ARTIGO: 'Unicamp está pronta para oferecer cursos de graduação a distância'

Membro do Grupo Gestor de Tecnologias Educacionais da universidade traça panorama da EaD na instituição

José Armando Valente* - Revista Unicamp Ensino Superior,

10 Abril 2013 | 19h51

Desde o final dos anos 1990, a Unicamp tem desenvolvido atividades de educação a distância (EaD), sendo pioneira em algumas delas, como o desenvolvimento do TelEduc (2013) – uma plataforma de suporte a atividades a distância via internet –, que teve início a partir de 1997 (Rocha, 2002). Essas atividades estavam sendo desenvolvidas nas unidades por iniciativa de alguns docentes, porém, eram pouco conhecidas sob o ponto de vista institucional.

 

A primeira iniciativa institucional relativa à EaD na Unicamp ocorreu em 1999, com a criação do 1.º Grupo de Trabalho em Educação a Distância (1.º GTEAD), seguido por outros três grupos de trabalho. O 1.º GTEAD teve como objetivos fazer um balanço sobre a EaD na Unicamp e propor soluções para o seu desenvolvimento. Os resultados de uma pesquisa com a comunidade acadêmica, realizada por meio da aplicação de um questionário, revelaram que a maioria dos docentes estava a favor da implantação da EaD, desde que fosse preservada a qualidade do ensino realizado.

 

O relatório mostrou que atividades de EaD já estavam sendo realizadas em diversas unidades e, com base nessas experiências, o grupo fez diversas recomendações. Como resultado efetivo das recomendações, foi conseguida a expansão do prédio do Centro de Computação da universidade, o que incluiu a instalação de miniauditório, sala de gravação, sala de videoconferência, sala para a equipe de EaD e a contratação de pessoal para atuar especificamente na área de EaD (Relatório 1.º GTEAD, 1999).

 

O 2.º GTEAD e o 3.º GTEAD foram criados respectivamente em 2000 e 2002, com objetivos bastante semelhantes, ou seja, coordenar, supervisionar e acompanhar as atividades de EaD na Unicamp. Os grupos de trabalho identificaram atividades de EaD sendo desenvolvidas em diversas unidades de ensino da universidade, tanto em disciplinas de graduação como de pós-graduação e extensão. Eram iniciativas isoladas, centradas no interesse dos respectivos docentes, usando infraestrutura como a plataforma WebCT ou o TelEduc.

 

Tais iniciativas permitiram que a EaD, embora ainda não institucionalizada, permanecesse na pauta das discussões em diferentes instâncias, o que colaborou para que, em 2002, fosse criado o ensino aberto), descrito mais adiante, e que, em 2008, a EaD fosse contemplada no Planejamento Estratégico (Planes) da Unicamp, que tem como objetivo estabelecer prioridades de médio e longo prazo, e formular e implantar políticas que possibilitem a realização dessas prioridades.

 

O primeiro Planes foi elaborado para o período 2007-2010 e a EaD está mencionada em diversos programas, tais como o Programa 1 - Qualificação e expansão do ensino de graduação, e o Programa 2 - Ampliação e revisão dos programas de pós-graduação, que preveem a possibilidade de criação de cursos de graduação e pós-graduação na modalidade a distância. Um dos programas é dedicado especificamente à EaD, como o Programa 4 - Educação a distância, que prevê "incentivar/consolidar ações de Educação a Distância em todas as modalidades de ensino que facilitem o acesso a informações e aos materiais didáticos dos diversos segmentos (comunidade externa, dos alunos de graduação, dos alunos de pós-graduação), e que forneçam o apoio técnico e operacional para a implantação dessas atividades" (Planes, 2008, p. 28).

 

O 4.º GTEAD foi criado em 2007 com o objetivo de levantar informações sobre a infraestrutura existente e as atividades de EaD que estavam sendo realizadas, e propor a política de EaD a ser adotada pela Unicamp, especialmente no que se refere aos cursos de graduação e pós-graduação.

