Após 50 dias, alunos e professores da USP Leste encerram greve

Estudantes, docentes e funcionários pedem descontaminação do câmpus e eleições para diretor

Bárbara Ferreira Santos,

30 Outubro 2013 | 11h21

SÃO PAULO - Alunos, professores e funcionários da USP Leste decidiram por fim à greve de 50 dias na unidade nessa terça-feira, 29. As atividades foram retomadas nesta quarta-feira, dia 30. Desde o dia 10 de setembro, eles estavam em greve para pedir a descontaminação do câmpus, autuado em agosto pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), por descumprimento de exigências ambientais, e a escolha de um novo diretor para a unidade, interinamente comandada pelo professor Edson Leite.

A decisão foi tomada após assembleia pública na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa, que contou com a presença do presidente da Cetesb e representantes da Superintendência do Espaço Físico da USP. O órgão ambiental analisa o plano de trabalho apresentado há duas semanas pela USP para descontaminar o câmpus na zona leste. A assessoria da USP Leste afirmou que as aulas retomaram normalmente hoje e que a universidade aguarda o parecer do órgão.

Segundo os alunos, grupos de trabalho de estudantes, professores e funcionários foram criados para acompanhar o processo de despoluição do câmpus e a eleição de um novo diretor, que deve ocorrer no dia 19 de novembro. "Todas as exigências não foram atendidas ainda, mas conseguimos mais transparência nos documentos ambientais apresentados, a criação dos grupos de trabalho e o afastamento do diretor. Vamos continuar acompanhando e realizando assembleias semanalmente", afirmou Mariana Rocha Oliveira, de 23 anos, aluna de Gestão de Políticas Públicas.

Entenda o caso. A  USP Leste não cumpriu 11 exigências de controle e despoluição do solo e, em agosto deste ano, foi autuada pela Cetesb. Por estar na várzea do Rio Tietê, toda a área ocupada pela unidade apresenta problemas de poluição de solo por gás metano, inflamável. Depois de parte do terreno ser interditada com placas, que informavam haver "contaminantes com riscos à saúde", os alunos, professores e funcionários decidiram entrar em greve no dia 10 de setembro.

No dia 2 de outubro, os alunos chegaram a ocupar o prédio da administração da USP Leste, em protesto. A reintegração foi determinada no dia 10, pela juíza Carmen Fernandez Teijeiro e Oliveira, da 5.ª Vara da Fazenda Pública.  Na ocasião, ela afirmou que a pauta dos estudantes era legítima, mas disse que a ocupação do prédio prejudicava o funcionamento da universidade.

No dia 15 de outubro, estudantes e a direção se reuniram na USP Leste para negociar a saída do prédio sem a necessidade de intervenção da PM. Não houve acordo. No dia 19, o Batalhão de Choque da Polícia Militar realizou a  reintegração de posse do prédio.  A ação ocorreu de surpresa, entre 5h e 6h15, segundo a PM.  Um oficial de Justiça acompanhou a saída de 31 estudantes do local.  Ninguém foi detido.

Nessa terça-feira os alunos puseram fim à greve, mas afirmam que continuarão monitorando o processo de descontaminação do solo e as eleições para a direção da unidade. A Cetesb analisa o plano de trabalho apresentado há duas semanas pela USP para descontaminar o câmpus na zona leste.

Mais conteúdo sobre:
USP Leste, Cetesb, greve

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.