Evelson de Freitas/Estadão
Evelson de Freitas/Estadão

Após recurso, Objetivo Integrado entra na lista e é 1º do País no Enem

Ao todo, 24 escolas já pediram reexame de critérios; Além de Integrado de SP, outras duas escolas que estavam de fora tiveram dados divulgados

Paulo Saldaña e Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

27 Novembro 2013 | 15h51

Pela segunda vez em dois anos, o Colégio Objetivo Integrado, de São Paulo, conseguiu por recurso ficar entre as melhores no ranking de escolas pela nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2012. Com a atualização da lista feita ontem pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), o Objetivo Integrado passou o Bernoulli, de Belo Horizonte, e ficou em primeiro lugar nacional.   Além do topo na média calculada das provas objetivas (Linguagens, Matemática, Ciências Humanas e Ciências da Natureza), com 740,81 pontos, o Objetivo Integrado é o 34.º melhor na nota da redação, com 744 pontos.

Neste ano, o colégio havia ficado de fora por inconsistências entre os dados da quantidade de concluintes do ensino médio que constam no Censo da Educação Básica e o número de inscritos na penúltima edição do Enem. Segundo o Objetivo Integrado, os dados do Inep indicavam que 43 alunos da escola haviam feito o Enem, mas o Censo registrava 42 concluintes. Com a correção, o total de candidatos que fizeram a prova passou para 38. Os cinco extras, informa o Objetivo, foram registrados erroneamente.

Já em 2011, o Objetivo Integrado saltou de 22.º para 3.º colocado na lista, após pedir vista da média da nota de redação. No ranking paulistano, o colégio chegou ao primeiro lugar daquele ano após revisão do Inep.   O diretor do Objetivo Integrado, João Carlos Di Genio, garante que o “sumiço” da escola no ranking não preocupou. “Os pais e alunos já sabem do bom resultado nesses últimos anos”, afirma. Para ele, como a base de dados do Inep é muito grande, é “normal” que haja equívocos.

Outra unidade do Objetivo Integrado, em Mogi das Cruzes, também foi incluída na tabela, além do Colégio Classe A, de Mato Grosso do Sul. Outras 21 instituições entraram com pedido de reexame e aguardam resposta do Inep. O prazo para as escolas ingressarem com reclamações é 4 de dezembro.

Competição. A nova líder é alvo de críticas de educadores e outras escolas por colocar somente os melhores alunos em uma unidade separada e usar a boa posição no ranking como propaganda. O Grupo Objetivo, com 12 escolas na Grande São Paulo, tem 9 mil alunos, mas apenas 200 estudam na unidade campeã.   De acordo com Di Genio, a unidade foi criada há quatro anos por causa do interesse de um grupo de alunos de ter aulas em tempo integral e se aprofundar em algumas disciplinas.“São os que gostam de pesquisa e de participar de olimpíadas.” Ele nega que a unidade exista só para ficar entre os melhores do País.  

A professora Paula Louzano, da Faculdade de Educação da USP, afirma que a liberação dos resultados por escola pelo Inep fomenta a competição. “É uma inversão de prioridades. O Enem é subsidiado pelo Estado, mas quem se beneficia da divulgação de notas são as privadas. Já o aluno de escola pública não pode escolher para onde vai”, diz. Para ela, a tendência é que cada vez mais colégios usem a estratégia de separar os melhores alunos em outra unidade para alavancar o desempenho no Enem. “Muitas famílias, de modo errado, também acham que o ranking mede qualidade.”

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