Divulgação
Divulgação

Após briga, relação entre estudantes fica acirrada no Rio

Os dois lados relatam tentativas de intimidação desde a terça-feira passada, quando houve a primeira desocupação de um colégio

Alfredo Mergulhão, Constança Rezende e Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

12 Maio 2016 | 03h00

RIO - Brigas, ameaças e trocas de acusações acirraram as relações entre estudantes que estão em lados opostos nos movimentos de ocupação e desocupação das escolas estaduais do Rio. Os dois lados relatam tentativas de intimidação desde a terça-feira passada, quando cerca de 100 pessoas entraram no Colégio Estadual Prefeito Mendes de Moraes, na Ilha do Governador, zona norte, e expulsaram 50 alunos que ocupavam a escola desde 21 de março.

Houve confronto, com ao menos cinco feridos, com cortes e hematomas. Horas depois a escola foi retomada pelo grupo que promove as ocupações. O conflito ocorre no momento em que a Secretaria Estadual de Educação avança nas negociações com os alunos.

O Mendes de Moraes amanheceu com uma barricada no portão, feita com carteiras escolares. Os alunos pediram ajuda a estudantes de outros colégios. “Pedimos a todas as escolas ocupadas que mandem representações. Precisamos de todos aqui", diz a postagem no Facebook. Eles acusam os colegas que tentaram desocupar a escola de roubar a comida estocada, colchonetes e cobertores.

A Assembleia Nacional dos Estudantes Livre (Anel), do PSTU, partido de extrema-esquerda, incentiva e apoia as invasões. Ontem, publicou nota determinando aos alunos que resistam a qualquer investida. 

As ameaças também estariam vindo do lado dos estudantes que realizam as ocupações. O líder do Desocupa Já, Luan Silva de Freitas, de 18 anos, disse que, com medo de apanhar, decidiu deixar o movimento.

“No domingo dois caras vieram em casa me ameaçando, dizendo que se acontecesse algo com alguém do movimento de ocupação, eu seria responsabilizado. Fora as ligações de números restritos, com ameaças. O Estado e o Ministério Público não se movem, não vou ficar me sacrificando. Só quero que as aulas voltem para terminar meu ano letivo e sair dessa briga horrível”, disse. Freitas nega que o movimento pela desocupação tenha algum vínculo com a Secretaria de Educação, como acusam os invasores.

Em nota, a Secretaria Estadual de Educação informou que “repudia qualquer forma de violência, seja do movimento de ocupação ou de desocupação” e que “está em negociação com os estudantes para buscar uma conciliação”. O secretário Antonio de Paiva Neto chegou a se reunir com alunos anteontem.

Apesar do bate-boca que marcou a reunião, ficou decidido que no prazo de 40 dias após as desocupações haverá eleições para a escolha dos diretores das escolas, com participação de pais, alunos e professores. A secretaria também cedeu em relação ao Sistema de Avaliação da Educação do Estado do Rio de Janeiro (Saerj) . Ficou acertado que o último Saerj acontecerá no fim do ano e em 2017 haverá uma reformulação para um simulado preparatório para o Enem. O comando das ocupações vai se reunir amanhã para definir o futuro do movimento.

A Defensoria Pública do Estado elaborou calendário de negociações na tentativa de solucionar os problemas apontados pelos estudantes. Sete audiências já estão marcadas. Ontem, 12 alunos de seis escolas ocupadas participaram de audiência de conciliação com a Secretaria de Educação na 2ª Vara da Infância, da Juventude e do Idoso do Rio. A juíza Glória Lima da Silva pediu a desocupação das unidades, mas os invasores relutam.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.