Aprovado às pressas, novo Provão é alvo de críticas

Aprovado na Câmara e no Senado sem muita discussão - estava trancando a pauta dos parlamentares -, o novo sistema de avaliação do ensino superior deve ter sua grande estréia em novembro, com o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade). Calcula-se que custará até metade dos R$ 30 milhões que o Ministério da Educação gastava ao ano para avaliar os conhecimentos dos formandos com o antigo Provão. O novo exame será aplicado por amostragem. E é aí que começam as críticas ao sistema.O Enade começará avaliando parcelas de alunos do primeiro e do último anos de 13 cursos das áreas de saúde, veterinária e agronomia. Cada uma delas será avaliada somente a cada três anos. "Cinco alunos, por exemplo, não representam a totalidade de um curso", diz a presidente do Núcleo de Pesquisas do Ensino Superior da Universidade de São Paulo (Nupes/USP), Eunice Durhan. Para ela, amostragem só funciona em índices gerais, e não em algo tão específico como um determinado curso de uma determinada instituição.O diretor do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Dilvo Ilvo Ristoff, garante que a amostragem tem quase o mesmo grau de confiabilidade que o exame universal - a margem de erro é de 3%. Ele explica que o Inep fez simulações com dados reais do Provão e constatou que a classificação dos cursos se manteve quando foram selecionadas amostras. "Nos casos em que a confiabilidade ficar prejudicada, avaliaremos o todo."A educadora Maria Helena Guimarães de Castro, uma das criadoras do Provão, diz que o ensino superior é muito heterogêneo para não ser avaliado na sua totalidade. "Da maneira como o exame está sendo proposto, ele será inútil." Ela, porém, admite que o modelo antigo tinha falhas e concorda em não haver mais a prova anualmente para todos os cursos.A diretora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Agueda Bittencourt, diz que os educadores aguardavam um novo modelo e diziam que os conceitos dados aos cursos, de A a E, não refletiam exatamente sua qualidade. Para o diretor-executivo da Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup), José Walter dos Santos, o MEC não teria condições de manter por muito tempo um sistema tão amplo. "Em oito anos deveremos ter entre 8 milhões e 9 milhões de alunos. Nenhum país avalia tanta gente.""O que estava faltando era exatamente o que foi introduzido agora", diz o vice-diretor da Faculdade de Educação da USP, Nelio Bizzo. A prova será apenas um dos componentes do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes). Uma auto-avaliação da instituição, sua responsabilidade social e visitas feitas por comissões do Inep são alguns outros. O projeto aguarda apenas sanção do presidente.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.