 

Assim, foi feito um estudo envolvendo todas as unidades de ensino e órgãos que estavam envolvidos com a EaD na Unicamp, e procurou-se entender a legislação existente e o contexto de EaD de outras instituições como a USP e a Unesp, a Universidade Aberta do Brasil (UAB) e a Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp). Diante dos resultados encontrados, o grupo de trabalho recomendou a criação de uma coordenadoria, com a missão de apoiar, articular e promover atividades relacionadas ao uso de tecnologias na educação da Unicamp, nos níveis de graduação, pós-graduação e extensão (Relatório 4.º GTEAD, 2007). Como resultado concreto, foi criado o Grupo Gestor de Educação a Distância (GGEAD), posteriormente denominado Grupo Gestor de Tecnologias Educacionais (GGTE), que será discutido no próximo tópico.

 

Todas essas ações apontam na direção da expansão das atividades de EaD na Unicamp. O GGTE foi criado com o objetivo de ampliar e consolidar as atividades não só de EaD, mas de uso das tecnologias no ensino. Isso significa expandir o uso do ensino aberto; estimular e dar apoio às unidades na realização de atividades que usam as tecnologias educacionais; disseminar o material de apoio usado nas disciplinas de graduação por meio do Portal Unicamp OpenCourseWare; criar recursos que facilitem a disseminação da informação sobre atividades de EaD e a produção de material de apoio para as atividades de EaD; servir de interlocutor com órgãos externos que realizam atividades similares, como a Univesp e a UAB. Nos próximos tópicos, serão destacadas as principais atividades realizadas.

 

O Grupo Gestor de Tecnologias Educacionais (GGTE)

 

O Grupo Gestor de Tecnologias na Educação (GGTE) foi criado em setembro de 2009 (Resolução GR 15/2009), vinculado às Pró-Reitorias de Graduação e de Pós-Graduação, sendo posteriormente rebatizado de Grupo Gestor de Tecnologias Educacionais, por intermédio da Resolução GR 15/2010 (GR 15/10, 2010). Seus objetivos são:

 

I - Propiciar, apoiar, articular e promover ações institucionais relacionadas ao desenvolvimento de tecnologias educacionais e Educação a Distância, nos níveis de graduação, pós-graduação e extensão da Unicamp;

 

II - Atuar, como interlocutor da Unicamp junto a outras instituições, identificando oportunidades de parcerias que incentivem a implantação de cursos a distância e contribuam para a definição de políticas públicas para o setor.

 

O GGTE é uma expansão do Grupo Gestor de Educação a Distância (GGEAD), criado em março de 2008 (GR 16/08, 2008) e diretamente subordinado ao gabinete do reitor. O GGEAD realizou diversas atividades relacionadas ao tema da EaD, como o credenciamento da Unicamp junto ao MEC para oferecimento de cursos de pós-graduação lato sensu na modalidade a distância; a realização do workshop "EaD na Unicamp"; e a participação em diversos fóruns organizados por alunos e docentes, para discutir as questões relacionadas à EaD na Unicamp e o papel da universidade com relação à Univesp.

 

No entanto, as atividades do GGEaD estavam restritas ao âmbito da EaD, embora o 4.º GTEAD tivesse recomendado a criação de um órgão que atuasse no âmbito do uso das tecnologias na educação. Assim, a administração que assumiu a reitoria a partir de 2009 resolveu extinguir o GGEAD e criar o GGTE, ampliando a área de atuação, visando não só as atividades de EaD, mas também o uso das tecnologias digitais de informação e comunicação (TDIC) na educação de modo geral.

 

O GGTE foi implantado como um órgão ligado à Pró-Reitoria de Graduação, e está desenvolvendo diversas ações no sentido de expandir atividades que já estavam sendo desenvolvidas, como o ensino aberto, e implementando novas atividades, como o desenvolvimento do Portal Unicamp OpenCourseWare e a consolidação de diretrizes de atuação, para nortear o apoio às unidades de ensino no uso das tecnologias em atividades educacionais.

