Application em 7 passos

Consultora ajuda interessados em disputar vaga em um MBA no exterior

25 Junho 2012 | 22h19

As seleções para cursos de MBA de escolas top são lentas, trabalhosas e, para ansiedade dos candidatos, seguem critérios subjetivos. Não basta tirar boas notas em uma prova para conseguir vaga, como no vestibular. “As medidas quantitativas são apenas parte do material analisado pelos comitês de admissão”, diz a psicóloga Claudia Gonçalves, consultora para planejamento de carreira e MBA.

Além de se sair bem em exames como Gmat e Toefl, o candidato precisa saber se vender em entrevistas e ensaios (essays) que devem ser moldados segundo as expectativas de cada universidade. “As escolas querem saber sua habilidade em ser bem sucedido num ambiente acadêmico, as experiências que você terá a oferecer para enriquecer o curso e seus colegas e seu potencial para sucesso como líder de negócios.”

Por isso, diz a especialista, a preparação para a candidatura (conhecida como application) exige tempo e dedicação. Interessados em estudar fora devem manter o foco nos processos seletivos com pelo menos um ano de antecedência – a primeira rodada de admissões ocorre por volta de outubro. “É preciso estudar para as provas, pedir traduções de documentos e elaborar textos.” Confira outras dicas nesta página e também no blog da consultora no Estadão.edu (blogs.estadao.com.br/mba-de-a-a-z).

1. Pesquisa de mercado

Reúna o máximo de informações possível sobre as escolas antes de desenvolver os applications. Uma boa fonte de pesquisa são os rankings, embora eles mudem ano a ano. Cruze diversos levantamentos de acordo com sua área de interesse, já que as universidades ocupam posições diferentes. Certifique-se de escolher o curso pelos motivos corretos, não só com base na colocação em um ranking. O nome da faculdade sempre é importante, mas há outros fatores que devem ser levados em consideração, como localização, especialidade e diversidade dos estudantes. Também visite os sites das escolas, que contêm informações básicas sobre os programas, sua filosofia e empresas que mais recrutam ex-alunos. Acesse os application forms e monte uma tabela com os requisitos para a candidatura e deadlines. Outra dica: converse com ex-alunos, visite feiras de MBA e, se possível, conheça os câmpus pessoalmente. Dessa forma você fugirá da propaganda das escolas e vai conseguir informações relevantes para a escolha das universidades onde gostaria de estudar e as cidades onde quer morar. Lembre-se: qualidade de vida é essencial durante o curso.

2. Posicionamento pessoal

Posicionamento é um termo do marketing que se refere ao espaço que uma pessoa, empresa ou produto garante para seu público e o diferencia dos concorrentes. É algo a ser conquistado. Para ganhar esse espaço precioso de seu público-alvo, no caso os comitês de admissão das escolas, você deve oferecer evidências que sustentem o seu posicionamento. Se, por exemplo, você decide se posicionar como um especialista em manufatura, como vai embasar isto? Se você não pode fornecer evidências, procure outro tipo de estratégia. Um posicionamento sem fundamento pode ser visto apenas como tentativa de se fazer passar pelo que não é.

3. Brainstorm

Separe um tempo para pensar em aspectos profissionais, pessoais e acadêmicos que podem ajudá-lo a desenvolver seu posicionamento. Esse processo de autoconhecimento será útil não só para compor os essays, mas para enfrentar as entrevistas. Pense nos pontos de sua vida que gostaria de enfatizar, principalmente aquilo que faz você diferente dos outros candidatos. Não se esqueça que as instituições buscam diversificar o perfil dos alunos. Procure detalhes demográficos e estatísticos sobre a composição da turma já admitida para cada escola. Isto o ajudará a entender o pool de candidatos. Você precisa saber quantas pessoas com um trabalho similar ao seu aplicaram para o programa, pois o 350º candidato saído de uma consultoria provavelmente será muito parecido com o 349º. Mais um motivo pelo qual é essencial contar sua história de modo que o destaque dos demais.

4. Documentação

A esta altura você já deve ter em mãos os itens administrativos necessários para o application: além do formulário da escola preenchido, tradução juramentada de histórico escolar da graduação e da pós, currículo reduzido em uma a duas página e cartas de recomendação. O currículo é um dos primeiros filtros do processo de seleção. Descreva de forma concreta e tangível o que você fez e os resultados. Seja quantitativo ou qualitativo, dê detalhes que mostrem seu nível de responsabilidade e capacidade de liderança. Assim, os comitês de admissão das instituições poderão ter ideia de sua contribuição ao curso. Já as cartas, escritas por um chefe antigo ou um professor, podem ser usadas para ratificar seu posicionamento e contar algo que ficou de fora dos essays.

5. Provas

Se você não estudou numa faculdade onde a língua oficial de instrução era a inglesa, deverá prestar exames de proficiência como o Toefl (aceito pela maioria das escolas), o Ielts ou o PTE. O Toefl avalia se o nível de inglês do candidato o permite tomar notas acuradas durante uma aula, compreender rapidamente textos escritos, descrever objetivamente a relação entre dois textos e comunicar-se forma clara e organizada. Também é necessário submeter as notas do Gmat ou do GRE, provas que analisam inglês, matemática e raciocínio lógico.

6. Essays

Escrever os essays é a parte mais difícil do processo de candidatura. Definido o tipo de posicionamento que vai buscar, você deverá pensar em duas coisas: como se apresentará para os avaliadores e qual o principal tema que quer abordar sobre seus interesses e futuro. Ajude o leitor a conhecer as facetas de sua vida, mas o faça de maneira concisa e bem articulada. Seja honesto em seus essays: fale claramente de suas conquistas, mas saiba reconhecer pontos a melhorar e relacione-os com seus objetivos educacionais. Revise seus textos sistematicamente. Caso eles o agradem mas não respondam ao que é solicitado ou pouco agreguem para o conjunto, não hesite em eliminá-los.

7. Entrevista

É a etapa final, que define sua admissão. Existem dois tipos de entrevistas, e elas dependem do processo de application de cada instituição. O primeiro tipo é um pré-requisito, ou seja, a escola conversa com todos os candidatos antes de fazer a escolha; o segundo é por convite e só ocorre se a universidade quiser mais detalhes sobre seus essays e seu perfil, ou tiver de decidir entre você e outros candidatos. Prepare-se como se fosse para uma entrevista de emprego. É importante que você tenha entendido o perfil da universidade e possa traçar um paralelo com o seu. Esse paralelo mostrará que você não só fez a lição de casa e pesquisou sobre a escola, mas também pensou profundamente nos motivos de escolher aquele curso para fazer um investimento significante de tempo e dinheiro. Estude os essays e ache pontos que você gostaria de enfatizar ou explicar melhor cara a cara com o entrevistador. Também procure aspectos que podem diferenciar seu application e o tornam único e perfeito para aquela universidade. Prepare-se para responder às perguntas de modo natural e aproveite para demonstrar desenvoltura e domínio do inglês. É interessante perguntar algo que reflita seu preparo e ao mesmo tempo desperte o interesse do entrevistador, geralmente um aluno ou ex-aluno da instituição. Fazer uma pergunta inteligente às vezes requer mais preparo do que apenas responder a uma pergunta de forma inteligente.

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