ARTIGO: 'A Univesp e as tecnologias para a educação: conhecimento como bem público'

Para presidente da universidade virtual, cursos online não vão se diferenciar mais dos presenciais

Carlos Vogt, Revista Unicamp Ensino Superior

17 Abril 2013 | 20h29

A educação é o grande motor para a evolução de um país, tanto nos aspectos econômicos como sociais. Em qualquer nação do mundo, pessoas com um diploma de nível superior têm mais condições de se empregar do que aquelas sem tal certificação. Mesmo em tempos de crise, profissionais de nível superior têm maior oportunidade de se manter empregados, uma vez que são parte essencial dos esforços para a recuperação das economias. Segundo o relatório Education at a Glance 2012 (OCDE, 2012), a tendência brasileira está de acordo com o contexto internacional: durante a crise de 2008 e 2010, a taxa e o crescimento do desemprego entre os profissionais com nível superior permaneceram os mais baixos entre os diversos níveis de escolarização.

 

Embora ainda abaixo da média dos países que integram a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento  Econômico (OCDE), de 6,23%, o porcentual do PIB investido em educação no Brasil também apresentou um aumento constante entre 2000 e 2009, chegando a 5,55%. O avanço, considerado modesto, ainda assim contribuiu para que a probabilidade de emprego aumentasse no País. Enquanto 68,7% dos brasileiros sem ensino médio estão empregados, a taxa de emprego é de 77,4% para aqueles com ensino médio, e de 85,6% para os brasileiros com ensino superior.

 

Os países desenvolvidos apresentam uma tendência pela universalização do ensino superior, alcançando índices de até 50% da população entre 25 e 64 anos, no caso do Canadá. Os Estados Unidos atingem 41% e mesmo o Chile chega ao patamar de 24% de graduados, sendo que há pouco o Brasil atingiu o patamar de 11% (OCDE, 2011). Além da formação superior, a necessidade de uma educação continuada se apresenta cada vez mais como a principal forma de desenvolver o potencial econômico e social dos profissionais.

 

Sabe-se também, no entanto, que a inserção e a plena participação do indivíduo na sociedade moderna têm ampla e direta relação tanto com seu nível educacional formal quanto com sua capacitação tecnológica para uma efetiva participação na sociedade onde vive. Também é sabido que, desde o século passado, o intenso uso das tecnologias tem estado na base do desenvolvimento da sociedade em todo o mundo.

 

O uso das tecnologias de informação e comunicação (TICs) tem permeado o moderno ensino superior oferecido nas grandes universidades do mundo. Universidades internacionalmente famosas como Stanford, Purdue e Duke já oferecem os seus cursos em formato digital. Em muitas universidades já não se distingue mais o ensino presencial do online, uma vez que a cada momento o aluno pode escolher qual o componente que melhor lhe convém. A tendência geral é que em curto prazo, nessas universidades, não se diferencie mais o que sejam cursos online de cursos presenciais, mas que sejam cursos ministrados de forma mediada pela tecnologia.

 

De acordo com o teórico de negócios americano Clayton Christensen, até ao ano de 2017 metade das aulas do mundo deverão ser ministradas de forma remota e mediada por tecnologia (TELLES, 2012). O grande desafio é o desenvolvimento de novas metodologias educacionais que efetivamente usem a tecnologia de forma criativa e produtiva e não apenas mimetizando as metodologias tradicionalmente usadas nas universidades onde predominam os cursos presenciais.

 

Dessa forma, como já escrevi anteriormente (VOGT, 2012), acredito que, além dos aspectos ligados ao bem-estar social que a ciência pode acarretar na forma das facilidades que pode oferecer através de suas aplicações tecnológicas e inovativas (como é o caso das TICs), há outra espécie de conforto que diz respeito às relações da sociedade com as tecnociências, que envolve valores e atitudes, hábitos e informações, com o pressuposto de uma participação ativamente crítica dessa sociedade no conjunto dessas relações. É a esse tipo de conforto que proponho chamar de bem-estar cultural.