 

O desenvolvimento das atividades do GGTE segue algumas diretrizes básicas, como o modelo de desenvolvimento das atividades de EaD e a utilização de recursos tecnológicos.

 

As ações de EaD podem ser baseadas em diversos modelos, caracterizados pela abordagem de ensino e aprendizagem adotadas, pela implantação acadêmica e administrativa e, até mesmo, pela questão financeira. A combinação desses diferentes fatores permite a criação de diferentes modelos de EaD, adotados pelas instituições de ensino superior.

 

Os modelos variam em um contínuo, de modo que, em um extremo, temos o modelo centralizado, caracterizado por uma unidade institucional responsável e autônoma com relação ao oferecimento de cursos e gestão acadêmica. Nesse modelo, geralmente, o corpo docente e o setor administrativo relacionado à EaD e ao uso de tecnologias na educação estão fisicamente instalados em um local específico do câmpus e compõem uma unidade independente, que pouco ou nada se relaciona com as demais unidades da instituição.

 

A Unicamp optou por fomentar o uso de tecnologias educacionais e de atividades de EaD no âmbito das estruturas acadêmicas já existentes, de acordo com o que estipula o seu regimento geral: "A coordenação dos cursos e dos programas da universidade far-se-á sob a responsabilidade de um ou mais departamentos dos institutos e das faculdades, ou das respectivas comissões de graduação ou pós-graduação" (Regimento Geral da Unicamp, 2010, p. 4). Assim, qualquer proposta de curso ou disciplina que faça uso das TDIC deve partir dos institutos e faculdades, e respeitar todas as instâncias institucionais estabelecidas.

 

A opção tem por objetivo manter nas atividades de EaD o mesmo nível de exigência e comprometimento que caracterizam a qualidade do ensino presencial na Unicamp. Tem, também, o objetivo de fortalecer as unidades em termos de infraestrutura e experiência no uso e incorporação de novas tecnologias à prática docente, de modo que as novas abordagens educacionais, com aplicação das TDIC, possam ser migradas para as atividades presenciais. Além disso, essa diretriz expressa uma orientação que tem norteado a realização de atividades a distância na Unicamp. Nada tem sido imposto. As unidades e docentes têm autonomia para a implantação de atividades de ensino, usando ou não tecnologias, como ocorre com o ensino aberto, por exemplo.

 

Assim, o GGTE caracteriza-se por tornar disponível uma estrutura de apoio e facilitação das iniciativas das unidades de ensino. Sua atuação ocorre em consonância com a coordenação dos cursos interessados no estabelecimento de parcerias interinstitucionais, e engloba a discussão e o encaminhamento de propostas e projetos, bem como a mediação de negociações para a utilização de polos de ensino, redação dos convênios e contratos, quando pertinentes. Tudo isso com o propósito de fornecer apoio às iniciativas das unidades de ensino, bem como de auxiliar os docentes na implantação das TDIC integradas às atividades curriculares das respectivas disciplinas, tanto presenciais quanto a distância.

 

Outra diretriz está relacionada à criação e disseminação dos recursos digitais produzidos. Seguindo orientação geral da universidade, o GGTE apoia o uso de plataformas não proprietárias, como o TelEduc e o Moodle, por exemplo. Além disso, toda produção de material está sendo realizada com base no Creative Commons License (Creative Commons, 2013), respeitando os direitos de propriedade intelectual de docentes, alunos e assistentes que produzem os materiais. Segundo esse tipo de licença, os materiais contidos nos sites criados pelo GGTE podem ser usados, copiados, distribuídos, traduzidos e modificados pelos usuários, mas somente para fins educacionais e não comerciais.

 

Finalmente, outra diretriz importante diz respeito ao uso dos recursos tecnológicos. A orientação é usar infraestruturas já existentes na Unicamp. Nesse caso, as produções virtuais, como sites e bancos de dados das disciplinas e cursos, estão armazenadas em servidores próprios do GGTE, que estão hospedados e são mantidos de acordo com os padrões das instalações já existentes no Centro de Computação.

