Tiago Décimo/Estadão
Tiago Décimo/Estadão

Assaltos prejudicam candidatos do Enem em Salvador

A estudante Thamara Novolina, de 19 anos, perdeu a prova porque foi assaltada a 500 metros do local onde faria o exame

Tiago Décimo, O Estado de S. Paulo

27 Outubro 2013 | 11h46

SALVADOR - Assaltada a cerca de 500 metros do local no qual faria a prova do primeiro dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) na capital baiana, a estudante Thamara Coelho Novolina, de 19 anos, não conseguiu fazer a prova, mesmo tendo registrado a ocorrência na 16ª Delegacia de Salvador antes do início do exame.

De acordo com a candidata, um assaltante a abordou na Rua José Peroba, no bairro de Costa Azul, e levou sua carteira. Como ainda havia muito tempo para o início da prova - o portão da unidade de ensino na qual faria o exame ainda não havia sido aberto -, ela ainda teve tempo para chamar a irmã e, com ela, ir à delegacia para registrar a ocorrência.

"A delegada não estava para assinar o registro, mas saí de lá com o protocolo, que eles disseram que valeria como documento para fazer a prova", conta. Thamara e a irmã chegaram ao local do exame ainda em tempo, localizaram a sala, mas a estudante foi impedida de fazer a prova.

Seria a segunda tentativa da aluna, que tem como objetivo fazer faculdade de Direito. "É absurdo, fui prejudicada duas vezes", lamenta Thamara. "Além de não me deixarem fazer o Enem, ainda queriam que eu ficasse dentro da escola até o portão ser aberto."

Outro que disse ter sido vítima da violência e não conseguiu fazer a prova foi o estudante Felipe Augusto, de 17 anos. Ele contou ter sido vítima de assalto durante a semana e tentou fazer a prova usando uma certidão de nascimento. Não conseguiu. Passou a tarde esperando a irmã, de 19 anos, concluir o exame no mesmo local onde ele faria a prova.

Espera pela mãe. A seu lado, a estudante Emanuelle da Paixão, de 20 anos, também esperava o fim da prova de um familiar - no caso, a mãe, Ana Paula Barreto, de 42 anos. Elas fariam o Enem juntas, na tarde desse sábado, 26, mas Emanuelle não levou seu documento de identidade.

Ana Paula tenta uma vaga no curso de Marketing e a filha está interessada na carreira em Design. Por garantia, chegaram ao local da prova com duas horas de antecedência - a instituição fica a cerca de 20 quilômetros da casa delas. "Quando o portão abriu, a gente foi procurar a sala da minha mãe e, quando achamos, notei que não tinha trazido minha carteira, onde estão meus documentos", conta Emanuelle. "Ainda liguei para uma prima, que tem carro, pedindo para ela trazer, mas não

houve tempo, o trânsito está complicado."

A estudante criticou a forma como os locais de prova são distribuídos entre os participantes. "Não entendo porque colocam a gente para fazer a prova tão longe", reclama. "Tem um monte de escolas perto de onde a gente mora, eu poderia ter voltado para pegar meu RG a pé, se fosse preciso. Agora, só ano que vem."

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