As aulas vão começar e escola ainda abriga desabrigados da Favela Zaki Narchi

Na tarde de segunda-feira, no saguão da EMEFM Professor Derville Allegretti, na zona norte, crianças jogavam bola e davam risada, bem diante da parede em que pequenas mãos - pintadas de guache - formam a palavra ´sonho´. Seria uma cena corriqueira de escola, não fosse o fato de que elas não estão entre os 3.500 alunos matriculados para o ano letivo de 2003, que começa no dia 6. Elas fazem parte da lista de 422 pessoas - 163 famílias - abrigadas no colégio, desde 23 de dezembro, quando tiveram seus barracos, na favela Zaki Narchi, destruídos por um incêndio. A pouco mais de uma semana do início das aulas, alguns banheiros estão entupidos e o encanamento está sobrecarregado, despejando dejetos em outros ambientes. No refeitório, faltam alguns vidros nas janelas, enquanto que no banheiro masculino foram retirados azulejos do piso. Portas estão danificadas, trilhos de cortina sumiram, assim como materiais de aula de professores. A grama do jardim é alta e o cheiro de urina é forte. Os bebedouros passaram a funcionar como tanque e as venezianas, como varal. Apesar de todo esse quadro, o subprefeito de Santana-Tucuruvi, Maurício Pacheco Chagas, garante que a escola estará em boas condições até o dia 6. "Os danos não vão impedir o andamento da aula", disse, explicado que, acompanhado de engenheiros, fez um levantamento do que precisa ser reparado. "Em menos de dois dias, tudo fica em ordem. No caso do encanamento, vamos passar uma máquina de desentupimento." Para tanto, assegura que todos os abrigados serão retirados do Derville até sexta-feira. Em princípio, vão ficar em pensões e hotéis do centro, com os quais a Prefeitura tem acordo, enquanto são construídos alojamentos. Os desabrigados, entretanto, protestam: "A gente quer colaborar, mas não é qualquer proposta que a gente vai aceitar. Isso de pensão é ilógico", alertou Márcia Maria dos Reis, da comissão de moradores. Novos alojamentosNa tarde de ontem, cerca de 50 moradores da favela realizaram um protesto no terreno onde será construído um alojamento para os desabrigados, na própria Avenida Zaki Narchi. Eles chegaram a derrubar um muro. Ontem mesmo, o subprefeito confirmou o começo dos trabalhos. Serão 300 alojamentos individuais de alvenaria, com 20 metros quadrados, um para cada família. A intenção é que, dentro de um ano, essas famílias sejam colocadas em um programa de habitação. Em reunião ontem à noite com a comissão de moradores, o subprefeito apresentou a proposta. Até o fechamento desta edição, não havia resultado.

Agencia Estado,

28 de janeiro de 2003 | 15h54

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