 

Estas diretrizes têm implicações diretas em outras atividades realizadas pelo GGTE, como o ensino aberto e a criação do Portal Unicamp OpenCourseWare.

 

O ensino aberto na Unicamp

 

O ensino aberto (EA) foi implantado na Unicamp no segundo semestre de 2002. Trata-se da criação de instâncias virtuais na plataforma TelEduc para cada uma das disciplinas de graduação oferecidas em cada semestre. Assim, cada sala de aula presencial possui também seu espaço virtual de relacionamento, criado automaticamente. A integração com o sistema acadêmico permite que os docentes e os alunos matriculados em cada disciplina sejam automaticamente inseridos na instância virtual correspondente. Essa instância virtual pode ser utilizada como mais um ambiente para as interações da turma, e como meio para apoiar ou complementar as atividades realizadas em sala de aula presencial (Ensino Aberto, 2013).

 

O EA é um ambiente fechado no qual somente os alunos e professores cadastrados podem ter acesso por intermédio de senha individual. Porém, a opção de uso do EA é facultativa. O professor responsável pela disciplina pode ou não ativar essa instância virtual, e usá-la da maneira que desejar, possibilitando, inclusive, que seja uma complementação das atividades que realiza em sala de aula.

 

Embora de modo facultativo, ao longo destes dez anos, desde sua criação, o uso do EA vem ocorrendo de forma crescente na Unicamp. No primeiro semestre de 2003, foram 12 disciplinas/turmas ativadas para acesso dos respectivos alunos. Esse número subiu para 142 no segundo semestre de 2003 e no segundo semestre de 2012 foram 1.514 disciplinas ativadas.

 

Uma das ações do GGTE é estimular o uso do EA na Unicamp, disseminando as facilidades que essa modalidade de ensino propicia, e capacitando docentes que se interessam pelo uso do EA, bem como alunos pertencentes ao Programa de Estágio Docente (PED), os quais atuam no apoio às disciplinas.

 

Portal OpenCourseWare Unicamp (OCW Unicamp)

 

Por ser um ambiente fechado, no ensino aberto somente os alunos e professores cadastrados no EA podem ter acesso ao material desenvolvido em uma determinada disciplina, por intermédio do uso de uma senha individual. Em muitos casos, o material que os alunos e o docente desenvolvem é muito rico e pode ser utilizado por outros alunos da Unicamp ou mesmo de outras instituições. Assim, de acordo com o interesse do docente responsável pela disciplina, parte do material estava sendo tornado público para a comunidade em geral por intermédio do Portal Ensino Aberto (Portal EA, 2010), que foi desativado e, em seu lugar, foi criado o Portal OpenCourseWare Unicamp (OCW Unicamp, 2013).

 

O Portal OCW Unicamp está baseado no projeto do Massachusetts Institute of Technology OpenCourseWare (MIT OCW), desenvolvido para publicação na web dos materiais utilizados em quase todas as disciplinas de graduação e pós-graduação oferecidas pelo MIT. Esse empreendimento pode ser visto como a tentativa de disseminar, em larga escala, o conhecimento universitário por intermédio de recursos tecnológicos abertos, como a internet. A disseminação é feita com base na licença Creative Commons (Creative Commons, 2013), respeitando os direitos de propriedade intelectual de quem produz os materiais e os direitos de uso, segundo os termos definidos pela notificação legal do MIT OCW.

 

Antes de ser publicado no portal do MIT OCW, o material passa por um cuidadoso processo de publicação. Se o docente responsável pela disciplina tem interesse na publicação do seu material, tem início um ciclo de publicação, no qual é realizada uma série de tarefas, como a revisão das especificações da disciplina (ementa e programa da disciplina); a recuperação de conteúdos a serem usados como material de apoio; a eliminação de documentos produzidos por terceiros; a verificação dos direitos autorais dos documentos a serem publicados; a conversão dos documentos para o formato PDF; a verificação do acesso aos documentos que se encontram na web; o upload dos arquivos para o sistema de gestão de conteúdo do MIT OCW; a criação do site da disciplina no portal MIT OCW; a identificação dos metadados; e o controle de qualidade dos materiais a serem disponibilizados, dos metadados e das licenças de propriedade intelectual. Uma vez terminado esse ciclo de publicação, o responsável pela disciplina tem a palavra final sobre o conteúdo do site e a sua liberação para o portal.

