Apesar de avanço, só 64 cidades têm nota de país desenvolvido

Levantamento mostra que apenas 62 dos mais de 5,5 mil municípios tiveram Ideb igual ou maior do que 6

Lisandra Paraguassú, de O Estado de S. Paulo,

20 de junho de 2008 | 23h57

Os números do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2007, divulgados na sexta-feira, 20, pelo Ministério da Educação, mostram que as escolas do País melhoraram nos dois últimos anos. Ainda assim, apenas 62 municípios brasileiros podem se orgulhar de ter para turmas de 1ª a 4ª série um ensino público com qualidade de países desenvolvidos, o que significa ter nota 6 (em uma escala de 0 a 10). O governo federal espera ver o País todo alcançar essa média em 2022. Nas turmas de 5ª a 8ª série, os avanços foram ainda menores: apenas duas cidades, Imigrantes (RS) e Três Arroios (RS), conseguiram chegar nessa média.  Veja também:As metas atingidas, por Estado  Desempenho das escolas na 4ª série  (15.7Mb) Desempenho por região do País (93Kb) Desempenho dos municípios na 4ª série (4.54Mb) Desempenho das escolas na 8ª série (10.5Mb) Desempenho dos municípios na 8ª série (4.08Mb) Resultados nacionais (27Kb)  Os resultados do Ideb por municípios mostram um quadro consideravelmente melhor do que em 2005, quando o ministério fez a primeira Prova Brasil - a avaliação universal do ensino fundamental. A partir daí foi criado o Ideb, que é calculado com dados da aprovação escolar e das médias de desempenho dos estudantes em português e matemática nas avaliações nacionais, a Prova Brasil e o Sistema de Avaliação da Educação Básica.  As notas de 2005 revelaram que apenas 235 municípios conseguiram, na etapa de 1ª a 4ª série, uma nota acima de 5 , a partir da qual a rede de ensino pode ser considerada boa. Hoje, são 892. Apenas 10 cidades tiveram então médias acima de 6 naquele ano. Ainda assim, boa parte dos municípios brasileiros ainda patina com Ideb abaixo de 4. Na etapa de 5ª a 8ª série, um quarto dos municípios fica com médias abaixo de 3 - uma nota considerada pelo próprio ministro da Educação, Fernando Haddad, como "menos do que regular". De 1ª a 4ª série, a situação, mais uma vez, é melhor. Ainda assim, são 904 cidades com notas 3 ou abaixo. "No geral, acho que ficamos bem. Fiquei muito feliz com os resultados, significa que o sistema finalmente está se movimentando, criou-se uma preocupação com a aprovação, com o currículo, com o que ensinar", disse a secretária de educação básica do MEC, Maria do Pilar. "Mas não podemos pensar que está bom. Esse é o resultado de uma primeira reorganização."  O ministério comemora especialmente o avanço que os sistemas mostram nos resultados da 4ª série. Seria uma demonstração de que as crianças mais novas estão aprendendo mais e a esperança de que esses bons resultados cheguem, daqui a alguns anos, na 8ª série e no ensino médio. Isso porque, hoje, o final do ensino fundamental ainda fica muito aquém do necessário. Apenas 88 cidades brasileiras conseguiram alcançar uma média 5 na 8ª série.  Algumas cidades apresentam um perfil que pode ser considerado quase caótico. Ubatã, na Bahia, levou o título este ano de rede com pior Ideb na 4ª série do País, com apenas 0,9. Mais grave ainda, a cidade reduziu pela metade o seu resultado, que era de 1,8 em 2005. Os resultados na educação parecem ser reflexo do próprio caos administrativo da cidade. Em junho do ano passado, o prefeito da cidade, Adailton Magalhães, foi preso acusado de desvio de recursos públicos e superfaturamento. O Estado tentou contato com a prefeitura, mas ninguém respondeu no local.  Entre os 100 municípios com piores Idebs na 4ª série, 40 pioraram entre 2005 e 2007. Em todos, o perfil é semelhante: houve piora nas taxas de aprovação e também nos resultados da Prova Brasil. O mesmo aconteceu com as cidades que tiveram resultados ruins na 8ª série. Mas, nesse caso, das 100 com piores resultados, 58 caíram entre 2005 e 2007.  Apesar dos avanços nas regiões mais pobres do País, as diferenças regionais ainda se mantém. Enquanto os bons resultados se concentram no Sul e no Sudeste, são as cidades do Norte e Nordeste que aparecem na ponta de baixo do ranking. Entre os 100 municípios com piores Idebs, 99 estão nessas regiões, boa parte deles dos Estados da Bahia - que tem os dois piores resultados, Ubatã e Barra do Rocha - e do Pará. A exceção é Capitão Andrade, em Minas Gerais. O secretário da Educação da Bahia, Adeum Sauer, lamentou o mau resultado das duas cidades, municípios vizinhos a 375 quilômetros de Salvador. "Se a gente olha as notas que os alunos receberam na prova, houve até uma evolução", afirma Sauer. "O problema foi a queda na aprovação dos alunos".  Na 8ª série, o pior resultado do País está em Baraúna, no Rio Grande do Norte, com um Ideb de 1,5 - ainda pior do que os meros 2 pontos de 2005. Nos dois anos, os estudantes da cidade tiveram notas ainda mais baixas na Prova Brasil e a reprovação na 5ª série aumentou 10 pontos porcentuais.  Na ponta de cima do ranking, a pequena cidade paulista de Adolfo, com 3 mil habitantes, tem o mais alto Ideb do País para a 4ª série: 7,6. São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina concentram a maior parte das cidades com os melhores resultados do País. O Nordeste aparece com apenas um município entre os 100 melhores. São Domingos do Cariri, na Paraíba, com o único Ideb 6 da região. A nota 6 almejada pelo MEC é a média apresentada por países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A atual média da rede pública brasileira é 4,2 para a etapa de 1ª a 4ª série.

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