SERGIO CASTRO/ESTADÃO
SERGIO CASTRO/ESTADÃO

Apesar de crise, USP sobe em ranking de reputação acadêmica

Universidade é a única brasileira entre as 100 melhores instituições; Estados Unidos e Inglaterra estão no topo da lista

Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

11 Março 2015 | 18h00

SÃO PAULO - Apesar da crise financeira, a Universidade de São Paulo (USP) melhorou na edição 2015 no ranking de reputação acadêmica da revista Times Higher Education (THE), uma das principais referências no mundo em medição da qualidade no ensino superior. A instituição, única brasileira no top 100, saltou do patamar 81-90 para a faixa 51-60 em relação ao ano passado.

Na lista, as universidades são mencionadas por posição até o 50º lugar e, depois, enquadradas em grupos de dez até a 100º. O ranking existe desde 2011, mas a USP só começou a aparecer na relação no ano seguinte.

A elite de 2015, como nas edições anteriores, é formada pelas instituições dos Estados Unidos e do Reino Unido.O topo é da Universidade de Harvard, americana, seguida da Universidade de Cambridge e da Universidade de Oxford, ambas inglesas. A primeira instituição de outro País a aparecer na lista é a Universidade de Tóquio, em 12º.

No ranking, aparecem 21 países. Os Estados Unidos também são campeões de representantes na lista, com 43. A Universidade Autônoma do México entrou pela primeira vez na relação, no patamar 71-80. Não há outros latino-americanos na listagem.

Para medir a reputação, o ranking considera pontos como participação em projetos internacionais de pesquisa ou atração de professores e alunos. O resultado final foi produzido a partir de 10.507 respostas dadas por especialistas de 142 nações. 

Desafios. O reitor da USP, Marco Antonio Zago, afirma que a crise orçamentária da instituição não pesou nos rankings globais. "Se mantivermos controle rígido sobre os gastos, em especial sobre os gastos com a folha de pagamento, não sofreremos perda de qualidade", destaca. 

Segundo Zago, o resultado é fruto de "conhecimento mais amplo da qualidade da produção científica da USP" e "maior trânsito internacional de pesquisadores e egressos da universidade".O reitor ainda aposta em melhores resultados nas próximas edições com ações previstas no plano de metas deste ano, como "qualificação em língua inglesa na graduação e na pós-graduação" e "novas bolsas de mobilidade internacional.  

Para Phil Baty, editor da THE, contribuiu para a melhora da USP uma mudança metodológica. Neste ano, os questionários foram distribuídos em mais idiomas e houve mais retornos de especialistas da América do Sul. "Também acredito que tem havido maior atenção global ao Brasil recentemente. E o Ciência sem Fronteiras certamente ajudou mais instituições a desenvolver laços com o Brasil e entender a força do País na educação superior", completou. 

Sobre o impacto da crise financeira da USP na reputação acadêmica, Baty reconhece que universidades de classe mundial precisam de investimentos altos para atrair os melhores professores e renovar a infraestrutura. "Não é acidente que as universidades da China continue a crescer fortemente nos rankings. Eles estão sustentadas por generosos financiamentos e compromissos do governo para garantir que elas competem em nível global". 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.