 

A publicação do conteúdo de uma disciplina segue um padrão, do qual constam a ementa da disciplina, as notas de aulas, a lista de exercícios e a solução dos problemas, os exames e a bibliografia sugerida. Em alguns casos, são publicados áudio ou vídeo de aulas ou de situações de laboratório.

 

No caso do Portal EA da Unicamp, como o docente responsável podia utilizar os recursos disponíveis no EA para fazer o upload do material, o que era publicado no Portal EA não passava pelo processo de publicação, como utilizado no MIT OCW. Assim, o material que constava do Portal EA não seguia um padrão de publicação e, além disso, o material publicado não passava pelo controle de qualidade do conteúdo, dos metadados ou mesmo da propriedade intelectual.

 

Para resolver essa situação, o GGTE desenvolveu o Portal OCW Unicamp, que segue as especificações e protocolos do MIT OCW e tem como objetivo hospedar conteúdos em formato digital, originários de disciplinas de cursos de graduação e oferecidos à comunidade gratuitamente, observados os termos de uso, que constam no portal.

 

O OCW Unicamp é parte do Consórcio OCW Universia (OCW Universia, 2013), formado pelo conjunto de universidades espanholas, portuguesas e da América Latina que optaram por fazer sua adesão ao OCW e, por sua vez, agrupar-se sob a afinidade cultural e geográfica do espaço ibero-americano. O OCW Universia, por sua vez, é parte do consórcio denominado OpenCourseWare, que congrega mais de cem instituições de ensino superior em todo o mundo, para promover e compartilhar conteúdos educacionais, com a missão de fomentar a educação e capacitar pessoas com abrangência global.

 

O OCW Unicamp foi inaugurado em abril de 2011 e em janeiro de 2013 estavam disponibilizadas no portal 25 disciplinas, sendo 17 em Ciências Exatas, uma em Artes, uma em Humanas, uma em Biologia e Profissões da Saúde, e cinco em Tecnologias e da Terra. Além dessas disciplinas, diversos docentes foram contatados e estão preparando o material de suas respectivas disciplinas para ser disponibilizado no Portal OCW Unicamp, que segue os padrões do MIT OCW de formatação e de licenciamento dos conteúdos publicados.

 

Painel de e-Tecnologias educacionais

 

A quantidade de informação sendo produzida e publicada na internet tem crescido de maneira exponencial. Na Unicamp, por exemplo, praticamente todos os órgãos de ensino e de administração possuem seu site para divulgação de todo tipo de informação, como eventos, recursos disponíveis, resultado de pesquisa, etc. No entanto, só publicar a informação pode não ser suficiente. É necessário dar algum tipo de tratamento a essa informação, de modo que os usuários possam entendê-la e, com isso, tomar decisões.

 

Uma estratégia para facilitar o processo de compreensão da informação tem sido baseada na comunicação visual, por meio da produção de diagramas, esboços, gráficos, fotografias, vídeo e animações, considerada fundamental para o processo de exploração de conceitos e divulgação da informação. Aspectos importantes da visualização da informação, empregando-se os recursos digitais, são a dinâmica de representação e a interatividade. Com isso, a informação pode ser organizada de modo que os usuários possam modificar a visualização em tempo real, permitindo assim a compreensão de padrões e relações estruturais que aparentemente podem ser muito abstratos.

 

Neste contexto, o GGTE desenvolveu o painel e-Tecnologias, a partir da informação disponível nos sites dos órgãos acadêmico e administrativo, relativa aos recursos tecnológicos usados na educação. O painel tem a finalidade de facilitar a visualização e a identificação das tecnologias educacionais existentes na Unicamp.

