Apoio à educação e desenvolvimento do País

Carlo Lovatelli * A extraordinária evolução da tecnologia nas últimas duas décadas criou a exigência de um novo padrão educacional da população, para ampliar sua empregabilidade, atendendo às novas necessidades de informação e preparo requeridas por empresas e mesmo pelo serviço público e por entidades.Assim, um amplo apoio à educação passou a ser fundamental não apenas para elevar o nível cultural, como para garantir o desenvolvimento e o futuro do País.Por um lado, esses avanços tecnológicos destruíram milhões de empregos repetitivos ou de baixa qualificação em decorrência da automatização, do avanço das telecomunicações, da informatização e do uso de equipamentos de grande produtividade. Por outro lado, geraram novas oportunidades de trabalho nos setores com maior conteúdo técnico e nas áreas de educação, saúde, cultura e lazer.A diferença é que essas atividades exigem profissionais mais qualificados e não mais mão-de-obra que possa ser rapidamente treinada.Outra mudança significativa é a tendência crescente ao estabelecimento de um novo tipo de relação de trabalho, por tarefa ou serviço. Essas alterações no mercado de trabalho, somadas ao baixo crescimento da economia nos últimos anos, fizeram com que a questão do emprego passasse a ser no Brasil de hoje a maior preocupação das pessoas.Buscando se preparar para o atual cenário no mundo do trabalho, os países que vêm tendo maior crescimento econômico investiram substancialmente em educação nas últimas décadas de modo a adequar sua população à nova realidade.Embora os dados de 2003 do Atlas do Desenvolvimento Humano, divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), mostrem que o Brasil conseguiu grandes avanços na educação, nosso país ainda tem um grande desafio pela frente.Segundo dados do Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (Gife), temos hoje praticamente toda a população na faixa de 7 a 14 anos na escola mas, apesar do notável crescimento da escolaridade na década de 1990, ainda estamos atrasados na corrida pela educação. Nossa juventude tem, em média, 7,5 anos de escolaridade, contra 12, 13 ou 14 anos dos outros países em desenvolvimento.Adicionalmente, há grandes desafios de qualidade. Cerca de 16,3 milhões de brasileiros acima de 15 anos não conseguem ler nem escrever e um terço dos domicílios é comandado por um analfabeto funcional, aquele que sabe ler e escrever mas não consegue compreender um texto. Para superar essas questões é preciso um esforço concentrado, não apenas dos governos, mas de toda a sociedade.As empresas brasileiras têm consciência dessa realidade. No último levantamento feito pelo mesmo instituto, 59% das companhias declararam realizar algum tipo de ação social e juntas investiram cerca de R$ 4,7 bilhões. O apoio à educação é um dos principais focos da maior parte dos Programas de Responsabilidade Social, recebendo 19% dos investimentos.Os exemplos vão desde o notável esforço da Fundação Bradesco com suas mais de 40 escolas de educação fundamental no País, ao apoio e estímulo ao desenvolvimento de professores, realizado por entidades como a Fundação Bunge e a Fundação Victor Civita, a ações pontuais nas escolas situadas nas comunidades próximas às empresas.Nossa experiência, tanto nos programas voltados aos professores - como o Prêmio Incentivo à Educação Fundamental, realizado em parceria com o Ministério da Educação, e o projeto Recicriar: A Pedagogia do Possível (de formação de professores) - como no trabalho de voluntariado realizado nas escolas, o Comunidade Educativa, revelam que é possível contribuir para o desenvolvimento de professores, bem como para a melhoria da qualidade de ensino das escolas da rede pública.Assim, o apoio à educação, dado por empresas de pequeno, médio e grande portes e por voluntários do seu corpo funcional, vem se constituindo cada vez mais num exemplo de responsabilidade social empresarial, que caracteriza as empresas-cidadãs.Sua continuidade e expansão vão trazer reflexos importantes na melhoria da qualificação pessoal das crianças e jovens das classes menos privilegiadas, contribuindo para a criação de um país desenvolvido e ampliando as condições de empregabilidade das futuras gerações.* Vice-presidente da Fundação Bunge

Agencia Estado,

17 de maio de 2004 | 13h15

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.