 

Buscar a qualidade de vida, também através da educação, com auxílio das tecnologias é, nesse sentido, orientá-las para o compromisso com o bem-estar social e com o bem-estar cultural das populações dos diferentes países que se desenham nas redondezas do planeta.

 

O bem-estar cultural, dessa forma, está diretamente associado ao desenvolvimento da educação básica, fundamental e superior – que, no caso da formação superior de professores, reflete-se, num processo de retroalimentação, nos demais níveis educacionais.

 

O Estado de São Paulo apresenta os melhores índices sociais e econômicos do Brasil, compatíveis inclusive com os de países desenvolvidos. Entretanto, muito ainda há que se realizar quando se busca a evolução do bem-estar social e cultural de sua população como um todo e o consequente avanço de sua sociedade para um pleno exercício da cidadania. E uma das chaves para isso está na forma de ver e tratar o conhecimento como bem público.

 

Os esforços na ampliação do acesso ao ensino superior que vêm sendo realizados no Estado de São Paulo já trouxeram avanços significativos. As vagas na graduação das três universidades estaduais paulistas (USP, Unesp e Unicamp) – que estão entre as melhores do País – foram aumentadas em mais de 60% no período de 1995 a 2010. Se somadas as vagas das Faculdades de Tecnologia (Fatecs) criadas durante este mesmo período, o aumento passa dos 100%.

 

Com todo esse esforço e empenho dos últimos governos do Estado, três quartos dos jovens em idade universitária (de 18 a 24 anos) continuam, contudo, fora das instituições de ensino superior. Além disso, somente uma em cada dez cidades do Estado tem oferta de vagas públicas gratuitas no ensino superior paulista. Melhorar ainda mais o acesso ao ensino superior, universalizando-o efetivamente, é tarefa que deve ser enfrentada com zelo, objetividade e eficácia de ações consequentes e bem estruturadas.

 

É preciso e é possível universalizar o acesso ao ensino superior, utilizando, para tanto, metodologias inovadoras de ensino baseadas no uso intensivo de TICs. Trata-se de uma nova concepção de educação, que rompe os limites físicos do processo educacional, o que já vem acontecendo em universidades de diversas partes do mundo, como a Universidade Virtual do Pays de la Loire (França), a Universidade Aberta da Catalunha (Espanha), a Open University (Inglaterra) e a Universidade Virtual do Instituto Tecnológico de Monterrey (México). Agora é a vez do Estado de São Paulo.

 

Tecnologia, educação e cidadania

 

A Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp) já tem demonstrado que essas metodologias inovadoras possibilitam a efetiva ampliação da oferta de vagas no ensino superior público e gratuito com qualidade, atingindo as mais diversas regiões de São Paulo, com uma abrangência de atendimento à demanda social por vagas no ensino superior público capaz de modificar inteiramente o panorama dessa modalidade de ensino em todo o Estado. Com o uso intensivo das TICs, é possível ampliar significativamente a participação pública na oferta de vagas no ensino superior.

 

O programa Univesp, lançado em 26 de agosto de 2009, já tinha como principal foco a expansão do ensino superior público, gratuito e de qualidade no Estado de São Paulo, por meio da ampliação do número e da abrangência geográfica das vagas ofertadas. Para a consecução dos objetivos do programa, além das três universidades paulistas – USP, Unicamp e Unesp, conta-se com o Centro Estadual de Ensino Tecnológico Paula Souza e a Fundação Padre Anchieta como instituições parceiras. Desde o seu lançamento, cerca de 15 mil alunos já foram atendidos pelo sistema Univesp, entre cursos extracurriculares, graduação e especialização.

 

Por meio do seu primeiro curso implantado – de graduação em Pedagogia Univesp/Unesp –, o programa já mostrou o acerto e as enormes potencialidades dessa abordagem. O curso, oferecido pela Unesp, permitiu a oferta de vagas de forma integrada em 21 cidades do Estado (capital, litoral e interior) ao mesmo tempo.

