Wokandapix/Pixabay
A BNCC - que é uma política de Estado, prevista na Constituição e no Plano Nacional de Educação -, é referencial obrigatório para os currículos de todas as redes públicas e particulares do País Wokandapix/Pixabay

Artigo: Não há receita mágica para virar o jogo, mas há um caminho

Nas três áreas do conhecimento, Brasil está na lanterna do Pisa; Base Nacional Comum Curricular (BNCC) tem potencial para reverter os resultados ruins

Alice Ribeiro, Movimento pela Base

03 de dezembro de 2019 | 12h57

Embora tenha apresentado leve melhora na pontuação geral entre 2015 e 2018 nas três áreas do conhecimento, o Brasil ainda se encontra na lanterna do Pisa, a avaliação internacional de estudantes da OCDE, que teve os resultados divulgados nesta terça-feira, 3. Quatro em cada dez alunos brasileiros sequer alcançam o nível 2 de aprendizagem, considerado mínimo, em Leitura, Matemática e Ciências.

Os alunos brasileiros de nível socioeconômico mais alto leem pior do que alunos mais pobres de vários países.  O desempenho demonstra que redes públicas e particulares encontram imensos desafios para garantir a aprendizagem de qualidade para todos.

Não há uma receita mágica para virar o jogo, mas há um caminho que começou a ser traçado em 2015, com a construção da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que tem potencial para ajudar.

A BNCC deixa claro o que todos os estudantes têm o direito de aprender na sua trajetória escolar. Diz também que essa aprendizagem vai além de conteúdos: é preciso que crianças e jovens desenvolvam competências e habilidades, para que consigam interpretar um gráfico, analisar e comparar dados, investigar e registrar fatos, argumentar e apresentar suas ideias num mundo cada vez mais digital. Uma formação muito mais próxima da oferecida por países líderes do Pisa e, o mais importante, mais significativa para as crianças e jovens brasileiros.

A BNCC - que é uma política de Estado, prevista na Constituição e no Plano Nacional de Educação -, é referencial obrigatório para os currículos de todas as redes públicas e particulares do País. Os currículos, portanto, se tornam peça ainda mais central, e devem nortear outros elementos do sistema educacional fundamentais para ajudar na virada:  a formação e a valorização dos professores (que devem ensinar o que determinam os currículos e é de direito dos alunos), os materiais didáticos (para apoiar as práticas de sala de aula) e as próprias avaliações nacionais (que devem medir, como faz o Pisa, o quanto os estudantes estão aprendendo o que deveriam). 

O Brasil avança neste caminho. A BNCC chega às escolas de Educação Infantil e Ensino Fundamental em 2020 e, nas de Ensino Médio, em 2021. Para as primeiras etapas, 100% dos referenciais curriculares construídos em regime de colaboração entre estados e municípios estão prontos.  A formação dos professores em serviço, alinhada aos currículos, teve início este ano. Novas diretrizes curriculares nacionais de formação inicial de professores, alinhadas à BNCC, foram aprovadas em novembro. Editais dos livros didáticos do PNLD e matrizes de avaliações, como o Saeb, começaram a ser alinhados.

A implementação de uma política estruturante como a BNCC exige intenso e articulado trabalho de implementação por parte das redes de ensino e precisa ser monitorada e apoiada. O esforço vale a pena. A BNCC não é uma receita mágica, mas uma oportunidade que o Brasil não pode deixar passar. Com ela, esperamos que o direito a uma educação de qualidade seja respeitado, e que o Pisa possa, em breve, contar uma outra história sobre a educação brasileira.

*ALICE RIBEIRO, SECRETÁRIA EXECUTIVA DO MOVIMENTO PELA BASE

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Pisa: Brasil tem leve melhora em prova mundial, mas 4 em 10 alunos não aprendem o básico

Exame mede desempenho de jovens de 15 anos em Leitura, Matemática e Ciência; País ainda está entre últimos do ranking

Renata Cafardo e Isabela Palhares, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2019 | 05h01
Atualizado 03 de dezembro de 2019 | 14h48

SÃO PAULO - A nota dos estudantes brasileiros de 15 anos teve uma leve melhora na maior avaliação de educação básica do mundo, o Pisa. No entanto, 4 em cada 10 adolescentes não conseguem identificar a ideia principal de um texto, ler gráficos, resolver problemas com números inteiros, entender um experimento científico simples.

Apesar de já ter tido posições piores, o País também se mantém entre as últimas colocações do ranking internacional nas três áreas avaliadas, Leitura, Matemática e Ciência. E ainda é uma das nações com maior diferença de desempenho entre estudantes ricos e pobres.

