Após morte de aluno, FEA pede plano de segurança com PM

Reitoria vai discutir medidas de segurança com estudante, que cobram mais iluminação e redistribuição de vigias

Felipe Mortara, Especial para O Estado de S. Paulo

19 Maio 2011 | 11h10

Após o assassinato na noite desta quarta-feira, dia 18, do estudante Felipe Ramos de Paiva, de 24 anos, no estacionamento da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA), o chefe de gabinete da reitoria da USP, Alberto Carlos Amadio, recebeu alunos que protestaram esta manhã na Cidade Universitária e prometeu discutir com eles esta tarde, em reunião marcada para as 16 horas, com presença do vice-reitor, Helio Nogueira da Cruz, e do próprio Amadio. O reitor, João Grandino Rodas, não confirmou presença e o diretor da unidade, Reinaldo Guerreiro, também não - provavelmente irá ao enterro do estudante, na cidade de Caieiras.

"Não há dúvidas de que é necessário um projeto de segurança no câmpus. E a presença da PM é um elemento disso", afirmou Guerreiro, concordando com as reivindicações dos estudantes. 

Aluno do 5º ano de Ciências Atuariais, Felipe foi baleado na cabeça por volta das 21h40, depois de assistir a uma aula de contabilidade. "Aqui me sinto seguro como em qualquer lugar de São Paulo, ou seja, inseguro", ironizou Guerreiro. Pouco antes, em entrevista ao programa Bom Dia, Brasil, da TV Globo, o diretor disse que as características do câmpus são um "facilitador" da ação de bandidos. "Ele é enorme, há muitos espaços vazios."

 

Ao Estado, Guerreiro disse não ter dados sobre uma suposta "epidemia de violência" na Cidade Universitária, mas citou investimentos feitos pela FEA em segurança. "Instalamos 150 câmeras nos corredores e salas de aula, mas ainda não do lado externo. Precisamos fazer um estudo para melhorar a iluminação. O próximo passo é colocar catracas."

 

Segundo o diretor, a reitoria está consciente do problema e planeja ações para melhorar as condições de segurança na USP. Sobre a Guarda Universitária, Guerreiro disse que ela tem dificuldades para lidar com os recentes casos de violência. “É difícil coibir. Tem acontecido muita coisa no câmpus. A reitoria estabeleceu uma comissão de segurança e teremos de ter ações mais concretas.”

 

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O assassinato de Felipe mobilizou os alunos da FEA já na noite de ontem, quando o centro acadêmico da unidade convocou uma manifestação para as 7h15 de hoje, diante da faculdade, que atraiu cerca de 500 estudantes. A maioria deles vestia preto. Uma carta aberta foi distribuída entre os participantes do protesto. Um dos trechos do texto dizia: “A perda de nosso colega escancara de maneira lamentável a necessidade de se debater a segurança no cotidiano universitário.”

 

No texto, assinado pelo CA, os alunos sugerem formas de enfrentar os sucessivos casos de violência na Cidade Universitária. Eles sugerem a melhoria da iluminação em todo o câmpus e a colocação de vigilantes nos perímetros da unidades. “Agiremos para que a dor que hoje sentimos altere a forma como a questão da segurança é tratada”, diz a carta.

 

"Estamos revoltados com a questão da segurança na USP. Já houve seguidos casos de sequestro relâmpago e agora chega ao ponto de um aluno da FEA ser assassinado no estacionamento da faculdade", afirmou a diretora-presidente do CA, Maíra Madrid, de 21 anos, aluna do 4.º ano de Economia.

 

Atualizada às 13h47. 

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