Artigo: A Unesp no ranking das economias emergentes

Pró-reitora de Pesquisa diz que estar entre as 100 melhores do mundo tem significado especial para Unesp, uma universidade jovem

09 Dezembro 2013 | 18h52

* Maria José Giannini

Estar entre as quatro universidades brasileiras melhores do mundo, em meio a 100 instituições de 22 países de economias emergentes, incluindo-se o bloco dos BRICS, no último ranking da Times Higher Education (THE), divulgado em 4 de dezembro, tem um significado especial para a Universidade Estadual Paulista. Criada em 1976, a Unesp é uma instituição jovem, mas que tem como meta estar entre as melhores universidades do mundo, a partir de sua excelência acadêmica.

A maioria dos rankings considera como itens mensuráveis a pesquisa de excelência, a escolha dos estudantes pela instituição, qualidade de ensino e do corpo docente, a empregabilidade dos seus egressos, internacionalização, inovação e transferência de conhecimento, entre outros. A proposta desses rankings é apresentar um indicador independente a ser usado como referência da qualidade destas universidades. A avaliação da THE é feita com base em 13 critérios que se resumem a cinco tópicos: ensino (o “ambiente de aprendizagem”, correspondendo a 30% da pontuação); pesquisa (“quantidade" e “reputação”, com peso de 30%); citações (o “impacto da pesquisa”, valendo 30%); o impacto no setor produtivo (“inovação”, com peso de 2,5%) e a visibilidade internacional (“recursos humanos - docentes, estudantes e pesquisa”, que correspondem a 7,5% da avaliação).

Um dos pilares de sustentação para o crescimento da Unesp é a evolução exponencial das publicações de artigos científicos em periódicos indexados em bases de dados internacionais e qualificação da pesquisa desenvolvida pelos docentes/pesquisadores com ou sem os nossos alunos. Esses indicadores apontam um crescimento de 38% no período entre 2005 a 2012, segundo base de dados SCOPUS, e 41 % em relação à base de dados ISI e confirma o aumento da contribuição da pesquisa desenvolvida pela Unesp no país, com repercussão no exterior, como observado em nossa posição em outros rankings.

Tomando por base a produção vinculada ao Currículo Lattes dos pesquisadores da Unesp, observa-se no período de 2008- 2012 uma produção total de 31.131 artigos, dos quais 43% (13.277) estão vinculados ao Journal Citation Reports (JCR).  Ainda se observa um aumento da inserção da produção científica internacional de 23% para média de publicação docente/ano (2005-2008: 1,21 vs 2009/2012: 1,49) e também um aumento de 40% nos artigos com parceiros internacionais. Esses dados corroboram com o indicativo de crescimento da qualidade das publicações nos últimos anos. Este comportamento é indicativo de que a política propulsora adotada pela Unesp promoveu uma quebra de paradigmas e a produtividade em pesquisa vem sendo valorizada e incentivada, respeitando-se as especificidades de cada área do conhecimento.

Outro aspecto importante para a avaliação da evolução da pesquisa é a captação de recursos financeiros em órgãos de fomento externos (nacionais e internacionais). Assim, os indicadores internos da Unesp também apontam avanços significativos e, se associados aos indicadores internacionais, como o resultado do ranking, indicam a melhoria da qualidade em ensino, pesquisa e a formação de recursos humanos preparados para o mundo globalizado.  Também mostram que a politica de internacionalização deve ser a meta a trilharmos. Sabemos que a atração de docentes/pesquisadores altamente qualificados do exterior, atrelada à vinda de jovens talentos, graduandos e pós-graduandos, o desenvolvimento de projetos de pesquisa conjuntos com parceiros internacionais, publicações conjuntas e o número de citações são indicadores importantes, além de o emprego de línguas estrangeiras, principalmente o inglês para algumas áreas.

Voltando ao citado ranking da THE, embora a Unesp tenha que trilhar alguns caminhos para chegar ao “top 10”, a posição 87 nos enche de orgulho, quando somente três outras universidades brasileiras (USP, Unicamp e UFRJ) estão entre as 100 e, em especial, três do Estado de São Paulo. Isto mostra também que as políticas para o ensino superior neste Estado, em que a autonomia e os recursos financeiros são mantidos (ICMS e da Fapesp), se configuram na mola propulsora para alavancarmos para as melhores posições.

As estratégias dos países que estão no topo do ranking mostram que há necessidade de políticas de longo prazo e forte investimento do Estado em ciência, tecnologia e inovação. Assim, não poderia deixar de citar o Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI). O documento é uma espécie de "projeto de governo", com estratégias para a instituição enfrentar os desafios dos próximos dez anos. Nos últimos cinco anos, a Unesp investiu pesadamente na contratação de docentes e de pesquisadores de técnicos de nível superior. Investiu-se também na melhoria da infraestrutura com recursos da universidade e das agências de fomento, criando-se locais adequados para o desenvolvimento de suas atividades-fim.

Por sua própria característica multicâmpus (a Unesp está presente em 24 cidades paulistas, contando-se com a Capital), há ainda a necessidade de melhorarmos as estruturas de pesquisa em alguns locais, mantendo-se as características da política com mérito e multiusuária. Não é um caminho fácil a ser trilhado, visto que temos que investir de São José do Rio Preto, no noroeste do estado, a Registro, no Vale do Ribeira; de São Vicente, no litoral, a Rosana, na região do Pontal do Paranapanema. Mas a Unesp se dispôs a essa empreitada. E alguns resultados já começam a ser observados.

* Maria José Giannini é pró-reitora de Pesquisa da Universidade Estadual Paulista (Unesp)

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