Epitácio Pessoa/Estadão
Epitácio Pessoa/Estadão

Após liberar volta às aulas, Cotia recua e suspende retorno das estaduais

Mudança no decreto, que suspendia apenas a rede municipal de ensino, foi publicado na manhã desta terça-feira

Renata Okumura, O Estado de S.Paulo

08 de setembro de 2020 | 18h22

SÃO PAULO - Após liberar a abertura de escolas estaduais no município de Cotia a partir desta terça-feira, 8, o prefeito da cidade, Rogério Cardoso Franco (PSD), voltou atrás e suspendeu o retorno das atividades presenciais neste ano para a rede estadual. 

No fim da manhã desta terça-feira, o prefeito publicou decreto alterando o que foi divulgado na última quinta-feira, 27. Na norma da semana passada, havia sido adiado para o ano que vem apenas o retorno da rede municipal. Com a nova redação do decreto, tanto a rede municipal quanto a estadual ficam impedidas de voltar neste ano em Cotia.

Segundo o novo texto, "a obrigatoriedade da substituição das disciplinas presenciais prevista aplica-se também à rede estadual de ensino no município de Cotia". Até então, as estaduais, caso retornassem por determinação do governo do Estado de São Paulo, "só poderiam fazê-lo após executar todas as adaptações necessárias e exigidas na legislação higiênico-sanitária".

Segundo a prefeitura, a rede particular continua autorizada a realizar atendimento presencial, de acordo com as orientações do Estado, com exceção do ensino infantil. "As escolas deverão apresentar um protocolo de funcionamento à administração municipal", informou, por meio de nota.  

Com escolas fechadas há seis meses, Cotia era uma das 128 cidades paulistas que haviam dado aval para a reabertura de pelo menos parte dos colégios, segundo balanço do governo do Estado. Em agosto, o governo estadual autorizou que municípios há 28 dias na fase amarela do plano de reabertura econômica, em que há queda nas infecções, liberassem o funcionamento das escolas em setembro.

Para este mês, a volta das atividades presenciais deve respeitar regras como salas com somente 20% da capacitação de ocupação e não comparecimento de alunos com sintomas da covid-19, além de outras medidas de saúde e higienização. Apesar do aval do governo estadual, a decisão sobre reabrir escolas ficou nas mãos das prefeituras que, em ano eleitoral, sofrem pressão de professores para manter os colégios fechados e de unidades particulares, que pedem a abertura.

Nas redes sociais, a Apeoesp Cotia, que representa professores no município, comemorou a decisão municipal de suspender a volta às aulas na rede estadual. "Essa mudança de posição do prefeito de Cotia, que havia deixado as escolas estaduais de fora no primeiro decreto, é fruto da intensa mobilização das comunidades escolares, do professorado, dos diretores e diretoras e também da Apeoesp, que ajuda a organizar a campanha pela vida e contra o retorno das aulas presenciais".   

Nesta terça-feira, parte dos colégios particulares de Cotia não reabriu. A maioria das 13 unidades privadas consultadas pelo Estadão disse que pretende reabrir apenas em 7 outubro, data oficial de retorno prevista pelo governo do Estado de São Paulo. Pelo menos um deles chegou a abrir para algumas séries do ensino fundamental 1 e 2 na manhã desta terça-feira, mas, por determinação da prefeitura, segundo o colégio, entrou em contato com pais de alunos do período da tarde para suspender o retorno.

O Colégio Sidarta voltará com as atividades presenciais a partir da próxima segunda-feira, 14. "A partir desta quarta-feira, 10, a escola começará a receber grupos de 10 alunos por dia para uma vivência da nova rotina escolar e ambientação aos protocolos exigidos pelos órgãos oficiais", informou, em nota.

Colégios particulares dizem estar com os protocolos prontos. Entre as medidas a serem adotadas estão: obrigatoriedade do uso de máscara facial, medição de temperatura de alunos e funcionários na entrada, tapete para limpeza dos calçados, higienização das salas de aulas antes da próxima turma, recipientes de álcool em gel nas salas e espaços comuns e sinalização para o cumprimento do distanciamento social.

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