 

Em sua primeira oferta, de 1.350 vagas para o curso de Pedagogia, o programa Univesp já conseguiu ampliar em 21% o total de vagas de todos os cursos de graduação da Unesp e em 6,5% o número de vagas públicas no ensino superior no Estado, considerando-se a oferta conjunta das três universidades estaduais paulistas. As vagas para Pedagogia nas três universidades praticamente triplicou com o curso Univesp/Unesp (crescimento de 181%). Isso mostra o potencial de alcance da Univesp e a sua capacidade de atendimento à demanda social, que é grande no País e no Estado de São Paulo, relativamente aos jovens em idade universitária e aos cursos superiores.

 

O curso se destinou a professores em exercício nas redes pública e privada e ainda sem nível superior que, assim, puderam ter, através do curso, a sua diplomação. Consequentemente, os benefícios sociais não param na formação desses professores: eles virão diretamente pela sua formação em nível superior e indiretamente com todos os alunos com quem eles trabalharão, sendo de fato concretos e objetivos. Formar professores significa ter melhores ensinos Fundamental e Médio.

A formação de docentes de Ciências, área deficitária em todo País, também será em parte suprida pelo curso de licenciatura em Ciências, realizado no âmbito da Univesp em parceira com a USP, que já está na sua terceira turma (total de 1.080 vagas). A oferta inicial de 360 vagas para a primeira turma, simultaneamente em quatro polos da USP nas cidades de São Paulo, São Carlos, Piracicaba e Ribeirão Preto, representaram um aumento de 3,5% das vagas de graduação da USP e, se somadas às vagas já oferecidas pelo curso de Pedagogia Univesp/Unesp, representaram um aumento de 8% do total de vagas de graduação das três universidades públicas paulistas.

 

Outros cursos da Univesp em parceria com a USP, as especializações em Ética, Valores e Saúde na Escola, e em Ética, Valores e Cidadania na Escola, realizados através da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), já ofertaram 2.350 vagas em 15 polos. Em relação a cursos extracurriculares, a Univesp já ofertou, em parceria com o Centro Paula Souza, dez mil vagas em cursos de língua inglesa e espanhola.

 

O Centro Paula Souza também oferecerá, em parceria com a Univesp, 3.200 vagas no curso de graduação de Tecnologia em Processos Gerenciais, o que representará um aumento de cerca de 10% no total de vagas de graduação no ensino superior público do Estado de São Paulo, incluindo as universidades e faculdades estaduais e as Fatecs.

 

Além do ensino formal, a Univesp conta também com iniciativas de oferta de educação para a cidadania. Nesse âmbito foi criada a Pré-Univesp – revista digital de apoio ao estudante pré-universitário (www.univesp.ensinosuperior.sp.gov.br/preunivesp). O conteúdo da Pré-Univesp, que é temático e mensal, está focado nos grandes assuntos da atualidade, presentes também na matriz curricular do ensino médio e nas questões das provas de ingresso à universidade. O objetivo da publicação é trazer conteúdo de qualidade e agradável voltado ao público pré-vestibulando, lançando mão de diversas mídias cabíveis na internet. O acesso ao conteúdo integral da revista é gratuito e o usuário pode se cadastrar e criar seu próprio arquivo de textos. Os assuntos são abordados de forma moderna e ágil, levando ao estudante os conteúdos através de reportagens instigantes, artigos e entrevistas que são complementados por vídeos, animações e infográficos, com linguagem motivadora para a juventude e por ela facilmente absorvida.

 

Outra significativa realização do programa Univesp foi a instalação e entrada em operação regular da Univesp TV. Trata-se de um canal digital aberto, exclusivamente dedicado ao programa, que dá apoio aos cursos em andamento e oferece conteúdo de qualidade para a sociedade de uma forma geral. A Univesp TV é o canal 2.2 da multiprogramação da TV Cultura e está no ar desde 26 de agosto de 2009. Desde sua criação, já foram produzidos cerca de mil horas de conteúdo original, distribuídos em 35 programas. O conteúdo pode ser acessado ao vivo também pela internet, na página do canal (http://Univesptv.cmais.com.br). O canal da Univesp TV no YouTube (www.youtube.com/user/Univesptv), que foi ao ar em 26 de abril de 2010, já obteve cerca de 5,5 milhões de visualizações até o momento. Esses números de acesso colocam a Univesp entre as 40 instituições universitárias de todo o mundo que mantêm canais próprios no YouTube.

