na formação e qualificação de professores, firmar parceria com universidades e entidades para novos projetos pedagógicos e investir em tecnologia na sala de aula. Destacou ter ampliado o período integral este ano para mais 9 escolas, além das 12 que já adotam o modelo. E diz que pretende manter a ampliação e para isso vai fazer um diagnóstico das áreas de maior vulnerabilidade no Estado. Procurada, a Secretaria da Educação de Minas não se manifestou.

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