 

O painel dispõe a informação como uma rede de nós, organizada como árvore, na forma de uma hipérbole. No centro, consta a informação hierarquicamente mais importante, de onde partem ramos em direção a outros nós, de onde, por sua vez, partem outros ramos, e assim por diante. No caso da Unicamp, o órgão central é a Reitoria, de onde partem os ramos para as Pró-Reitorias, para alguns órgãos administrativos e para as áreas da ciência, à qual estão vinculadas as respectivas unidades de ensino e pesquisa. Desses nós partem os ramos para outros nós e, finalmente, para os nós que indicam os recursos tecnológicos que estão relacionados com o ensino (e-Tecnologias, 2013).

 

A organização dessa informação na forma de árvore permite visualizar os recursos tecnológicos educacionais existentes na Unicamp, bem como entender quem é responsável pela manutenção dos recursos.

 

Ferramentas de autoria

 

O material de apoio constitui uma peça-chave das ações e atividades de EaD, e tem a função de prover os conteúdos que estão sendo trabalhados. Dependendo da abordagem educacional utilizada, é a única fonte de informação à qual o aluno tem acesso. Isso tem feito com que a sua produção receba toda a atenção por parte das instituições que desenvolvem atividades de EaD. O fato de ser digital possibilita que o material seja cada vez mais navegável e use recursos visuais, como animações, vídeos, etc. Com isso, o material deixa de ser algo parecido com apostilas ou mesmo o livro, e passa a ser mais dinâmico.

 

A produção do material, em geral, tem sido realizada por uma equipe de profissionais, constituída por especialistas que elaboram o conteúdo. O texto produzido é entregue ao grupo de profissionais de mídia, como designers de material instrucional e web designers, que preparam o material de modo que se torne navegável e use os recursos midiáticos. Nesse caso, é a equipe de designers que escolhe e determina a disposição dos recursos midiáticos no material.

 

Por meio do GGTE, a Unicamp está adotando uma estratégia diferente. O GGTE desenvolveu um software de autoria, cuja interface é bastante semelhante à de um processador de texto. Porém, a ferramenta de autoria provê, além dos recursos para o especialista elaborar o conteúdo, recursos para inserção de imagens, animações, vídeos, fórmulas matemáticas, etc. Assim, à medida que o autor vai descrevendo o conteúdo, ele vai também trabalhando o aspecto midiático do material. No final, o software produz automaticamente uma página html, cujo link pode ser publicado em um ambiente de EaD.

 

Porém, antes de ser disponibilizado, o material passa por um fluxo de produção, realizado por uma equipe de profissionais do GGTE. É realizada a revisão de texto; é analisada a procedência do material midiático utilizado (se proprietário ou de livre acesso e uso); é feita a verificação de acesso aos links mencionados, bem como é efetuada uma análise para ver se há necessidade de elaborar algum material midiático, caso o autor não tenha encontrado a imagem, a animação ou mesmo o vídeo que ele ache adequado.

 

Essa estratégia permite que o próprio autor comece a pensar no material a ser publicado já em uma versão voltada para a web, navegável. Como conhecedor do conteúdo, ele é a pessoa mais adequada para entender como os recursos midiáticos podem ser explorados no material de apoio.

 

Inicialmente os especialistas têm um pouco de dificuldade para pensar o material em tais condições. Porém, com a experiência, essa estratégia tem permitido que muitos docentes da Unicamp, principalmente os que estão participando do curso de especialização do Programa Rede São Paulo de Formação Docente (RedeFor), aprendam técnicas de design de material instrucional midiático e produzam material de apoio voltado para a web.

 

O papel do GGTE nos cursos de especialização lato sensu RedeFor

 

As propostas de uso das TDIC nas disciplinas e cursos, ou propostas de criação de novos cursos utilizando EaD, devem partir das unidades, como todas as demais atividades de ensino. Ou seja, a organização dos conteúdos, o estabelecimento das estratégias e demais características que compõem os projetos pedagógicos dos cursos são de responsabilidade das unidades.