Os resultados do Pisa foram divulgados nesta terça, 3, pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em Paris. Participaram da prova, realizada no ano passado, 600 mil estudantes em 79 países. O exame é feito desde 2000, de três em três anos, com nações membros da OCDE e convidados, como é o caso do Brasil. A China, representada pelas províncias de Pequim, Shangai, Jiangsu e Zhejiang, ficou em primeiro lugar dos rankings mundiais das três áreas.

A nota média do Brasil em Leitura subiu de 407 para 413 pontos, entre 2015 e 2018, a mais alta já registrada no Pisa pelo Brasil. Apesar do avanço em relação à última edição não ser estatisticamente significativo, a tendência de aumento desde 2000 é considerada relevante pela OCDE. 

Além disso, a amostra de alunos do Brasil cresceu muito nos últimos anos, o que, em geral, tenderia a baixar a nota do País. Isso porque o Brasil tem aumentado nos últimos anos o índice de jovens de 15 anos na escola - idade em que o adolescente deve ingressar no ensino médio. A inclusão leva jovens de baixa renda a frequentarem a escola.

O relatório do Pisa destaca, logo nas primeiras páginas, o Brasil como um dos seis países em que “a qualidade da educação não foi sacrificada quando se aumentou o acesso à escola”. Os outros são México, Albânia, Indonésia, Turquia e Uruguai.

“Um aumento na inclusão tende a mascarar eventuais melhoras no desempenho dos alunos, já que é possível assumir que os jovens que não estavam no sistema escolar nas edições passadas teriam um desempenho relativamente baixo”, disse ao Estado a analista de educação da OCDE Camila de Moraes, que é brasileira. “Em países onde a inclusão aumentou, a manutenção dos resultados em um mesmo patamar pode ser em si um fato positivo.”

Além disso, ao comparar os 25% dos jovens de melhor desempenho no Brasil, o relatório mostra um aumento de 10 pontos a cada três anos, entre 2003 e 2018, em Matemática. Em Ciência, são oito pontos a cada três anos.  Ou seja, se não houvesse inclusão a nota geral do Brasil poderia estar maior.  

Só 2% dos jovens brasileiros conseguem distinguir fato de opinião

A Leitura foi o foco desta edição do Pisa, o que quer dizer que os resultados dessa área são mais detalhados. Além de cobrar interpretação e compreensão de texto, a prova incluiu competências necessárias para  “construir conhecimento, pensamento crítico e tomar decisões bem embasadas”, como explicou o relatório da OCDE. “O smartphone transformou a maneira como as pessoas leem e a digitalização levou ao surgimento de novas formas de textos”, explicou o documento.

Os resultados mostram que só 10% dos jovens no mundo conseguem distinguir fato de opinião, habilidade considerada complexa pelo Pisa. No Brasil, esse grupo representa 2% e não inclui jovens de baixa renda.

A mais alta colocação brasileira está também no ranking de Leitura (54ª posição), ficando acima de cinco países latinos: Argentina, Colômbia, Peru, Panamá e República Dominicana. Há duas semanas, o ministro da educação, Abraham Weintraub, havia dito que o Brasil ficaria em último lugar na América Latina no Pisa por causa das “abordagens esquerdistas” de governos anteriores.  

Mesmo assim, metade dos estudantes não consegue chegar ao nível 2 de desempenho na área (os patamares vão de 1 a 6), considerado o conhecimento mínimo esperado para a idade. Isso quer dizer que os estudantes de 15 anos não entendem o propósito de um texto e não encontram informações que estão explícitas.  A maior parte dos brasileiros (26,7%) está no nível 1A, ou seja, apenas entendem o significado literal de frases ou passagens curtas, reconhecem o tema principal ou o objetivo do autor em um texto sobre um assunto familiar.

Brasil tem pior desempenho em Matemática

Em Matemática, também houve melhora significativa nos resultados entre 2003, primeiro ano em que o Pisa destacou a área, e 2018. Entre 2015 e o ano passado, a nota do Brasil subiu de 377 para 384. No entanto, a pior posição no ranking do Brasil é em Matemática, 70ª colocação, ficando atrás de Peru, Colômbia e Líbano. Mas ainda acima de Argentina, Panamá, Filipinas, entre outros.

No Brasil, só 32% dos estudantes estão no nível 2, considerado básico, e acima dele em Matemática. Apenas esse grupo consegue, por exemplo, comparar distância de duas rotas ou converter preços em diferentes moedas. Entre os países da OCDE, o índice de jovens do nível 2 para cima é de 76%.  