 

Fundação Univesp

 

Em 2012, uma das metas do atual governo do Estado de São Paulo e uma das prioridades da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia começou a se concretizar: a transformação do programa numa instituição com autonomia didático-científica, com a criação da Fundação Universidade Virtual do Estado de São Paulo – a Univesp, como quarta universidade pública paulista.

 

A criação da Univesp ocorreu pela Lei 14.836, de 20 de julho de 2012, e o seu estatuto foi promulgado pelo decreto 58.438, de 9 de outubro de 2012. A escritura pública de instituição e constituição da Fundação Univesp foi assinada em 7 de dezembro de 2012, tendo o seu registro sido homologado em 8 de janeiro de 2013, e o seu CNPJ, no dia 23 do mesmo mês e ano.

 

O conceito fundamental sobre o qual se assenta o projeto da quarta universidade pública do Estado de São Paulo, na forma da Fundação Univesp, é o do conhecimento como bem público. A Fundação Univesp fará uso intensivo das novas TICs (NTICs) para promover a evolução social do Estado, possibilitando a universalização do acesso ao ensino superior público e a universalização do acesso ao conhecimento na sociedade digital.

 

Tais objetivos serão desenvolvidos a partir da oferta de vagas de graduação e de pós-graduação, na educação formal; e, na educação para a cidadania, na forma de cursos de extensão, de atualização e de educação continuada. A Univesp ministrará, ela própria, ou de forma consorciada com outras instituições de ensino, os cursos necessários visando à formação e ao aperfeiçoamento dos recursos humanos para prover o acesso ao conhecimento como bem público em todos os municípios do Estado.

 

No aspecto da educação formal propõe-se o estabelecimento de uma política que continuadamente promova a ampliação da oferta de educação pública superior, em dois eixos complementares. O primeiro eixo corresponde ao aumento do número de cursos e de vagas públicas ofertadas à população. O segundo eixo corresponde à ampliação da abrangência geográfica da oferta de cursos públicos, de forma a prover educação superior em regiões não atendidas pelas universidades estaduais, sem ficar vinculado aos tradicionais padrões de implantação de câmpus universitários. Com isso, além de atender cidadãos de todos os municípios do Estado, os cursos ofertados através da Univesp atuarão como indutores de desenvolvimento regional.

 

A Univesp servirá também como apoio acadêmico para diversas ações do Estado, desenvolvendo projetos em parceria com as secretarias estaduais e outras instituições públicas, por exemplo, suprindo demandas específicas de formação, especialização e atualização de professores da rede estadual.

 

Nos aspectos social e cultural, a Univesp servirá como instrumento de uma política que continuadamente promova a educação para o exercício da cidadania, ao agregar possibilidades de criação de novos programas de integração social desenvolvidos com o lastro de uma instituição de ensino de qualidade. Tais iniciativas abrangerão não somente a inclusão digital de parte da população, como também o desenvolvimento de apoio acadêmico a programas de formação profissional para a inserção no mercado de trabalho, para a readaptação daqueles que foram desalojados profissionalmente pelas novas tecnologias ou mesmo para a geração de renda, o empreendedorismo e a geração de novos negócios.

 

A concepção acadêmico-administrativa da Univesp privilegia um modelo organizacional de pequeno porte corporativo (reduzido quadro permanente), mas moderno e de grande porte, pelo alcance, nos aspectos acadêmico, didático, social e geográfico, ao produzir cursos, obras de referência e materiais didáticos especificamente para a oferta de vagas com grande distribuição geográfica e grande alcance social através das NTICs. Esse conjunto de características permite o desenvolvimento de pesquisas e a criação e oferta de cursos geridos como projetos. Neste modelo de gestão, a pesquisa e o curso (graduação, pós e extensão) existem pelo tempo necessário para cumprir os objetivos e as metas sociais estabelecidas no projeto. O pessoal acadêmico e técnico envolvido em cada projeto deverá ser contratado especificamente para o projeto em que participe.