 

É o caso dos cursos de especialização lato sensu do RedeFor, destinados aos professores da rede de ensino do Estado de São Paulo. A Unicamp está desenvolvendo os cursos de Matemática, Língua Portuguesa, História, Física e Educação Física (RedeFor, 2013). Nestes cursos, o GGTE atua auxiliando na produção dos materiais de apoio e no uso das TDIC. Pertencentes à modalidade semipresencial, pois incluem dois encontros presenciais, os cursos são oferecidos com material de apoio desenvolvido especialmente em formato multimídia.

 

O RedeFor foi oferecido em duas versões. A primeira, RedeFor 1, foi realizada no período de outubro de 2010 a fevereiro de 2012, quando foram concluídas a apresentação e a avaliação dos trabalhos de conclusão de curso (TCCs). Nesta edição, foram matriculados 4.050 professores, sendo 1.500 de língua portuguesa, 1.200 de matemática, 700 de história, 300 de física e 350 de educação física. O RedeFor 2 teve início em outubro de 2011 e término em fevereiro de 2013. Foram matriculados 8 mil professores, sendo 3 mil de língua portuguesa, 2.430 de matemática, 1.447 de história, 372 de física e 751 de educação física.

 

Os cursos estavam sob a responsabilidade das respectivas unidades de ensino da Unicamp, e o GGTE auxiliou no desenvolvimento do material de apoio e no uso dos recursos de tecnologias.

 

Para o RedeFor 1 foram produzidas 3.700 páginas em html, 209 animações, 1.007 ilustrações, 1.168 edições de imagens e 64 vídeos (produção e edição). Para o Redefor 2, muitos materiais foram refeitos, sendo produzidas 3.508 páginas em html, 220 animações, 1.036 ilustrações, 1.280 edições de imagens e 159 vídeos (produção e edição).

 

A produção é feita sob demanda do autor do material de apoio, e o GGTE atua no sentido de ajudar para que as atividades educacionais explorem cada vez mais e de modo mais adequado os recursos das tecnologias.

 

Considerações finais

 

De acordo com o que foi abordado acima, a Unicamp tem todas as condições para realizar ações de EaD e, até mesmo, para expandi-las no oferecimento de cursos de graduação que exploram cada vez mais os recursos tecnológicos, mais híbridos, com maior número de horas de ensino realizadas por meio da EaD. A instituição está pronta, ainda, para desenvolver cursos de graduação a distância, como já fazem as suas coirmãs paulistas, USP e Unesp.

 

A EaD já faz parte do Planes da Unicamp; os docentes já estão familiarizados com o desenvolvimento de atividades a distância, que realizam por intermédio do Portal Ensino Aberto; o GGTE conta com profissionais experientes e estrutura para dar apoio ao desenvolvimento de materiais de apoio; e a Unicamp já dispõe da infraestrutura tecnológica necessária para a realização de cursos baseados na EaD em larga escala.

 

A ideia é que continuemos a incentivar múltiplas experiências de EaD, uma vez que a diversidade de propostas é salutar e permite ampliar as áreas de atuação e as possibilidades de uso das tecnologias na educação.

 

É importante que essas experiências possam extrapolar o âmbito da EaD e sejam estendidas também para os diferentes usos das tecnologia nas atividades de ensino e aprendizagem presenciais. Nesse sentido, é fundamental que não haja consenso pedagógico ou tecnológico, ou que essas ações usando as tecnologias educacionais sejam padronizadas. O objetivo é poder disseminar, cada vez mais, e de modo mais adequado, o uso das tecnologias educacionais.

 

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* Livre docente pelo Departamento de Multimeios, Mídia e Comunicação do Instituto de Artes da Unicamp, pesquisador do Núcleo de Informática Aplicada à Educação (Nied) e membro do Grupo Gestor de Tecnologias Educacionais (GGTE) da Unicamp. Professor do Programa de Pós-Graduação em Educação / Currículo (CED) da PUC-SP

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