Entre os melhores resultados de Matemática estão os países asiáticos, como China, Cingapura, Hong Kong e Coreia. Na China, 16% dos estudantes estão no mais alto nível da disciplina, com raciocínio matemática considerado muito avançado. Entre os países da OCDE, só 2,4% chegam a esse patamar.

No ranking de Ciência, os asiáticos também se destacam, junto com a Estônia, com mais de 90% dos seus estudantes acima do nível básico. O Brasil ficou na 66ª posição entre os 79 países. A nota também subiu entre 2015 e 2018, de 401 para 404. Mas só 1% dos estudantes brasileiros está nos maiores níveis de desempenho, o que quer dizer que dominam conceitos científicos sobre vida e espaço e sabem até mais do que se espera no currículo para a idade. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Artigo: Há avanços, mas País precisa se inspirar em nações de sucesso e investir em professor

'Há pouca inclinação do MEC a seguir as melhores evidências. Por outro lado, há um crescente compromisso dos Estados'

Priscila Cruz, João Marcelo Borges e Olavo Nogueira Filho, Todos pela Educação

03 de dezembro de 2019 | 08h00

Angel Gurría, secretário-geral da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), que realiza o Programa de Avaliação Internacional de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês), abre assim um dos relatórios analíticos dos resultados divulgados nesta terça-feira: "Garantir aos cidadãos os conhecimentos e habilidades necessárias para que alcancem seu pleno potencial, para contribuírem para um mundo crescentemente interconectado e para transformar melhores competências em vidas melhores, precisa tornar-se a preocupação central das lideranças públicas ao redor do mundo. Para atingir esses objetivos, mais e mais países estão olhando para as melhores evidências de políticas públicas educacionais de maior sucesso e eficiência".

Nesse pequeno conjunto de palavras há uma imensidão. Os propósitos e caminhos aí colocados estão ainda distantes da realidade brasileira: garantia de aprendizagem para todos; educação como estratégia de país e de vidas mais plenas; uso obstinado das melhores evidências na política educacional.

O Brasil, como amplamente divulgado nesta terça, ainda permanece entre as últimas colocações no Pisa. Tivemos avanços significativos na primeira década dos anos 2000 e estagnação desde então. A boa notícia é o crescimento da proficiência média dos alunos brasileiros, ainda que tímida, ao mesmo tempo em que avançamos no aumento das matrículas, incluindo cada vez mais crianças e jovens dos níveis socioeconômicos mais baixos. Os países que estão no topo do ranking concluíram a universalização muitas décadas antes de nós. Também é digno de nota que nosso desempenho não tenha piorado entre 2015 e 2018, a despeito de grave recessão econômica que fez decrescer o investimento real por aluno.

Para avançarmos com muito mais vigor e consistência ao longo dos próximos anos, precisaremos colocar em prática a dupla tarefa proposta por Angel Gurría: uma agenda política, que dê centralidade à educação como estratégia de país; e uma agenda técnica, referenciada nas evidências de políticas públicas de maior sucesso. A saber, o maior determinante do sucesso dos países bem-sucedidos é o investimento nos professores: atratividade para a docência; excelência na formação; carreira estimulante e com cobrança de resultados, com melhores condições de trabalho; e apoio pedagógico constante. Claro que não basta apenas investir em políticas docentes. Mas, sem elas, nenhuma medida surtirá resultados suficientes para mudar a educação brasileira de patamar. O Brasil deveria se inspirar na experiência de sucesso de outros países e implementar reformas que tenham como pilar mais importante a profissionalização da carreira do professor.

Infelizmente, não cumprimos nenhum desses requisitos no governo federal. A melhoria da qualidade da educação está longe de ser uma prioridade federal e há pouca inclinação do Ministério da Educação (MEC) a seguir as melhores evidências. Por outro lado, há um crescente compromisso dos Estados com a melhoria da qualidade da educação básica (em particular no Nordeste, com destaque para Ceará e Pernambuco) e também maior protagonismo do Congresso Nacional.

Já passou da hora de o Brasil fazer o que outros países fizeram ao implantar reformas educacionais exitosas: discutir e negociar para construir consensos mínimos informados pelas melhores evidências, que se materializem em medidas legislativas e executivas consistentes e abrangentes. A tarefa é enorme, urgente, mas perfeitamente possível.