 

Desse modo, a Univesp, emparelhada com as melhores tendências educacionais identificadas em todo o mundo, como entidade educacional ativa do Estado de São Paulo, virá contribuir de forma consistente para o atendimento da demanda por vagas no ensino superior público gratuito e de qualidade, levando a universidade ao aluno nas mais diversas regiões, e trazendo o estudante, antes nelas isolado, para a possibilidade real de integrar-se, pela universidade, às novas perspectivas profissionais abertas pelos cursos que lhe serão ofertados.

 

Formação integrada

 

A estrutura dos cursos de formação profissional da Univesp se estabelece por "eixos profissionais". Isso permite que os alunos tenham uma formação integrada de tal maneira que possam, sequencial ou paralelamente, ampliar seus estudos e obter novas certificações, estendendo dessa forma o conceito de educação continuada.

 

Dentro de um mesmo eixo profissional, os cursos se apresentam com um núcleo de formação básica e, a seguir, com alternativas de trilhas profissionais correlatas de modo a permitir a seus alunos a escolha de uma ou mais habilitações profissionais nesse eixo. Assim, após a conclusão de uma saída profissional, o aluno poderá dedicar-se, pela escolha de uma nova trilha, à obtenção de um novo diploma de graduação, com aproveitamento total das disciplinas do núcleo básico comum.

 

Por exemplo, nessa concepção integrada da estrutura dos cursos, a formação de profissionais para a área de indústria, comércio e serviços no eixo de Informática se dará a partir de um núcleo básico e comum nos primeiros anos seguido, nos anos subsequentes, de alternativas de saídas profissionais, à escolha do aluno, para: Comércio Eletrônico, Segurança da Informação, Desenvolvimento de Sistemas, Sistemas de Informação, entre outras. Para a formação de professores no eixo de Linguagens e Humanidades, haverá, por exemplo, um núcleo básico e comum nos primeiros anos composto por Linguística, Teoria Literária, Filosofia e Ciências Sociais e, nos anos seguintes, o estudante escolherá uma dentre as possíveis trilhas cuja saída profissional seja Português, Língua e Literatura, Economia, Sociologia, Antropologia, Filosofia, História, Geografia, entre outras.

 

A oportunidade aberta por essa concepção é, portanto, a de que o graduado num determinado eixo profissional possa, dentro dele, obter, com pleno aproveitamento das disciplinas do núcleo comum, mais de um diploma para o exercício de sua vida profissional.

 

Pimesp

 

O Governo do Estado anunciou em 20 de dezembro de 2012 o Programa de Inclusão com Mérito no Ensino Superior Público Paulista (Pimesp), com o fim de garantir, em três anos, a partir de 2014, no sistema de ensino superior público do Estado de São Paulo, 50% das vagas para alunos oriundos de escolas públicas, das quais 35% para pretos, pardos e indígenas.

 

O Pimesp, desenvolvido pelo Conselho de Reitores das Universidades Estaduais de São Paulo (Cruesp), pelo Centro Paula Souza, pela Fapesp e pela Univesp, prevê investimentos no montante de R$ 27,017 milhões no primeiro ano, devendo atingir R$ 94,679 milhões em 2021. Nesse período, a oferta de vagas destinadas aos estudantes de escolas públicas será incrementada gradativamente, começando com 35% em 2014, 43% em 2015, alcançando 50% em 2016. 

 

De acordo com a proposta, deverá ser criado um fundo especial para bolsas assistenciais de permanência no valor de meio salário mínimo, destinadas aos alunos com renda familiar inferior a 1,5 salário mínimo. Os bolsistas serão avaliados mensalmente quanto à participação em atividades escolares.

 

A Univesp, através do Instituto Comunitário de Ensino Superior (Ices), cuja criação está delineada no programa, oferecerá cursos superiores com duração de dois anos a esses estudantes. A seleção para ingresso será realizada de acordo com o desempenho dos candidatos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) ou no Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp).

