Aprendizado em português fica estagnado na rede municipal de SP

Notas são do 9º ano do ensino fundamental; São Paulo é a 12ª melhor rede entre as capitais do País em português

Luiz Fernando Toledo, Paulo Saldaña, O Estado de S. Paulo

11 Dezembro 2014 | 12h59

O aprendizado em português nos anos finais do ensino fundamental ficou estagnado na cidade de São Paulo entre os anos de 2011 e 2013. A nota dos estudantes do 9º ano na Prova Brasil, avaliação nacional feita de dois em dois anos, ficou em 238,6 em 2013, a mesma avaliação de 2011. Já em matemática, o desempenho melhorou -  de 240,4 para 241,19. A nota máxima é 500. 

No ranking das capitais do País, a cidade se manteve em 12ª posição em 2013, no primeiro ano da gestão Fernando Haddad (PT). Está logo atrás de Natal (RN), Goiânia (GO), Fortaleza (CE) e Rio Branco (AC). Curitiba (PR) lidera a lista assim como em 2011, com a melhor avaliação em português do País. Em seguida, estão  Palmas (TO), Campo Grande (MS), Vitória (ES) e Rio de Janeiro (RJ). 

Rio Branco foi a capital que mais ganhou posições nos dois anos. Em 2011 a capital era uma das piores do Brasil, em 24ª. Já em 2013, saltou 16 posições, com médio superior a Fortaleza e Porto Alegre (RS), por exemplo. Já Florianópolis foi o município que teve a maior queda - perdeu 12 posições e foi para a 19º posição do ranking. 

Matemática. O aumento no desempenho de matemática fez com que a capital saísse da 12ª posição para a 11º. Curitiba também continua líder na disciplina, tanto em 2011 quanto em 2013. Florianópolis novamente foi a que mais caiu - foram sete posições, que levaram a cidade a ficar em 14ª no ranking das capitais. Aracaju (SE) deu um salto e saiu da 18ª posição em 2011 para 12ª, em 2013. 

Nas duas disciplinas, Recife teve o pior desempenho, com as notas 210,4 em português e 221,62 em matemática. Como Maceió e Boa Vista não registraram notas em 2013, as capitais ficaram fora da avaliação. 

Para o secretário municipal de educação de São Paulo, Cesar Callegari, a cidade tem potencial de desempenho "muito maior" e o resultado de 2015 será melhor. "A grande aposta que deve se dar é nos alunos. nesses anos finais. Quando se alargam possibilidades de protagonismo no processo de aprendizagem, eles se desenvolvem muito. Eles não precisam ser tão tutelados como nos anos iniciais", afirmou. Callegari aposta na implantação do ciclo autoral, iniciada neste ano pela gestão Haddad (PT). O processo, que exige do aluno a entrega de um Trabalho Colaborativo Autoral (TCA) ao final do 9º ano, poderá ser uma medida que ajudará a melhorar a nota dos estudantes, segundo o secretário. "Acreditamos que isso terá influência já no ano que vem". 

Anos iniciais. São Paulo não teve divulgadas as notas da Prova Brasil nos anos iniciais em 2013 (5º ano), por causa de uma distorção causada por uma série escolar atípica, com alto porcentual de alunos repetentes. A divergência foi criada em 2010 na implementação do ensino fundamental de nove anos. Isto fez com o que o atual secretário municipal de educação, Cesar Callegari, fizessa um alerta ao governo foderal, pedindo que os dados não fossem divulgados. Ele afirmou que os números poderiam passar uma fotografia não representativa da qualidade de educação. Em 2011, a cidade estava em 14ª posição entre as capitais em português (181,6) e em 13º em matemática (197,5). 

O retrato geral das capitais no 5º ano mostra Florianópolis no topo em português, com nota 212,03, número superior ao obtido em 2011 (206,3). Em matemática, Curitiba passou a liderar, com a nota 229,85. Entre as notas mais baixas estão Macapá, em último lugar em português e penúltimo em matemática. São Luís também teve baixo desempenho em relação às outras capitais e aparece em penúltimo em português e último em matemática. 

Maceió foi a capital com a maior ascensão em português - saiu de 167,9 em 2011 para 177,38 em 2013, ganhando 7 posições, à frente de Belém, Natal, Porto Velho, Aracaju, Recife, São Luís e Macapá. Em matemática a capital também teve melhor desempenho e subiu seis posições, assim como Manaus, que aparece em 12º lugar. Campo Grande foi a rede que mais caiu em português. Era a primeira no ranking das capitais em 2011 e agora está em 7ª, mesmo fenômeno observado em matemática. 

9.º ANO

PORTUGUÊS 2011 2013 Variação

Curitiba (PR) 261,7 259,5 -2,17
Palmas (TO) 257,9 259,5 1,55
Campo Grande (MS) 259,3 254,2 -5,11
Vitória (ES) 249,6 250,8 1,23
Rio de Janeiro (RJ) 250,2 250,2 -0,01
Teresina (PI) 242,7 248,1 5,36
Belo Horizonte (MG) 253,7 248,0 -5,74
Rio Branco (AC) 215,8 244,6 28,82
Fortaleza (CE) 239,1 244,6 5,46
Goiânia (GO) 232,3 240,5 8,18
Natal (RN) 237,6 238,9 1,28
São Paulo (SP) 238,6 238,6 0
Cuiabá (MT) 241,8 237,7 -4,14
João Pessoa (PB) 242,1 237,6 -4,51
Belém (PA) 232 237,5 5,51
Macapá (AP) 232,1 235,5 3,38
Porto Alegre (RS) 234,1 235,1 0,97
Manaus (AM) 226,6 234,9 8,28
Florianópolis (SC) 247,5 233,8 -13,75
Aracaju (SE) 222,7 231,6 8,9
São Luis (MA) 231,9 229,2 -2,68
Porto Velho (RO) 228,6 228,3 -0,26
Salvador (BA) 232,8 225,2 -7,65
Recife (PE) 210,4 218,4 8,04
Maceió (AL) 220,4 - -220,4
Boa Vista (RR) - - -

MATEMÁTICA 2011 2013 Variação

Curitiba (PR) 268,9 266,73 -2,17
Palmas (TO) 263,8 264,67 0,87
Belo Horizonte (MG) 262,3 258,57 -3,73
Campo Grande (MS) 266,6 258,15 -8,45
Vitória (ES) 257,3 257,19 -0,11
Rio de Janeiro (RJ) 255,8 253,78 -2,02
Teresina (PI) 251,1 250,74 -0,36
Natal (RN) 245,3 242,44 -2,86
Fortaleza (CE) 239,8 241,57 1,77
Goiânia (GO) 234,9 241,26 6,36
São Paulo (SP) 240,4 241,19 0,79
Aracaju (SE) 232,6 241,19 8,59
Porto Alegre (RS) 240,2 237,89 -2,31
Florianópolis (SC) 255,6 237,75 -17,85
João Pessoa (PB) 242,8 236,78 -6,02
Cuiabá (MT) 243,8 235,76 -8,04
Belém (PA) 234,2 235,12 0,92
Macapá (AP) 231,4 231,19 -0,21
Porto Velho (RO) 234,4 229,51 -4,89
Manaus (AM) 225 229,36 4,36
Salvador (BA) 232,4 228,3 -4,1
São Luis (MA) 231,8 225,77 -6,03
Rio Branco (AC) 223,8 221,67 -2,13
Recife (PE) 211,3 221,62 10,32
Maceió (AL) 227,8 - -227,8
Boa Vista (RR) - - -

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