*PRISCILA CRUZ É PRESIDENTE-EXECUTIVA DO TODOS PELA EDUCAÇÃO

*JOÃO MARCELO BORGES É DIRETOR DE ESTRATÉGIA POLÍTICA DO TODOS PELA EDUCAÇÃO

*OLAVO NOGUEIRA FILHO É DIRETOR DE POLÍTICAS EDUCACIONAIS DO TODOS PELA EDUCAÇÃO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Weintraub erra previsão: Brasil não é último do Pisa na América Latina; veja mais destaques

País, porém, ainda está longe das primeiras posições do ranking: ocupa o 54º lugar em Leitura, principal área avaliada pelo exame internacional nesta edição

Renata Cafardo e Isabela Palhares, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2019 | 05h00

SÃO PAULO - Apesar de o ministro da educação, Abraham Weintraub, ter dito em novembro que o Brasil ficaria em último lugar da América Latina no Pisa, maior avaliação da educação básica do mundo, outros cinco países da região tiveram nota pior no ranking principal desta edição, o de Leitura. 

Veja mais destaques sobre o Brasil nesta edição do exame, aplicado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que mede conhecimentos em Leitura, Matemática e Ciência entre jovens de 15 anos:

  • Brasil está em 54º lugar em Leitura, principal área avaliada nesta edição, entre 79 países participantes.
  • Quatro em cada 10 alunos brasileiros de 15 anos não conseguem identificar a ideia principal de um texto, ler gráficos, resolver problemas com números inteiros, entender um experimento científico simples.
  • Em Matemática, tiveram pior desempenho que os brasileiros na América Latina os estudantes da Argentina, do Panamá e da República Dominicana, entre outros não latinos. Em Ciência, foram só dois latinos: Panamá e a República Dominicana, a última do ranking mundial.
  • Pela 1ª vez, o Pisa separou os resultados do Brasil pelas regiões do País. A diferença de pontuação chegou a até 43 pontos, tendo o Sul como o de mais alto desempenho nas três disciplinas.
  • Em Leitura, a Região Sul teve uma nota de 432 pontos, resultado que se assemelha ao de países como Malta e Sérvia. Já o Nordeste apresentou o menor desempenho, com 389 pontos em Leitura, nota similar a do Azerbaijão e Cazaquistão. 
  • A Região Centro-Oeste teve o segundo melhor desempenho, seguido pelo Sudeste. A região Norte ficou à frente só do Nordeste. O aumento do número de jovens que fizeram a prova, conforme a OCDE, permitiu ter amostra suficientemente relevante para calcular o resultado de cada região separadamente.
  • As meninas brasileiras tiveram pontuação melhor que os meninos em Leitura, com 26 pontos a mais. Os garotos, no entanto, tiveram melhor desempenho em Matemática, com 9 pontos acima. Em ciências, não há diferença significativa entre eles.
  • Entre os alunos com mais alta proficiência em Matemática e Ciências, um em cada três meninos quer trabalhar na área de Engenharia e uma em cada quatro meninas que trabalhar na área da Saúde.
  • 41% dos jovens brasileiros dizem que os professores têm de esperar "um longo tempo" para que os alunos se acalmem antes de iniciar a aula.
  • Metade dos jovens brasileiros já matou um dia de aula e 44% dizem já terem se atrasado para a escola nas duas semanas antes do teste do Pisa.

Veja destaques internacionais:

  • A China, representada pelas províncias de Pequim, Shangai, Jiangsu e Zhejiang, ficou no topo dos rankings mundiais das três áreas (Leitura, Matemática e Ciências)
  • A Argentina é país é o pior da América do Sul no ranking de Matemática e, no mesmo grupo, ocupa a penúltima posição em Leitura e em Ciências.
  • Os Estados Unidos estão com o desempenho dos estudantes nas três áreas avaliadas (Leitura, Matemática e Ciência) praticamente estagnado desde 2000. O país, porém, tem aumentado as diferenças entre seus estudantes, com os jovens de mais alto desempenho ampliando sua pontuação, enquanto os demais permanecem no mesmo patamar. 
  • Portugal ficou próximo da média da OCDE nas três áreas avaliadas, mantendo a tendência de crescimento dos últimos anos. No entanto, o país europeu acentuou as desigualdades na última edição Com o aumento da diferença entre alunos pobres e ricos e com menor desempenho entre imigrantes. 
  • A Estônia se mantém como o melhor avaliado da Europa. No ranking global, ocupa a 4ª posição em Ciências, 5ª em Leitura e 8ª em Matemática. A diferença entre alunos pobres e ricos é de 61 pontos, 28 a menos que a média da OCDE. A desigualdade de gênero também não preocupa. Na Estônia, a proporção de meninos que quer seguir na carreira na área de Engenharia é de um em cada seis. Entre as meninas, a proporção é de uma em cada sete.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.