 

Desse modo, através do Ices, a Univesp oferecerá 2 mil vagas anuais do curso superior sequencial para alunos que cursaram ensino médio em escolas públicas, sendo que mil destas vagas serão destinadas a pretos, pardos e indígenas classificados meritoriamente através do Enem.

 

Aos alunos concluintes do curso sequencial, considerado o desempenho de cada um, serão ofertadas vagas nas universidades paulistas e no Centro Paula Souza. Já ao final do primeiro ano, o aluno aprovado integralmente no curso sequencial terá acesso aos cursos das Fatecs. A aprovação integral no segundo ano, com rendimento no curso superior a 70%, garantirá o acesso aos cursos das universidades e faculdades estaduais, além das Fatecs.

 

As escolhas de vagas nas instituições ocorrerão respeitando o mérito acadêmico e de acordo com as ofertas apresentadas anualmente pelas universidades, faculdades isoladas e Centro Paula Souza. O aluno aprovado após os dois anos do curso terá um diploma de curso superior sequencial, que permitirá desenvolver atividades profissionais e prestar concursos públicos.

 

O Pimesp, uma vez aprovado internamente pelos conselhos das instituições que integram o programa, deverá entrar em funcionamento já em 2014, como foi dito, trazendo, na linha das características que destacam São Paulo no cenário da educação e da pesquisa avançada no País, novas contribuições para as políticas públicas afirmativas do Estado e novas formas de responder, com mérito, aos desafios sociais e étnicos das demandas crescentes pelo ensino superior de qualidade.

 

Considerações finais

 

O sentido do conhecimento como bem público e a oferta de educação para o exercício da cidadania, fortemente presentes no projeto da Univesp, correspondem à ideia de alcançarem-se completamente todos e, particularmente, os mais distantes municípios de São Paulo, formando uma rede de conhecimento com capilaridade em todos os rincões do Estado. Isso, atualmente, somente se viabiliza pelo uso integrado das tecnologias disponíveis e através da intervenção institucional direta do Estado, no sentido de prover amplo acesso das mais distantes comunidades a essas tecnologias.

 

O conhecimento é um bem público que traz ao indivíduo bem-estar cultural e leva a sociedade, de posse desse tesouro, à busca incessante de novas formas de conhecimento e de novas práticas sociais para o bem comum da coletividade. Nesse sentido, bem-estar cultural é também bem-estar social.

 

Com essa proposta, a Univesp busca usar as modernas tecnologias para prover algumas das necessidades básicas de parte da população e promover sua ampla inserção social e decorrente pleno exercício da cidadania, através da universalização do acesso ao ensino superior público, gratuito e de qualidade, e da universalização do acesso ao conhecimento na sociedade digital. É a tecnologia a serviço da educação e da cidadania, levando a educação de qualidade, em todos os níveis, para todas as regiões e municípios do Estado.

Referências bibliográficas

 

OCDE (2011). Banco Mundial. Education at a Glance 2011. Disponível em: http://www.oecd.org/education/preschoolandschool/educationataglance2011oecdindicators.htm. Acesso em 29 jan. 2013.

 

OCDE (2012). Banco Mundial. Education at a Glance 2012. Disponível em: http://www.oecd.org/edu/eag2012.htm. Acesso em 29 jan. 2013.

 

TELLES, M. (2012). Conteúdo com grife. Revista Época, 20 de janeiro de 2012. Disponível em http://revistaepoca.globo.com/Vida-util/noticia/2012/01/conteudo-com-grife.html. Acesso em 30 jan. 2013.

 

VOGT, C. (2012). The spiral of scientific culture and cultural well-being: Brazil and Ibero-America. Public Understanding of Science, 21(1) 4–16.

 

* Poeta e linguista, é coordenador do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) da Unicamp. Foi reitor da Unicamp (1990-1994), presidente da Fapesp (2002-2007) e secretário de Ensino Superior do Estado de São Paulo (2007-2010). Atualmente é coordenador cultural da Fundação Conrado Wessel, assessor especial do governador do Estado de São Paulo e presidente da Fundação Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp)

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